Maça Caramelada (Foto: Fernanda Mafra/ Divulgação)

Com a força de um tranqüilizante

Memória, perda e reencontro são os temas centrais de Maçã Caramelada, espetáculo em que dois “jovens” procuram fotografias antigas num arquivo desativado de uma emissora de TV, enquanto um funcionário aposentado e solitário resgata sonhos e memórias quase esquecidas.

O mote da apresentação, dirigida por Cláudio Lira é bom. O texto de André Resende, com traços um tanto melancólicos, até ensaia um humor pouco referente e um tanto descabido para tentar conquistar a platéia. A tentativa é em vão, o sono é latente e assola boa parte do público que acorda sempre que o jogo de luz toma cores mais fortes.

Gretta (Sandra Rino) e Adílio (Alexandre Sampaio) que tentam desvendar suas identidades através do arquivo de fotos não convencem. A primeira faz caras e bocas dignas de comercial de malharia, alardeando os preços promocionais de crepe, ou mesmo da seda falsificada da índia. O segundo é tão inerte, mas tão inerte que… dispensa quaisquer comentários. Eusébio – interpretado por Alfredo Borba, filho do teatrólogo Hermilo Borba Filho – é o quase-ancião que guarda o acervo fotográfico e que dá certo furor à vida dos personagens supracitados. Sua interpretação é excelente apesar da fala monolítica ofuscar a ação dramática da peça e se assemelhar quase a um monólogo.

Maça Caramelada cansa e se arrasta no tempo tentando fechar idéias sobre a delicadeza do existir humano, sobre sonhos que maculam o mundo real em situações que se aproximam do imaginário demasiadamente fantasioso. A marcação de som é feita pelo violoncelista Anatólio Teixeira, que executa árias dignas de uma sessão de hipnose. Impossível não cochilar.

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