Foto: Topaxioss

LIZ ATIVISTA CHEGOU AO RECIFE
Há um aspecto da atriz que poucos conhecem, a ligação entre a diva e outras divas. Não as colegas de Hollywood, mas transex e travestis recifenses

Por Sergio Costa
Especial para a Revista O Grito!

A comunidade LGBT pernambucana talvez não saiba, mas é beneficiaria das ações filantrópicas da atriz norte-americana Elizabeth Taylor, morta na última quarta (23). Instituições de luta contra a aids criadas por ela há mais de 20 anos tiveram papel fundamental em dar suporte para atividades voltadas para gays, travestis e transexuais. As homenagens póstumas à grande estrela do cinema ganharam destaque na mídia essa semana. Vários aspectos da vida da atriz de olhos lilás foram explorados: sua vida amorosa, carreira artística, a amizade com Michael Jackson, os problemas de saúde e vícios que enfrentou, e o seu forte engajamento social no combate ao HIV. Há, porém, um aspecto que poucos conhecem: a ligação entre a diva e outras divas. Não estamos falando das colegas de profissão de Hollywood, mas das travestis e transexuais de Recife.

A Dame Elizabeth Taylor foi uma pioneira na luta contra a aids e envolveu-se com o tema desde 1984. Colocou sua imagem pública em risco ao abraçar a causa logo nos primeiros anos de seu surgimento, quando, envolta em desconhecimento, a nova epidemia evocava ainda mais medo e preconceito naquela época do que nos dias atuais. Enquanto muitos tratavam o tema como um tabu, Liz Taylor tornou-se a mais famosa ativista da causa e traçou uma trajetória bem sucedida de arrecadação de doações e propagação de conhecimento sobre a nova doença.

Liz Taylor foi uma das fundadoras da AmfAR em 1985, a Fundação para a pesquisa em aids, instituição que financiou cerca de 325 milhões de dólares a mais de 2 mil pesquisas em todo o mundo. Em 1991, ela fundou a Elizabeth Taylor AIDS Foundation para ajudar as organizações que prestam atendimento direto às pessoas com HIV, bem como educação em prevenção para o público em geral. Em 2007 a AmfAR, com apoio da fundação de Liz lançou a iniciativa HSH (homens que fazem sexo com homens) buscando responder à falha na prevenção da aids para travestis, transexuais e homens gays e bissexuais. Essa iniciativa apoiou projetos de organizações locais no mundo todo, incluindo duas ONGs de Recife.


Bolos de Liz e seus clássicos feitos pela Sweet Elites Vegan Cupcakes

LGBT: Liz, Gays, Bissexuais e Trans
O Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo (GTP+), ONG recifense que atua na área da aids foi uma das ONGs apoiadas pela fundação criada por Elizabeth Taylor. O seu projeto “Mercadores de Ilusões”, que capacitou profissionais do sexo (Homens, Travestis e transexuais) no seu local de trabalho e na instituição em relação às DST e aids, para atuarem como agentes multiplicadores de informações no Recife. O projeto também realizou um mapeamento do perfil sócio-econômico dos trabalhadores do sexo das cidades de Recife, Jaboatão e Olinda que foi apresentado no I Encontro Pernambucano dos Profissionais do Sexo organizado pela ONG em 2009.

O projeto “Adesão ao tratamento, Cidadania e aumento da renda de Travestis HIV-positivas” da Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco (AMOTRANS) também foi apoiado pela AmfAR e possibilitou apoio psicossociais e fortalecimento da sustentabilidade individual das travestis e transexuais pernambucanas através de um programa de geração de renda.

+ Sergio Costa é relações internacionais e ativista dos Direitos Humanos. É membro da Coalizão Internacional de Ativistas por Tratamentos para aids (CIAT).

Sem mais artigos