O VENCEDOR ESTÁ SÓ
Paulo Coelho
[Agir, 400 págs., R$ 40]

Escritor brasileiro de maior vendagem no exterior (mais de 100 milhões de livros por 150 países), à frente de Jorge Amado, o mago Paulo Coelho está de volta com O vencedor está só, seu 12º romance, lançado na última semana. Fenômeno de massa, o escritor teve esquema de divulgação digno de um blockbuster americano, com direito a bombardeio publicitário e distribuição de camisas (!). A estratégia deu certo: foram mais de 200 mil cópias vendidas nos primeiros dias, um número excepcional de uma indústria acostumada a pequenas tiragens de 3 mil exemplares. Mas o livro que mistura assassinato, moda e ganância em uma dia do Festival de Cannes tem um desempenho pequeno de uma história rasteira e contraditória (como criticar o glamour e depois se portar como “estrela” na Sibéria?). A impressão que deixa é a de um pastiche dos thrillers de Agatha Christie e Sidney Sheldon. Caça-níquel puro. [RD]

O DESPENHADEIRO
Fernando Vallejo
[Objetiva/Alaguara, 176 págs, R$ 30]

Sete anos depois, ganha tradução no Brasil um dos títulos mais festejados da literatura latino-americana contemporânea. Vencedor do prêmio Rômulo Gallegos (2003), O despenhadeiro foi a obra que alçou o colombiano Fernando Vallejo, radicado no México, à vitrine literária. De forte conteúdo social, o livro abre as veias de Medellín e expõe a decadência de uma família burguesa em meio à crise econômica e à violência de um país subdesenvolvido. Pelo teor ácido e autobiográfico de suas críticas disparadas à sociedade colombiana e à Igreja Católica, Vallejo é comparado, guardadas as devidas proporções, a Lautréamont (Cantos de Maldoror) e Thomas Mann (Os Budenbrooks). Apesar do rancor exagerado, a escrita de Vallejo tem um ritmo pulsante e coerente. Qualidade raras hoje em dia. [RD]

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