Foto: Conrado Roel

Diretora conta detalhes da adaptação de El Eternauta, HQ cult argentina
de Paraty

A curiosidade despertada pelo fato de Lucrecia migrar do cinema poético a que se dedica até o atual projeto, a adaptação para o cinema de uma das histórias em quadrinhos mais populares da Argentina, El Eternauta, se dispersa à medida em que se percebe a desinibição de sua câmera, a elegância de seus enquadramentos, planos e seqüências, enfim, o apuro técnico da cineasta. E por outro lado, confiar um trabalho destes a um realizador que transcende as questões formais significa investir no conteúdo do futuro filme.

“Qual é o sentido de fazer adaptações de obras literárias ou de histórias em quadrinhos para o cinema, se a única intenção é colocar aquilo em movimento? Não vejo nenhum. Somente a motivação de mercado de usar alguma coisa que já deu certo”. Para ela, o desafio da adaptação é capturar a urgência da qual aquela obra é imbuída. O Eternauta foi criado em meados dos anos 1950, no auge da guerra-fria e o autor, Héctor Germán Oesterheld, foi uma das vítimas da ditadura argentina, desaparecido bem como suas filhas. “Não me interessa o embalsamamento desta história. Na época em que foi escrita, as pessoas tinham medo que as grandes potências invadissem nossos países. Penso que hoje já invadiram e a questão é viver no meio disso tudo”.

Como o projeto ainda está em andamento, Lucrecia afirma que não pode tomar distanciamento possível para avaliar direito a experiência com o filme de ação. A maior surpresa, entretanto, para ela, é a relação apaixonada dos fãs com o personagem. “Não imaginava a comoção que a adaptação causaria nos fãs”, disse, aproveitando a deixa para desconversar quando questionada sobre maiores detalhes sobre o projeto. “Olha, não posso falar mais. Você não tem idéia. Eles (os fãs) me matariam por lá se soubessem que eu falei aqui alguma novidade que eles não sabem (risos)”. [Conrado Roel]


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