De nada adiantaram as desculpas do diretor dinamarquês Lars Von Trier. Ele causou polêmica após declarar em Cannes nessa quarta (18) que tinha empatia por Hitler. Hoje, organizadores do festival disseram que as palavras dele eram inaceitáveis e através de um comunicado o expulsaram do evento.

Com essa condenação por parte dos Conselho dos Diretores de Cannes Von Trier tornou-se uma persona non grata ao festival. Trier chocou todos em uma coletiva de imprensa ao falar sobre sua ascendência germânica. Ele promove seu novo filme Melancolia, estrelado por Kristen Dunst e Charlotte Gainsbourg.

“Eu achava que era judeu, era muito feliz por isso. Mas aí descobri que era nazista, quer dizer, minha família era alemã”, falou. “Eu entendo Hitler. Claro que ele fez algumas coisas erradas. Mas eu o compreendo. Claro que não sou a favor da Segunda Guerra, não sou contra judeus, nem Susanne Bier [a diretora de “Em um Mundo Melhor”, que lança filmes pela produtora de Von Trier], Israel é complicado. Mas e agora, como termino essa frase?”

Segundo a agência de notícias AFP, o comunicado de sua produtora informando que o diretor pediu desculpas não foi suficiente para reparar os danos que Von Trier causou a si mesmo e ao festival. “Se eu ofendi alguém esta manhã com as palavras que disse na coletiva de imprensa, peço desculpas sinceras. Não sou antissemita ou racista de qualquer maneira, e muito menos nazista”, diz a nota.

O Conselho de Cannes lamentou que o festival tenha sido usado para “expressar comentários que são inaceitáveis, intoleráveis e contrários aos ideais de humanidade e generosidade”. Von Trier já ganhou a palma de ouro em 2000 com Dançando no Escuro, estrelado por Björk. Entre seus filmes mais conhecidos estão Os Idiotas (1998), Dogville (2003) e Anticristo (2009).

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