Coleção Outono Inverno 2007 – Romanceiro

REGIONALISMO GLOBAL
Grife pernambucana Maria da Silva tem acabamento, tipologia e modelagem tipo exportação
Por Fernando de Albuquerque

O nome da rua é Amélia, de frente fica a rua do Futuro e a galeria se chama: Graça’s Center. A loja simples e delicada, sem muito alarde entre uma pseudo-papelaria e uma loja de roupas para senhoras (digamos Senhoras, por favor!) esconde uma das principais grifes de todo Nordeste. Intitulada Maria da Silva, ela nasceu com um pé no século 21 e segue aquela premissa de Lenon do pensar localmente e agir globalmente que até já virou chavão em bocas insidiosas, mas a grife extraiu-lhe o supra sumo da delicadeza.

Tais como muitas Marias e milhares de Silvas esses dois nomes se uniram para formatar uma das grifes mais fofas dos últimos anos. E quando se diz fofa não entenda que lhe falta bons temas, boa influência, ou mesmo acabamento impecável. Marisa Monte quando cruzou o país para pular o carnaval no Recife, por exemplo, vestiu Maria da Silva. A grife pode não estar tão incrustada como Ellus, o querido Hercô ou mesmo Ronaldo Fraga, mega trades comerciais demais. A Maria da Silva que se fala aqui não se curva à esse imperativo. Ela é criativa, delicada, permite que a mulher se movimente dentro da roupa e o que é melhor: não se corrompe.


Maria da Silva

Por trás da marca estão duas mulheres: Rita Azevedo e Germana Valadares. A primeira cuida das roupas e da modelagem. A outra das sandálias, acessórios, bolsas e colares. E confluem uma torrente visual que se expressa em estampas ora geométricas, ora arredondadas. Formas puras e muitas linhas. Uma herança da formação universitária. Ambas eram amigas no curso de arquitetura e foi lá que nasceu o gosto pela moda. “Eu fazia bolsas e assessórios para mim e para amigas e Rita sempre gostou de roupas e desenhava muito bem. Foi assim que a Maria da Silva teve início”, confessa Germana.

Elas deixaram a carreira de arquitetura de lado para começar a trabalhar na grife e a dedicação é total. Na loja o cliente é atendido pelas próprias donas que falam sobre as peças e ainda dão bons conselhos de como compor o visú.

A Maria da Silva teve início em 2004 quando um Bazar com 50 looks diferentes encheu os olhos de amigos e dos principais jornalistas locais. Daí para desfilar no Recife Fashion foi um pulo, ou mesmo dividir um espaço com MelkZda durante o Fashion Business do Rio. “Foi assim que conseguimos penetração no eixo sul-sudeste e temos lojas que revendem nossas roupas em Santa Catarina e São Paulo”, disse Germana. Uma representante viaja, a cada coleção, com um mostruário para revender.


Coleção Imaginário

A grife procura sempre dar um glamour faustoso à questões áridas, questionando a realidade com looks muito bem metrificados. Uma espécie de parnasianismo pop que se expressa pelo bom acabamento. Nas coleções passadas, por exemplo, a base de inspiração esteve ligada à temas caros à própria identidade regional tal como o São Francisco (a panacéia sertaneja), os Vaqueiros (personagem que permeia todo imaginário interiorano) e mesmo Samico (supracitado). Tudo calcado no tripé

Nas coleções passadas a base de inspiração esteve ligada a temas caros à própria identidade regional. Tal como o rio São Francisco (um ícone nacional), os Vaqueiros (um personagem que permeia todo imaginário interiorano) e mesmo Samico (supracitado). Elas seguem uma espécie de padrão Lenon do “haja globalmente pensando localmente” e dão um glamour faustoso a questões áridas, questionando uma realidade com looks muito bem metrificados. Um parnasianismo pop que se expressa pelo bom acabamento. É justamente nesse tripé visual que a marca se calca: qualidade no desenho, bom acabamento e liberdade do corpo e dos movimentos.

Tudo procurando explorar o imaginário ao redor do mito para compor os cortes. A luz do sol que doura os gibões e as calças dos vaqueiros está presente numa linha inteira em bronze. Chiquérrima. O azul e o verde também vestem todas as roupas da Maria da Silva. O amarelo-lima, prata, preto, branco e um rosa envelhecido completam o arco-íris.

A mistura de tecidos é uma das características mais marcantes das coleções. O algodão e a malha são uma permanente. Juntos, vários tecidos brincam com a geometria, criando desenhos que são sempre muito retilínios, côncavos ou convexos. Aparecem ainda a tricoline e o strech. Setorizados em bolsos, golas, barras e mangas. Uma experiência de leveza e conforto de tal modo que a roupa se acomoda ao corpo em cortes oblíquos.


Coleção Vestia

Novidade
A nova coleção das meninas já está no forno. Com inspiração em um tema caro para ambas e bem mais global que a torrente regionalista, a arquitetura. Elas foram buscar influências em Borsoi, Carlos Fernando Pontual e uma série de outros arquitetos. Ainda sem nome a nova temporada tem uma temática mais modernosa, lidando com “cheios e vazios, trazendo à cena o quadrado, o círculo e o triângulo para à estamparia e mesmo a formatação da vestimenta”, revela Germana que, ao lado da sócia, pretende abrir até 2009 mais uma loja da grife em Boa Viagem.

O uso do tafetá é do plastic (tecido tecnológico) são a grande vedete da próxima coleção que leva às araras a identidade de uma mulher livre que não precisa usar calça da gang ou um short curto para se mostrar bonita.

E o norte é exibir uma mulher que esteja livre por completo da necessidade instríseca de ser gostosa. A estética das roupinhas soltas é o principal sintagma de uma grife que procura se firmar elevando às principais qualidades do sexo feminino: delicadeza, simplicidade, sentimento materno e simpatia.


Coleção Opara

Sabia mais: http://www.mariadasilva.com.br/

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