COPABANA EM VERSÃO NOIR E CRUEL
Odyr e Lobo trazem em nova HQ um olhar alternativo sobre o bairro mais glamouroso do Rio
Por Lidianne Andrade

Não é mais um dos bairros mais glamourosos do Rio, mas com certeza Copacabana é o mais falado e atrai os olhos de cineastas, diretores de novela e agora do ilustrador Odyr e do roteirista Sandro Lobo para a temática do livro de quadrinhos Copacabana, com lançamento na última semana pela editora Desiderata.

Em preto e branco, a obra traz ao longo de suas 200 páginas personagens do subúrbio carioca da querida ‘Copa’, em uma visão “policial noir”, como os próprios autores definem no site oficial da obra (http://www.copacabanaemquadrinhos.com.br). Diana é uma das personagens de destaque, uma prostituta disputando as esquinas da Atlântica com problemas com um agiota “louco para lhe enrabar” e constantemente mete-se em enrascadas.

Nada fica de fora das páginas do HQ da atmosfera sombria que envolve o calçadão noturno da praia mais famosa do Brasil: tráfico, turistas, taxistas, moradores de ruas, vendedores de flores e as populares prostitutas da orla. Lenda urbanas envolvendo o lugar estão presentes no roteiro de Lobo.

Entre pesquisa, concepção e desenvolvimento o trabalho durou dois anos de construção. A idéia central de escolher o cenário de Copacabana veio do roteirista Sandro Lobo, em suas observações da varanda de seu apartamento no bairro. A linguagem de rua e natural não ficou de fora, para poder-se vivenciar o melhor e o pior que o bairro pode oferecer. Um bairro família com erotismo, singularidade, romance, mistério e crime convivendo lado a lado, elementos comprimidos no cotidiano de seus edifícios inquisidores.

Para o desenhista Odyr Bernardi o projeto foi mais cansativo e conceitual. Foram dois anos de trabalhos noturnos paralelos a sua função de diretor de arte da editora Desiderata, tornando a pesquisa e entrega ao projeto mais cansativa. Nos bastidores, conta-se que Odyr mudou-se do Sul para o Rio para aprofundar-se na temática do livro. “Seria uma boa história, não? A realidade é um pouco mais prosaica, pois me mudei pro Rio para ser diretor de arte para a Desiderata e conheci o Lobo e o roteiro por lá”, desmente os rumores em entrevista a Revista O Grito!. “Me  mudei do bairro de Santa Teresa para Copacabana, isso sim, para viver mais o clima do bairro”, conta.

Odyr só tem a comemorar com o lançamento de Copacana. “Sendo meu primeiro álbum longo, tem uma curva de aprendizado e principalmente o trabalho de estabelecer um ritmo e rotina. Fui ganhando proficiência e velocidade ao longo do trabalho”, comenta. Atualmente o desenhista voltou a sua cidade natal e deixa espaço para as piadas. “Preferi voltar para o sul onde a vida é mais barata e seria mais fácil viver como autor. Minha cidade é a injustamente famosa Pelotas”, brinca.

Para Odyr, Copacabana marca retorno

Gaúcho, Odyr ilustra há alguns anos e tem no case obras como as capas para Millôr Fernandes entre 2005 e 2008. Copacabana foi uma retomada dos quadrinhos, mentalmente primeiro plano mas no dia a dia em seguindo na rotina do ilustrador.  Prêmios na área nenhum. “Nunca mandei nada pra lugar nenhum, concurso, salão… sei lá. Alguma auto-sabotagem minha”, brinca.

Apesar de não gostar de ilustrar, o portifólio e Odyr na área é extenso. Fez capas para antologia de cartuns da New Yorker e artistas como o Jaguar, André Dahmer, Allan Sieber, entre outros. Também tem participação na antologia Irmãos Grimm em Quadrinhos. Sua produção é totalmente ‘analógica’, como ele mesmo define, desenha usando os velhos e bons papel e lápis para depois digitalizar a imagem.

O ROTEIRISTA

Velho conhecido da Revista O Grito! pela edição do álbum Menina Infinito, Sandro Lobo foi um dos criadores da premiada revista independente Mosh!. Foi editor da linha de quadrinhos da editora Desiderata, onde conheceu Odyr.

Odyr e Lobo tornaram-se não apenas parceiros de trabalhos, mas amigos e por alguns meses sócios na editora Barba Negra. Mas com a entrada de editoras conceituadas como Desidrata e Cia das Letras no ramo de quadrinhos, eles desistiram do projeto. Contou também o surgimento de muitos projetos pessoais para ambos, impossibilitando a alavancada da Barba Negra.

“Praticamente todas as editoras estão entrando no ramo, não havia uma necessidade real que existíssemos como editora. Os livros que estavam prontos, do Rafael Sica e do Allan Sieber foram bem encaminhados, um deve sair pela Companhia das Letras e outro pela Desiderata. Final feliz para a editora de vida mais breve na história”, explica Odyr.

Para 2010 o nome da dupla ainda deve aparecer muito. Odyr trabalha em seu segundo livro com roteiro de Angélica Freitas pela editora Companhia das Letras e Lobo segue em projetos pessoais.

Para acessar: http://www.copacabanaemquadrinhos.com.br

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