O cinema em 2007 não teve grandes destaques, mas contou com uma produção criativa durante todo o ano. Fora o fenômeno Tropa de Elite, nenhum filme passou muito tempo em evidência. No entanto, boas produções não faltaram. O GRITO!, a partir da opinião de jornalistas especializados e escolha de seus colaboradores e editores elaborou a lista do que melhor o cinema ofereceu este ano.

25 :: Labirinto do Fauno

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O LABIRINTO DO FAUNO
Guillermo del Toro

Linda fantasia sobre como o ser humando pode transcender a dureza e a realidade. Destaque para a excelente fotografia e direção de arte, que levou o filme ao Oscar. O universo onírico faz a festa tanto dos amantes de fantasia quanto cinéfilos frequentadores de circuito alternativo. Curioso é que o filme, mesmo sem deixar de utilizar toda a parafernália hollywoodiana, tem uma equipe toda mexicana. Isso sim é fantástico. Mesmo sendo de 2006, o filme conquistou platéias – não só de cinema de arte – no início deste ano.


24 :: A Maldicao da Flor Dourada

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A MALDIÇÃO DA FLOR DOURADA
Zhang Yimou

Super produção com a estética delicada marcante do diretor Zhang Yimou, A Maldição da Flor Dourada ainda desperta o amor e ódio ao diretor de Herói. Para muitos um afetado, para outros um poeta visual, Yimou segue com seu estilo espetaculoso, cheio de subtramas e cenas de luta que mais parecem balé. É um filme que mostra que o cinema é feito sobretudo de imagens e isso é o que A Maldição… tem de melhor.


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MARIA
Abel Ferrara

O diretor americano, famoso por suas películas viscerais, trouxe mais uma produção digna de uma grande cineasta. Ao explorar um tema religioso, o autor faz uma crítica ao neoconservadorismo cristão e seus chistes reacionários. Juliette Binoche está ótima como a atriz que interpreta Maria Madalena num filme e continua com a personagem após as filmagens. Pra completar o modo Ferrara de filmar, Maria ainda é indigesto como quase tudo na carreira do diretor.


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4 MESES, TRÊS SEMANAS E DOIS DIAS
Cristian Mungiu

Sensação no Festival de Cannes, este belo filme do diretor romeno Cristian Mungiu é antes de tudo uma aula de reflexão sobre os sentidos da vida. É o típico filme sem muitos recursos técnicos, feito com pouco dinheiro e muita câmera na mão. A personagem principal, Anamaria Marinca, uma estudante que resolve ajudar a amiga a fazer um aborto clandestino, na sombria Romênia de Nicolai Ceaucescu é o mote desse filme, que ainda inédito em circuito, promete emocionar platéias no Brasil em 2008.


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EM BUSCA DA VIDA
Jia Zhang-Ke

Pérola do cinema oriental, a história da enfermeira e do trabalhador de minas de carvão que decidem retornar ao local onde ficava uma cidade, na intenção de reencontrar seus esposos, emocionou platéias ao redor do mundo. Diferente da China desenvolvida, próspera e rica, que espera as olimpíadas ano que vem, Zhang-Ke encontra uma brecha para, através do cinema, mostrar uma China miserável.


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PARIS, TE AMO
Vários Diretores

Apesar do resultado irregular, este apanhado de curtas consegue emocionar pela pluralidade de visões acerca da “Cidade Luz”. Cada um dos 18 curtas fala de um arrondisement, a divisão distrital de Paris. O quarto, Le Marais, de Gus Van Sant, merece destaque pela pouco texto e narrativa tocante ao retratar o bairro mais gay de Paris. No mais, os curtas se alternam em pequenas narrativas comoventes e outras nem tanto. Assim é Paris, sempre incompleta e longe da idealização romântica que a fez famosa.


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MEDOS PRIVADOS EM LUGARES PÚBLICOS
Alan Resnais

A história de seis pessoas que vivem no mesmo bairro em Paris e têm suas vidas alteradas pelo destino mostrou que o diretor francês ainda está com a câmera afiada. Resnais é o último dos grandes cineastas franceses, e, diferente de Godard e Chabrol, não teve muita irregularidade em sua filmografia.


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LIGEIRAMENTE GRÁVIDOS
Judd Apatow

A comédia americana vez por outra consegue surpreender o espectador com histórias que vão além da escatologia. Ligeiramente grávidos foi o melhor exemplo disso em 2007. Ao lado de Superbad, nasce uma outra geração de comediantes, mais sensíveis e inteligentes. O filme, com roteiro mais sofisticado, não se apóia em gags, nem em situações-limite, recursos usados à exaustão nas comédias ianques.


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NÃO POR ACASO
Phillipe Barcinski

Elenco e direção afiados fizeram de Não Por Acaso uma das melhores surpresas de 2007. Em seu filme de estréia, Phillipe Barcinski explorou o significado das imagens e já mostrou sua personalidade estética. A narrativa encontra saídas criativas para desenvolver a personalidade dos personagens. Lindo.


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CONTROLE – A HISTÓRIA DE IAN CURTIS
Anton Corbijn

O excelente retrato de um ídolo e de uma época em que se pensava, ingenuamente, que tudo era possível. O diretor também é ícone: Corbijn foi um dos mais importantes fotógrafos de rock, durante os anos 1980. Control é sensação por festivais em que é exibido, tamanha a força que Ian Curtis ainda mantém.


