MEDÉAponto (Foto: Márcio Shimabukuro/ Divulgação)

A força performática de Medéia
Por Fernando de Albuquerque

selo-jan-grandes-espetaculos.pngNas diversas manifestações artísticas ao longo do século 20 podemos reconhecer um fascínio constante pelo sobrenatural, o surreal e o fantástico. Em cada um, o semelhante prazer de corromper, ultrapassar, experimentar veículos de desregramento, desordem, reivenção. MEDÉAaponto, solo-performance de Augusta Ferraz, tem essa tônica de lidar com o mito através da intensificação das sensações estéticas que além do classicismo da apresentação ganha tons mais prolixos com um figurino faustoso e bem elaborado e a utilização de outros suportes de linguagem.

O espetáculo vai fundo na mitologia grega e exibe de forma visceral um dos mais marcantes trabalhos de valor imaginativo da literatura ocidental. A protagonista, como o próprio nome sugere, é apresentada inicialmente como vítima de infortúnios. Uma vítima que é capaz de lutar, perseguir, vingar-se tal como um herói homérico e que alçada ao papel de algoz sempre que sua condição de mulher lhe some a mente.

Com direção de Marcondes Lima MEDÉAponto faz uma leitura contemporânea desse mito grego. A apresentação dá partida com as cortinas abertas, garrafas espalhadas pelo chão e o espaço cênico sendo preenchido apenas com uma tênue luz azul. O palco é a entrega absoluta da atriz ao seu personagem que além de Medeia desempenha a voz da ama, de Creonte e de outros personagens. A música é o elemento diagético mais marcante da montagem já que as falas da protagonista soam como canções de pesar e degredo.

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