O CÚMULO DA OBVIEDADE
Bons atores e atuações corretas não livram filme de Marcel Langenegger de um resultado para lá de decepcionante em trama que envolve apenas dinheiro e sexo
Por André Azenha

A LISTA – VOCÊ ESTÁ LIVRE HOJE?
Marcel Langenegger
[Deception, EUA, 2008]

Dirigido pelo estreante Marcel Langenegger, A Lista – Você Está Livre Hoje? a princípio é um filme de suspense, com atores conhecidos, tem um jeitão de filme “de arte”. Mas a palavra “suspense”fica no rótulo, pois Deception (título original) é de uma obviedade dantesca.

Ewan McGregor (Moulin Rouge) interpreta o contador Jonathan, sujeito solitário, daqueles que namorou poucas vezes durante a vida, e não trabalha naquilo que propriamente gosta. Sua vida só toma um rumo diferente quando conhece Wyatt Bose (Hugh Jackman, o Wolverine da trilogia X-Men), que o encoraja a entrar numa rede de sexo anônimo, na qual lindas mulheres estão apenas a um telefonema de distância.

Após algumas noites tórridas de sexo, Jonathan se apaixona por uma garota misteriosa (Michelle Williams, de Daowson’s Creek e indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante por O Segredo de Brokeback Mountain), até descobrir ter sido vítima de uma armadilha. Se o enredo não é dos mais originais, só não é um fiasco completo por que a produção foi “embalada” com alguma competência.

O elenco formado por bons atores atua com dignidade, tentando dar verossimilhança aos seus personagens, as mulheres selecionadas são belas (no elenco coadjuvante, destaque para Maggie Q, de Missão Impossível 3, Charlotte Rampling, de Instinto Selvagem 2, e Natasha Henstridge, conhecida por esses lados por A Experiência e por Bella Donna, filme com os brasileiros Fabio Barreto na direção e Eduardo Moscovis como protagonista), o visual é estilizado, bem fotografado e a trilha sonora é correta para o gênero.

Acontece que o roteiro de Mark Bomback – cujo currículo inclui a co-autoria do divertido, mas nada excepcional Duro de Matar 4.0, e a bomba O Enviado (com Robert de Niro) – é fraco, extremamente mal elaborado para um pseudo thriller.

A obra não diz a que veio e desde o começo, o público é capaz de antecipar quem é o vilão, quando vai acontecer alguma reviravolta e até o desfecho da trama. E mesmo o motivo dado para a virada de mesa do mocinho soa “forçada”. A sensação ao final da projeção acaba sendo a de que A Lista é um longa insosso, esquecível e que talvez nem os próprios artistas se lembrem de terem participado.

NOTA: 0,0

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