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A RAINHA
Stephen Freas

Sthephen Frears conseguiu filmar um belo e sensível retrato de uma figura tida como inatingível. Aplausos redobrados para a interpretação de Helen Mirren, um das melhores atrizes de 2007.


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JOGO DE CENA
Eduardo Coutinho

Ótimo documentário onde as histórias reveladas pelas atrizes prendem muito mais a atenção do público que qualquer ficção. Mais uma obra-prima de Coutinho, que coloca a realidade em cheque. Neste, ainda temos certo embate entre ficção e não-ficção revelado pela atuação das atrizes e mulheres comuns. Mas ainda se trata de um documentário, neste caso, sobre pequenos dramas femininos.


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TROPA DE ELITE
José Padilha

Pirataria no áudio-visual. Violênia urbana. Relação entre o tráfico de drogas e a classe média. O verdadeiro papel das ONGs. Não importa o tema: o certo é que todos os assuntos abordados no filme de José Padilha fizeram parte dos debates no país inteiro e mostraram que a nossa sociedade ainda precisa discutir muito para formar uma opinião coerente.


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PIAF – UM HINO AO AMOR
Olivier Dahan

Cinebiografias geralmente resultam em produções irregulares. Piaf – Um Hino ao Amor é uma exceção à regra e contou com maestria a história da grande diva da canção francesa.


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O ULTIMATO BOURNE
Paul Greengrass

Um boa prova que pode existir vida inteligente no gênero de ação, O Ultimato Bourne completa a bem-sucedida trilogia de Greengrass sobre o agente interpretado por Matt Damon. Longe de esquematismos técnicos, o filme tem personalidade e uma narrativa que foge de obviedades.


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BAIXIO DAS BESTAS
Cláudio Assis

Cláudio Assis nos deu outro soco no estômago com o ácido Baixio da Bestas. Ao retratar a decadência moral e social da Zona da Mata pernambucana, o diretor também mostrou a falência da nossa sociedade.


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9
SANTIAGO
João Moreira Salles

Delicada narrativa sobre as relações humanas e sobre a importância da perseverança nas nossas vidas. Santiago foi mordomo da família de Salles, uma família muito rica, influente e que hoje mantém um instituto de mesmo nome, no Rio de Janeiro, na casa onde Santiago trabalhou. O filme começou a ser pensado em 1992 e só agora é finalizado.


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8
MARIA ANTONIETA
Sofia Coppola

Mostrar a figura humana antes do mito. Esse foi a principal qualidade do roteiro de Maria Antonieta. Elogiado por uns e criticado por outros, a película de Sofia Coppola ousou ao fugir da temática histórica no retrato da rainha francesa. Como brinde, o público contou com a melhor trilha sonora do ano – recheda de pérolas do pop-rock.


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7
ZODÍACO
David Fincher

David Fincher conseguiu dar novos ares a uma tema tão manjado como o do “serial killer”. Destaque também para um elenco afiado em que Robert Downey Jr dá show.


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6
PROVA DE MORTE
Quentin Tarantino

Tarantino segue na linha “metalinguagem do cinema B” e faz de seu novo longa uma deliciosa brincadeira com o gênero. É bem mais rico e bem produzido que seu “irmão”, Planeta Terror, de Robert Rodriguez.


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5
VENTOS DA LIBERDADE
Ken Loach

O filme delineia muito bem a história irlandesa além de ser visulamente belo. Vencedor da palma de ouro em 2006, só agora é conhecido do grande público. Além de transbordar tristeza, ter uma força melancólica, ainda serve de escape para as tendências esquerdistas de Loach.


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4
IMPÉRIO DOS SONHOS
David Lynch

David Lynch já deu ao cinema mundial clássicos como Veludo Azul e Coração selvagem. Agora, o cineasta subverte de vez a lógica cinematográfica com esta obra prima, de mais de três horas de duração onde o experimentalismo é seu maior trunfo. Obrigatório.


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SUPERBAD
Greg Mottola

Maravilhosamente hilário, Superbad foi a comédia mais interessante de 2007. Travestida de um filme idiota sobre fim de colegial americano, é sarcástico, inteligente e cheio de humor negro. Surpreendeu o público que não esperava receber doses cavalares de escracho. Pra completar, é comovente ao falar de amizade nem soar piegas.


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RATATOUILLE
Brad Bird

O roteiro adulto e cheio de nuances fez dessa animação um dos melhores destaques do ano, provando que o gênero evoluiu e pode conquistar todos os públicos.


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1
O CÉU DE SUELY
Karin Aïnouz

A história de Suely emocionou não pela grandeza de seus detalhes, mas pela sinceridade com a qual foi contada. Sem esperar nada da vida, a protagonista desse ótimo filme de Karim Aïnouz se mostrou como uma pintura – estática e bela. Um exemplo de cinema cru e verdadeiro que revelou ao País o jovem talento de Hermila Guedes.

ESCOLHA DA CRÍTICA: MELHORES FILMES
CINEMA NACIONAL – SUELY E CAPITÃO NASCIMENTO E AUXILIADORA

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