AS REVELAÇÕES PICANTES DOS GRANDES CHEFS
Irvine Welsh (trad. Daniel Frazão e Maira Parula)
[Rocco, 432 págs., R$ 52]

Após sucessivas obras medianas e insossas, o escritor cult escocês Irvine Welsh volta a fazer as pazes com a crítica e à forma hype neste novo livro, lançado há dois anos no Reino Unido, mas que só agora aterrissa por aqui. Autor de um dos maiores clássicos pop dos anos 90, o livro Transpotting (que originou o filme de Danny Boyle), Welsh espana as traças e injeta verve afiada e impetuosa de humor negro. Ao contrário do que supõe o título (um livro-reportagem sobre os bastidores da alta gastronomia), a obra é uma ficção sobre a amizade entre dois jovens, Danny Skinner e Brian Kibby, totalmente diferentes entre si, que lutam para sobreviver numa Edimburgo de becos, botecos baratos e restaurantes finos. Pano de fundo para ótimas tiradas ácidas da cultura fast food e do hedonismo a todo custo. [RD]

VIVA O POVO BRASILEIRO
João Ubaldo Ribeiro
[Objetiva/Alfaguara, 640 págs., R$ 65]

Sempre prensada pela Nova Fronteira, a obra de João Ubaldo Ribeiro ganha nova embalagem pelo selo Alfaguara/Objetiva, que até 2009 cuidará de editar todos os 13 títulos do autor baiano. Um dos primeiros a sair do prelo, Viva o Povo Brasileiro, de 1984, é um livro-chave da literatura brasileira “pós-moderna” e um clássico obrigatório para as novas gerações. Com uma narrativa histórica que passeia por quatro séculos de formação da pátria tupiniquim, de Itaparica (BA), passando por São Paulo até Lisboa, a obra pinta um retrato irônico, picaresco e amoralmente satírico da devassidão da nação brasileira. Não tem o viés social e antropológico de livros nessa linha como Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Hollanda, e Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Jr., mas é um desatino literário dos mais perspicazes. Do autor, saiu também Sargento Getúlio. [RD]

TODA POESIA DE MACHADO DE ASSIS
Cláudio Murilo Leal (org.)
[Record, 756 págs., R$ 70]

Um dos maiores romancistas do Século 20 do mundo, segundo o hypado crítico Harold Bloom, Machado de Assis é a bola da vez de 2008. Abastecendo a mórbida sede dos incautos, as editoras estão despejando a torto e a direito (aproveitando que já é de domínio público) títulos do bruxo de Cosme Velho, em razão de seu centenário de morte, efeméride “festejada” (?) em setembro deste ano. À parte da enxurrada de novas publicações e reedições “caça-nígueis”, uma delas merece pelo menos atenção. Mais conhecido pela sua prolífica produção como ficcionista, o autor de Dom Casmurro e Quincas Borba tem também uma vasta produção, embora menos notória, no teatro e na poesia. Nesta compilação, organizada por Cláudio Murilo Leal, são reunidos pela primeira vez todos os 180 poemas machadianos, muitos deles raros, extraídos de jornais e revistas. É verdade que o estro poético de Machado é o seu calcanhar de Aquiles: seus versos são pesados, empolados, “parnasianos” demais. Mas vale a pena ler o lado B do mestre da ironia literária. [RD]

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