SESSÃO DA TARDE COM O ABBA
Comédia de luxo que traz Meryl Streep na adaptação de famosa peça da Broadway quer ser fenômeno de público também no Brasil
Por André Azenha

MAMMA MIA!
Phyllida Lloyd
[Mamma Mia!, EUA, 2008]

Junte atores consagrados como a recordista de indicações ao Oscar Maryl Streep e os elegantes Pierce Brosnan, Stellan Skasgard e Colin Firth (neste caso, também o talento), mais uma trilha sonora que inclui 22 sucessos do grupo Abba e o resultado é o musical mais badalado do ano. A expectativa em torno de Mamma Mia! fez com que, antes mesmo da estréia, playlists com cenas da produção se tornassem campeões de visitas no Youtube.

O atrativo é que se trata de um filme que mostra as feras da interpretação de uma forma diferente do qual o público está acostumado. Meryl Streep, por exemplo, diverte como uma senhora meio amalucada e o ex-007 Pierce Brosnan prova que também é um bom cantor. Ah, e Tom Hanks aparece como produtor executivo da obra.

Embora o título seja tirado de música do Abba, a trama não tem nada a ver com a banda. Na verdade, o enredo se inpira no filme Noites de Amor, Dias de Confusão (Buona Sera, Mrs. Campbell), estrelado por Gina Lollobrigida em 1968, que, ao ser incrementado por números musicais, virou espetáculo teatral de sucesso na Broadway.

O filme adapta a peça de mesmo nome, concebida pela inglesa Catherine Johnson, e conta a história de Donna (Streep), uma mãe que nunca soube a real identidade do pai de sua filha (Amanda Seyfried, de “Meninas Malvadas”). A situação se complica quando a garota resolve se casar e acaba convidando três homens do passado de sua mãe – e um deles pode ser seu verdadeiro pai. Pierce Brosnan faz o pai estilo galã, Stellan Skasgard o pai bonachão e Colin Firth o pai tímido e atrapalhado.

Mamma Mia! chega aos cinemas com a missão de repetir o sucesso da obra teatral – que desde seu lançamento, em 1999, foi montada em oito línguas diferentes e vista por mais de 30 milhões de pessoas. E mesmo estreando nos EUA no mesmo dia de O Cavaleiro das Trevas, o filme teve a maior abertura de um musical da história do cinema americano.

O “hype” foi criado com uma campanha de marketing viral (essa é a moda pra fazer uma produção “pegar”, como aconteceu com Cloverfield): foram jogados 14 clipes na internet, onde o público pôde conferir praticamente todo o elenco cantando os grandes hits do Abba como “Dancing Queen”, “The Winner Takes it all”, “Super Trouper” e “Honey Honey”.

O longa tem clima festivo, é ideal para ser visto em família e pode provocar até vontade de sair dançando. Ainda mais ao ver uma bela senhora de 59 anos (Maryl Streep) correndo e pulando com mais fôlego do que muita garotinha que desponta no cinema.

Streep conheceu o musical em setembro de 2001, poucos dias após os atentados ao World Trade Center, quando morreram pais de colegas de escola de suas filhas. A ida ao Teatro Winter Garden, na Broadway, foi uma injeção de ânimo na família a ponto de Maryl escrever uma carta de agradecimento à britânica Phillipa Lloyd, diretora do musical. Lloyd não teveram a menor dúvida sobre quem convidar para protagonizar a versão para o cinema do espetáculo, que também dirige.

Como filme, Mamma Mia! é uma produção leve, açucarada, onde exame de DNA não combina com praia (e com um roteiro coeso) e que peca em algumas situações “forçadas”, como a interrupção de músicas para falas. Outro detalhe é que nem todo mundo canta bem. Em alguns anos deverá passar na Sessão da Tarde e servirá de passatempo para crianças e vovós saudosistas dos tempos da disco music.

NOTA: 7,0

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