LCD Soundsystem


E VAI ROLAR A FESTA

Novo disco do LCD Soundsystem confirma James Murphy como a base para tudo que de bom tem sido feito na eletrônica hoje
por Paulo Floro

Que James Murphy remodelou (pra não usar a palavra “revolucionou”) a música eletrônica, isso é fato. Que quebrou as já finas barreiras entre diversos estilos musicais, entre eles o rock, também. Que ele é talvez um dos maiores produtores da música pop, que seu radar de estilos musicais é apuradíssimo, que transforma em ouro em tudo que toca, que inventou um novo estilo de tocar ao vivo sons eletrônicos, que protagonizou os melhores momentos da música dançante (que ele nao tem vergonha de chamar apenas de dance), que é um rockstar da nova música, tudo isso já sabemos bem. O incrível é ele fazer tudo isso de novo e com o mesmo brilho neste Sound Of Silver.

Co-fundador do selo DFA, de Nova York, James Murphy entrou para história por dar uma virada no que se conhecia de moderno na música eletrônica. Até o então recente movimento electroclash, que adicionava vocais e mais personalidade às batidas se tornou obsoleto depois que o DFA deu às caras em NY. Como não se lembrar da marcante estréia do The Rapture, grupo produzido por James Murphy, que lançou “House Of Jealous Lovers”? Como definir aquilo? Rock? Eletrônico? Punk? C’ Mon, Estamos nos anos 00, foi o recado dado pelo DFA. Em 2002, o single “Losing My Edge” do ainda desconhecido LCD Soundsystem, chamou atenção de toda a mídia, e foi a partir daí que Murphy se tornou rockstar. Entre produções e remixes, o DFA já trabalhou com Radio 4, Soulwax, Le Tigre, Black Dice, Goldfrapp e Gorillaz.

LCD Soundsystem, o disco, lançado em 2005, foi aclamado pela crítica e fez a fama de Murphy e seu selo. Duplo, trazia ainda um disco só com faixas lançadas apenas em singles e remixes. Misturando punk com dance music, alargava as influências da eletrônica sem perder o caráter dançante. A faixa que abria o disco “Daft Punk Is Playing at My House” foi um sucesso estrondoso, inaugurando um tipo de estilo musical inédito, chamado genericamente de DFA. Hoje, muitas bandas, mesmo quando não produzida por Murphy, já incorporaram o estilo DFA.

A banda de James Murphy atual, conta com grandes nomes deste novo “estilo”, que de alguma forma compartilham dessa mistura ainda tão chocante para a imprensa e o público. Al Doyle, o guitarrista, faz parte do Hot Chip, que lançou ano passado The Warning, uma síntese acachapante de disco e rock. No baixo está Tyler Pope, do grupo !!! (lê-se chik chik chik), que foi um dos pioneiros da festa eletrônico-rockeira em NY, no início deste século e que agora lança Myth Takes, recheados de hits para as pistas.



LCD SOUNDSYSTEM
Sound Of Silver
[DFA/EMI, 2007]

LCD Soundsystem - Sound Of SilverEste 2007 está recheado da tarefa mais difícil pra uma banda, lançar um segundo disco tão brilhante quanto o primeiro. Arcade Fire, Kaiser Chiefs, Bloc Party. Mas talvez nenhum tão difícil quanto o LCD Soundsystem superar o estrondoso sucesso de seu álbum homônimo de 2005. O incrível é que James Murphy parece não ter tido nem muito trabalho pra lançar outro disquinho genial. Sound Of Silver começa com um vocal afetado que lembra Bowie ou Brian Eno, em “Get Innocuous”. Dançante como o primeiro, contudo, neste novo disco, Murphy nos convida a experimentar suas texturas recém-descobertas. São mais camadas de sons, que fazem da audição uma viagem incrível. É assim sobretudo com “All My Friends”. “Watch The Tapes” e “Sound Of Silver” é de fazer inveja a todas as bandas do new-rock. Este disco é mais luxuoso que o primeiro, uma aura de private party, para poucos; não convida toda a raça para a festa, como foi o primeiro. Muitas faixas têm um clima de fim de festa, mas com aquela energia ainda bombando. Murphy explora ainda o lado sexy e dançante, assim como foi “Tribulations”, em “North American Scum”, que por sinal já tem vídeo no YouTube. É a maior candidata a hit. Com este álbum, com pretensão de se tornar clássico, o LCD Soundsystem fez mais uma matriz a ser utilizada por dezenas de novas bandas e produtores pelo mundo afora. É um disco de base.

NOTA: 9,5

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