ALMANAQUE DOS SERIADOS
Paulo Gustavo Pereira
[Ediouro, 328 págs., R$ 50]

O Almanaque de TV merecia um apêndice e ganhou o devido fruto com o lançamento do Almanaque dos seriados, engordando a grife best seller que pretende esmiuçar todos os signos do universo pop moderno. Neste divertido apanhado, organizado segundo consta por duas de´cadas pelo jornalista Paulo Gustavo Pereira (experiente jornalista de formação televisiva, passando da Tupi à TV Globo), o leitor é convidado a fazer um périplo afetivo pelas séries preferidas dos anos 50 até hoje. Há referências a clássicos como National Kid, Agente 86 e Magnum até o boom recente das TV pagas com Lost, Friends e Heroes, além, é claro, da safra nacional (Vila Sésamo e Armação Ilimitada). Pílulas leves e informativas, entremeadas por fotos e curiosidades de bastidores. Para ler deitado na rede e dar boas risadas de nostalgia.

LISBOA, O QUE O TURISTA DEVE VER
Fernando Pessoa
[Companhia das Letras, 192 págs., R$ 40]

Assim como Gilberto Freyre e o seu Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife, o Fernando Pessoa, talvez o maior expoente das letras além-mar depois de Camões, fez o guia passional de sua própria cidade. Lisboa, o que o turista deve ver é um biscoito fino da imensurável obra do poeta português, que parece nunca se esgotar em sua imprevisibilidade. Datado de 1925, o original que acaba de ganhar reedição caprichada (bilíngüe) foi escrito em inglês com o intuito de servir de consulta turística para aqueles que desconheciam as belezas de Portugal nos idos do começo do século passado. Seguindo um interessante roteiro artístico, gastronômico e folclórico, o escritor nos conduz a uma viagem de redescoberta aos becos e esquinas da “cidade branca”, com seus antigos castelos, cafés e fortificações de origem medieval.

PARA LER COMO UM ESCRITOR
Francine Prose (trad. Maria Luiza X. de A. Borges)
[Jorge Zahar, 320 págs., R$ 45]

Lente respeitada de universidades norte-americanas, a escritora Francine Prose se detém a desvendar as técnicas narrativas dos autores que fazem fisgar o leitor neste livro, que pretende tirar a figura ilibada do escritor de seu altar-mor. Com vasto estoque de leitura, a autora usa como exemplo obras de Franz Kafka, Anton Tchekov, Samuel Beckett e até de contemporâneos, como Phillip Roth, para provar que ler e interpretar uma obra não é tarefa das mais inatingíveis. Com uma linguagem informal, ela destrincha truques e segredos que passariam despercebidos aos olhos do leitor menos atento, como, por exemplo, a descrição da metamorfose de Gregor Samsa em inseto, no livro A metamorfose, rica em detalhes e metódica, o que sugere uma visão realista. Indicado a leitores experientes e iniciantes com prazer de leitura latente.

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