Gente estranha, Man Man fez o melhor disco de sua curta carreira
Por Mariana Mandelli

MAN MAN
Rabbit Habits
[Anti, 2008]

O terceiro – e até agora – melhor álbum do Man Man chega carregado de uma energia musical surpreendente – algo que só rolava nas performances ao vivo da banda. Rabbit Habits é criativo e consegue mesclar de forma madura todas as referências do grupo, que vão de Nina Simone, Bobby McFerrin e Sun Ra a todo tipo de indie rock e música experimental – a banda descreve seu estilo musical como viking-vaudeville e manic gypsy jazz, seja lá o que esses nomes signifiquem.

Formado na Filadélfia, Pensilvânia (EUA), o grupo conseguiu fazer de Rabbit Habits um disco mais fácil – e até mesmo divertido – do que realmente parece. Estranhamente cativante, as faixas do álbum são quase teatrais e contam com o vocal agressivo de Honus Honus (pseudônimo de Ryan Kattner), uma espécie de Tom Waits às avessas, e com a instrumentos que envolvem diversos tipos de pianos e guitarras, saxofone, xilofone, trompete, órgãos elétricos, percussão e tudo mais que faça qualquer tipo de ruído ou barulho estranho, tocados pelos companheiros de banda com nomes bizarros: Sergei Sogay, Pow Pow, Critter Crat (ou “Cougar”) e Chang Wang.

A sinfonia experimental de Rabbit Habits já fica nítida na faixa de abertura, “Easy Eats or Dirty Doctor Galapagos”, com jeito jazzístico e bateria marcante. Além das batidas memoráveis, a robótica “El Azteca” abusa de recursos eletrônicos e camadas sonoras tensas. Em “Harpoon Fever (Queequeg’s Playhouse)” o piano desemboca em um indie rock desesperado com pitadas de surf music. Piano também na faixa que dá título ao disco, balada que mistura o instrumento e sintetizadores ao vocal truculento de Homus. Destaques para “Poor Jackie”, uma valsa irreverente; “Whalebones”, que mostra um jazz exuberante e para os xilofones ensandecidos de “The Ballad Of Butter Beans”

NOTA: 7,5

Man Man – Ao vivo no Van Helsing Boombox

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