Kula Shaker (Foto: Divulgação)

Com pouca novidade, banda inglesa volta com uma sonoridade quase que mumificada pelo tempo
Por Fernando de Albuquerque

KULA SHAKER
Strangefolk
[Strangefolk, 2008]

Depois de oito anos fora de circulação, o Kula Shaker volta com um novo álbum e sobre a batuta de seu antigo guitarrista Crispian Mills. Nome forte da banda foi Mills quem reagrupou os componentes, formatou a batida e concebeu o disco. Intitulado de Strangefolk o álbum incorpora o próprio nome com uma sonoridade extremamente estranha e repleta de influências desconexas.

São treze novas músicas com o Kula Shaker ainda em formação original, adicionada apenas de um tecladista. A banda mantém sua fidelidade aos clássicos rockers dos anos 70, tanto que certas composições parecem um cruzamento de Beatles e do Yes. “Second Sight”, por exemplo, relembra o álbum Time and Word de 1970 do Yes com vocais na linha dos Beatles. A sonoridade do novo disco parece ter sido extraída de um filme de velho oeste remasterizado no popísmo dos anos 80. São pandeirolas marcando estranhamente a música e a impostação da voz parece ter sido concebida especialmente para os maiores de cinqüenta, ou mesmo alguns retrô-punks que ficaram no meio do tempo.

Isso não é de impressionar, já que um dos últimos hits da banda antes de terminarem foi o “Hush”, uma espécie de regravação dos primeiros grandes sucessos do Deep Purple. A banda procura manter o mesmíssimo registro do pop psicodélico e uma espécie de veia mística oriental que bebe na fonte de George Harrison

Mais uma vez, tal como em seu segundo álbum, o Peasants, Pigs e Astronauts, o Kula Shaker errou a mão feio. Vivendo sobre a sombra de seu estrondoso sucesso, com K em 1996, a banda continua tentando repetir o feito que embalou o comecinho do Britpop. O novo disco chegou aos ouvidos da crítica ainda em julho do ano passado, mas só agora toma corpo, chega às lojas e a permanência da banda está intrinsecamente ligada ao sucesso das reviews britânicas e americanas. Em 1999 o grupo chegou ao fim devido às péssimas críticas e pressão da imprensa.

O regresso do grupo tem dividido fãs que preferem rememorar o passado. Mas o frisson mesmo está sendo causado pelo vídeo de “Second Sight”. Co-realizado por Lucy Bradlley a projeção inclui cinema mudo, toscas cenas de hipnotismo, artes marciais, uma decapitação e ainda um coelho gigantesco com cara de pouquíssimos amigos. Dá medo gente!


Crispian Mills (Kula Shaker) ao vivo em Roma (Foto: Indra Galbo /Flickr)

Trajetória

A história do Kula Shaker começou em 1996 com o single Grateful When You´re Dead e logo em seguida veio o primeiro hit intitulado “Tattva”. O mesmo deu certo ar psicodélico à banda que sempre foi fortemente influenciada pelos Beatles e particularmente George Harrison. Em seguida veio o disco de estréia chamado de K. Com ele a banda chegou ao topo do sucesso acumulando um recorde de vendas no Reino Unido. Esse foi o segundo disco de toda era do Britpop a bater no primeiro posto na semana de lançamento. O primeiro foi o Oasis como Definitely Maybe.

Para atravessar o atlântico e conquistar a América foi um salto e a verdadeira prova dos nove que se configura o segundo álbum foi uma verdadeira escorregada que deu partida à decadência do Kula Shaker que acabou em 1999. Intitulado como Peasants, Pigs e Astronauts o disco não chega aos pés de K e realmente se configurou como uma decepção para a crítica e os fãs.

Em 2002 Crispian Mills montou “The Jeevas”, num estilo mais powerpop punk, bastante influenciado por Undertones, Buzzcocks, The Only Ones e The Jam. O grupo gravou dois bons discos 1-2-3-4 (2002) e Cowboys and Indians (2003) e daí a banda termina. Em 2005 Crispian Mills já começava a remontar o Kula Shaker e lançou tímidamente um single com material novo somente no Japão, onde a banda tem um grande número de fãs.

NOTA: 6,5

Kula Shaker – Second Sight

Kula Shaker – Hush

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