Rapper de Houston fala da própria família com pano de fundo para o sistema corrompido da América

rima sobre violência, família e superação no novo Brandon Banks
NOTA7.5

Maxo Kream, rapper de Houston, Texas, é um dos novos e promissores nomes do rap e chega com um novo disco que é mais do que um cartão de intenções: Brandon Banks é um conjunto de faixas autênticas sobre a vida nas ruas, violência, racismo e o problemático sistema judiciário americano.

Nascido Emekwanem Ogugua Biosah, Jr., ele se envolveu com a gangue Hoover Gangster Crips e acabou preso em 2016, um ano depois de ter lançado sua primeira mixtape #Maxo187. Ainda que rimar sobre a própria vivência e a realidade brutal de crime e superações já tenha gerado clássicos do rap, a narrativa trazida por Biosah aqui chama atenção por se permitir vulnerável e arriscada.

Além disso ele trouxe como pano de fundo para o álbum a história de sua família, sobretudo o seu pai, imigrante nigeriano. Todas as histórias de sua família vão se misturando a um debate sobre o sistema prisional norte-americano e seu racismo endêmico.

Na sonoridade, o disco é bem diversos, a exemplo do hit “Meet Again”, uma conversa com um amigo preso, que tem muito de “One Love”, de Nas. Travis Scott acelera o flow em “The Relays” e ScHoolboy Q divide as rimas cheias de ironia em “Murda Blocc”.

Este é o disco de estreia de Maxo por uma grande gravadora, a RCA/Sony e com 15 faixas, o registro fica um pouco cansado perto do fim. Perde um pouco do impacto do seu primeiro álbum, o ótimo Punken, mas ainda assim é uma incrível crônica hip hop desses tempos.

MAXO KREAM
Brandon Banks
[RCA/Sony, 2019]

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