Louis XIV (Foto: Divulgação)

Punks irreverentes da Califórnia voltam sem graça, sem graça
Por Mariana Mandelli

LOUIS XIV
Slick Dogs and Ponies
[Atlantic, 2008]

Louis XIV - Slick Dogs and PoniesMais uma vez a velha história do segundo álbum desastroso que não supera nem de longe o debut, se repete. A bola da vez é o Louis XIV, banda de San Diego, Califórnia, formado por Jason Hill (vocal, guitarra e baixo), Brian Karscig (vocais, guitarra, baixo e teclado), Mark Maigaard (bateria) e James Armbrust (baixo). O quarteto, conhecido por incluir em seu rock alternativo generosas doses de neo-glam, garage punk, irreverência e pornografia, lança agora Slick Dogs and Ponies, seu segundo disco que está sendo massacrado mundo afora. A crítica que abraçou o debut Best Little Secrets Are Kept (2005) é a mesma que agora massacra o Louis XIV, acusando o grupo de perder seu tom despretensiosamente controverso, que exalava diversão, influências de AC/DC e sexo em suas letras e videoclipes de duplo sentido.

Apesar de mais substancial e aparentemente mais maduro, Slick Dogs and Ponies não é nenhuma evolução musical no som do Louis XIV. Com a intenção de soar lúgubre, as letras não são tão divertidas como se esperava. Ou seja: a banda abandonou sua própria fórmula do sucesso, contrariando a máxima “em time que está ganhando não se mexe”.

Utilizando coros (como em “Free Won’t Be What It Used To Be”) e guitarras fúnebres, as letras de Slick Dogs contam sobre uma vida repleta sexo sórdido, drogas pesadas e pesares diversos. As faixas são sujas (como “Stalker”) e, mesmo contendo um pouco de indie rock bem sacado, os versos cantados por Hill são tão depressivos (exemplo: “Air Traffic Control”) que o som fica de lado. Resumindo: o desespero Slick Dogs and Ponies não convence e só inspira uma sensação – na verdade, um apelo: Louis XIV, volte a ser divertido!

NOTA: 4,5

Sem mais artigos