ALMANAQUE ANOS 90
Silvio Essinger
[Agir, 288 págs., R$ 40]

Após os almanaques anos 70, 80 e de TV, a mais famosa franquia de dossiê da cultura pop se farta nos exuberantes anos 90. Inaugurada com a Queda do Muro de Berlim e o suposto fim das utopias, a última década foi o período do desbunde tecnológico, da globalização e da comunicação: internet, computadores, celulares e dos já falidos CDs. O livro mostra, com seu humor e didatismo peculiares, a efervescência de uma época marcada pelo humor-pastiche dos Mamonas Assassinas e de Quentin Tarantino, o grunge ácido de Kurt Cobain e Eddie Vedder até o hedonismo de superproduções do cinema, como Titanic, de James Cameron. O autor é roteirista e produtor de jornalismo da TV Globo. [RD]

GLOBALIZAÇÃO, DEMOCRACIA E TERRORISMO
Eric Hobsbawn (trad. José Viegas)
[Companhia das Letras, 184 págs., R$ 25]

Um dos mais proeminente historiadores vivos da atualidade, o inglês Eric Hobsbawn tem uma visão arguta sobre a história recente. De formação intelectual esquerdista, o autor do clássico Era dos Extremos se debruça sobre a era Bush e pós-11 de setembro com precisão cirúrgica ao tecer uma análise global sobre o tema, sem cair no erro de se restringir a generalizações apressadas. Com um estilo elegante de frases longas, defende sua visão pessimista acerca das perspectivas de paz mundial no Século 21, assolado por guerras, ameaça de aquecimento global e miséria. Nesta coletânea de dez palestras e conferências, esmiúça temas que vão do imperalismo, hegemonia da mídia e cultura contemporânea e critica a indiferença dos países ricos frente à calamidade dos pobres. Um livro fundamental. [RD]

O SILÊNCIO DOS AMANTES
Lya Luft
[Record, 160 págs., R$ 28]

A escritora gaúcha, best seller por Perdas & Ganhos, está de volta às prateleiras com o novo livro O Silêncio dos Amantes. Na obra, Luft retoma seu temas mais caros: a incomunicabilidade, a incompreensão do outro e a divagação psicológica. Em cada história, ela tenta escavar as angústia e dores que surgem das falhas do ser humano em não conseguir enxergar o próximo e a automatização imposta pela rotina. Mas, pelo seu estilo demais delicado, esbarra na densidade e na natureza drástica dos desvãos do inconsciente humano. Mais uma vez, a autora incorre no estilo pasteurizado de auto-ajuda. [RD]

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