Los Hermanos (Foto: João Ricardo)

E O AMANHÃ CADÊ?
A repórter-fã Mariana Mandelli acompanha os últimos minutos do Los Hermanos durante a despedida da banda e fala seu testemunho. Fotos por João Ricardo

Que todo carnaval tem fim, todos os devotos dos Los Hermanos já sabiam. Mas ninguém esperava que a estrela fosse cair assim tão de repente, durante a espera pelo quinto álbum. O fim anunciado no site oficial da banda, no dia 23 de abril, motivou os músicos a marcarem três apresentações de “despedida” nos últimos dias 7, 8 e 9 de junho na Fundação Progresso, no Rio de Janeiro.Em meio a trompetes, serpentinas e confetes, a legião de aficionado pelos Hermanos deu o seu antológico “adeus você” a Marcelo Camelo (voz e guitarra), Rodrigo Amarante (voz e guitarra), Rodrigo Barba (bateria) e Bruno Medina (teclados). Foram três shows que encerraram de forma bem gloriosa essa fase da banda – 10 anos de trabalho ininterrupto, desde que “Ana Julia” explodiu nas rádios de todo o Brasil os catapultando ao sucesso absoluto. O repertório das apresentações, como esperado, contou com canções dos quatro álbuns (Los Hermanos de 1999, Bloco do Eu Sozinho lançado em 2001, Ventura de 2003 e 4 que chegou ao público em 2005). No palco, nenhuma faixa, pano ou banner com a capa de algum disco. Nem mesmo figura ou frase. Apenas os quatro integrantes e a banda de apoio bastaram para transformar os shows em verdadeiros cultos à música hermaníaca.O primeiro dia contou com uma set list de 25 canções. A apresentação começou com “O Vencedor”, seguida por “Além do que se vê” e “Todo carnaval tem seu fim” e assim por diante. O que se viu nos três dias de apresentações foi uma banda desenvolta, segura de si mesma e mais animada do que nunca. Camelo e Amarante, entrosados, deixavam transparecer, nos olhares que trocavam com a platéia, que tudo aquilo que estava acontecendo era algo grande demais para assimilar. Uma banda normalmente calada no palco, que se limitava a agradecer com “obrigado” ou “valeu”, dessa vez soltava frases. Emocionado, Camelo chegou a chorar e logo depois declarou: “não existe nenhuma banda no mundo que tem um público como esse”. O terceiro e último capítulo da despedida hermaníaca se deu no dia 09 – obviamente, o show mais emocionante da série. Cinco mil pessoas pulando, mãos para cima, cantando euforicamente, em uníssono, verso por verso.

“Todo Carnaval Tem Seu Fim”, no segundo bis, arremessa para o alto as serpentinas da nostalgia precoce que já vai se instalando, para culminar com a história triste do amor platônico do “Pierrot”, canção tão querida do público. A banda se abraça e faz reverência à platéia emocionada. Os músicos de apoio e a produção – incluindo o produtor-amigo empresário Alex Werner, chamado em coro pela banda e pelo público – também comparecem ao palco.

Se as vidas atrás são mesmo parte de nós, mesmo que demore um século, três ou apenas um mês (como diz Amarante em “O Vento”) para a banda voltar à ativa, esses shows com certeza não serão esquecidos. A avenida foi preparada e o bloco dos Hermanos passou. Deixou de ser o “bloco do eu sozinho” para culminar numa espécie de religião musical, uma mitologia no rock brasileiro. Carreira encerrada? Não se sabe, o horizonte é distante. Agora o que sobrou foi um filme do close pro fim. Nessa espera pelo possível retorno, o mundo dos fãs vai girar em linhas tortas. Mas não devemos esquecer que ao amanhã a gente não diz, como o próprio Camelo costuma cantar por aí. E também pode ser da vida acostumar sem os novos trabalhos de uma das melhores bandas que o Brasil já viu nascer. A despedida é de lágrima, mas o que se deve levar é só a saudade.

 Los Hermanos (Foto: João Ricardo)

Sem mais artigos