Marah (Foto: Hannah Torresson/ Divulgação)

Anjos sem muita graça
Por Paulo Floro

MARAH
Angels of Destruction
[Yep Roc, 2008]

A banda norte-americana, Marah, como os anos já puderam provar é bem mais do que a banda preferida do escritor Stephen King (ele elegeu o disco If You Didn’t Laugh, You’d Cry como o melhor de 2005 na Entertainment Weekly). O que esse Angels Of Destruction tenta comprovar é a importância que a banda tem para a música popular americana. Tenta, bem dito. Porque, em quase todas as suas faixas, vemos apenas ensaios de uma exploração dos temas e conceito caros ao gênero country/folk. Se bem sucedidos, o Marah poderia bem se aproximar de um Ryan Adams em seus melhores momentos ou – blasfêmia, blasfêmia!! – Bob Dylan.

Formada no início dos anos 1990 na Pensilvânia (atualmente estão baseados em Nova York), por Dave Bielanko, a banda ainda conserva o jeito bluesy meio Rolling Stone em algumas passagens. Faixas como “Couching Up Blood” e “Blue But Cool” se destacam justamente por isso: se afastam das velhas fórmulas conhecidas do alt-country. Esta última, a mais melancólica do disco, mesmo com sua letra maçante bebe sua inspiração nos bons momentos de Bruce Springsteen.

Angels Of Destruction se perde em sua tentativa de soar espirituoso. Suas letras são carregadas de uma espirituosidade que beira a autocomiseração. Bielanko em alguns momentos acredita estar num meio de uma pregação cool, mas está sendo apenas pedante. As boas idéias melódicas de algumas faixas são comprometidas por letras que falam de anjos, expiação, reparação e outros sentimentos cristãos. O rock, gênero nascido de contestações e conflito de gerações, sempre passeou com cuidado na religião. Algumas bandas souberam usar o tema com êxito, e mesmo assim, estavam ligadas à um contexto histórico-político, como o U2.

A produção do disco ainda erra em algumas experimentações infelizes, como usar uma loop vagabundo em “Santos de Madeira”. Acerta quando aposta numa viagem mais tradicional como “Songbirdz”, mas aí, o todo já foi bem comprometido.

NOTA: 6,0

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