Marilyn Manson no Eurockéennes (2007) - Foto: Rama

MARILYN MANSON
Eat Me, Drink Me
[Interscope, 2007]

Marilyn Manson é um artista que esgotou suas possibilidades criativas. Este seu novo disco é seguido ao mediano Golden Age Of Grotesque (2003), repleto de conceitos, mas insuficiente para se aproximar do vigor jovem e certeiro de novas bandas dos anos 2000. Mas Brian Warner e seu projeto  ainda representa muito para esses jovens.

Eat Me, Drink Me não adiciona nada ao estilo inconfundível (pra não dizer previsível) de Manson. Os sussurros e a voz gutural estão lá. As guitarras dançantes estão lá. E, pena, as melodias arrastadas, com vocal choroso, também. Erros e acertos, o novo disco é por demais auto-referencial e totalmente sem novidade.

O último trabalho cheio de possibilidades interessantes e recheado de ótimos hits de Manson foi Holy Wood – In The Shadow Of The Valley Of Dead (2000). De lá pra cá, a busca por uma nova maquiagem marcante foi mais frutífera que encontrar um novo destino para o autêntico e vigoroso rock que fazia antes. O Glam Metal tem nos emos My Chemical Romance (com quem Manson andou trocando farpas através da imprensa ) ídolos mais certeiro.

Na música pop, o cantor fez sua parte. Rockeiros de unha preta, dançando em inferninhos, se divertiram bastante e fizeram do músico um sucesso mundial. Também cantou direto a uma geração de adolescentes que procuravam um escape de rebeldia, mas apenas na função estritamente estética. A sua influência ainda se fará sentida por tempos sem fim, e seus discos já são clássicos do rock pesado. Quem alcançará a chama criativa de Mechanimal Animals (1998) e Antichrist Superstar (1996)? Antes, Manson deixava as mães preocupadas, hoje, é um rockeiro coroa com uma maquiagem engraçada.

“Evidence” tem solos chatos. “Just A Car Crash Away” é uma ópera arrastada e irritante. Será fruto do fim do relacionamento com sua musa e ex-esposa Dita Von Teese (isto estava escrito no release?). E qual produtor ou manager deixou o vocalista escolher “Heart-Shaped Glasses (When the Heart Guides the Hand)”, como primeiro single? “Are You The Rabbit” e a faixa-título são boas canções, para quem descobrir após seguidas audições o Marilyn Manson de outrora. [Paulo Floro]

NOTA: 5,0

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