Projeto paralelo confirma talento das guitarras da Nação Zumbi

MAQUINADO
Homem Binário
[Trama, 2007]

A banda pernambucana Nação Zumbi mostrou para o mundo não só um novo movimento musical, o Mangue Beat. Revelou também vários talentos individuais que se destacaram além da figura carismática de seu vocalista Chico Science. O guitarrista Lúcio Maia é um desses nomes que, vale dizer, foram responsáveis por segurar a onda do grupo após a morte do seu criador, mantendo a qualidade musical do início de carreira. Dezesseis anos após a criação da banda e seis discos gravados, Lúcio agora se aventura em uma nova empreitada – o projeto paralelo Maquinado.

O primeiro passo desse novo caminho é o CD Homem Binário (Trama, 2007). O trabalho mostra outras facetas do músico que também ataca de compositor, produtor e multiinstrumentista. O repertório tem muito do que já é produzido na Nação, porém agora o guitarrista flerta com outros estilos musicais como o rap. A sonoridade do disco é um mix de ritmos que vai da eletrônica, como nas inspiradas faixas “Arrudeia” e “Eletrocutado”, ao hip hop, vide “Não queira se aproximar”. Há também espaço para faixas com levada mais pop como a divertida “Sem Concerto”.

Lúcio comanda a produção desse trabalho provando que é também um profissional talentoso nesta área. Ele chamou esse projeto de “mecanização do pensamento”, mas na hora de escolher seus colaboradores o músico “pensou” com o coração. Velhos “brothers” dele marcam presença no CD com destaque para a participação de Jorge du Peixe, que canta em “O Som”.

Lúcio Maia é um artista versátil que sabe mostrar seu talento seja no rock, seja no soul ou funk. Homem Binário vem confirmar que projetos musicais paralelos podem ser de extrema importância não só para oxigenar o trabalho de sua banda original, quanto para levar ao público novas formas de sonoridade. Até porque, ao término da audição desse primeiro CD do Maquinado fica claro que a Nação Zumbi é uma das melhores bandas nacionais de rock e que Lúcio Maia tem muita responsabilidade sobre isso. [Gilberto Tenório]

NOTA: 7,0

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