Laerte explora saudosismo e melancolia com muito bom-humor em livro de memórias

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O hilário prefácio de Laertevisão

LAERTEVISÃO – COISAS QUE NÃO ESQUECI
Laerte Coutinho (texto e arte)
[Conrad, 128 págs, R$ 46]

capalaertebaixapi0.jpgEm mais de 30 anos de carreira, Laertevisão – Coisas Que Não Esqueci é talvez a mais representativa obra do paulista Laerte Coutinho. Pela primeira vez, o autor mostra os bastidores de seu lado artista. De uma maneira objetiva e simples, desenhou suas memórias, desde sua infância nos anos 1950-1960 até o início de sua juventude.Laerte colaborou em revistas e jornais de todo o pais, como Veja, Folha de São Paulo, Isto É, O Pasquim e participou da criação das revistas Circo e Chiclete com Banana, de Angeli, onde apareceu pela primeira vez seu trabalho mais conhecido, Piratas do Tietê. Entre seus personagens marcantes, temos Gato e Gata, Fagundes e Striptiras.

Lartevisão está mais próximo dos trabalhos recentes do autor, baseados numa espécie de filosofia do trivial e longe da anarquia de Piratas do Tietê. A riqueza maior deste livro são os detalhes da infância na São Paulo dos anos 1950, entrecortado por fotos de família, colagens de revistas antigas e manuscritos “históricos” da biografia do autor.

A maioria das pequenas histórias não buscam humor, apesar de algumas serem hilárias, como a cena da apresentadora Hebe recebendo anarquistas em seu programa. A poética do cotidiano é puramente saudosista. Quem tem mais de 30 anos não terá dificuldade de embarcar na viagem memorialista de Laerte. A Televisão é o fio condutor das memórias, desde a chegada em 1950 ao advento das cores. Rin Tin Tin, Ivanhoé, concursos de Miss Brasil, Capitão 7, e todos os ícones que mexeram com a molecada naqueles anos estão presentes.

A edição da Conrad é primorosa, com papel em alta-gramatura, capa-dura e projeto gráfico sofisticado. Para quem chegou ao autor por este livro, um aviso: Laerte está numa ótima fase de seu trabalho, explorando temas filosófico-culturais com muito bom humor e bem próximos da estética do absurdo. A história publicada recentemente na revista piauí é no mínimo, genial. [Paulo Floro]

NOTA: 9,0

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