Kraftwerk

A BANDA MAIS IMPORTANTE EVER
Por Joana Coccarelli

Vanguarda. Avant garde. Um olhar a frente. Era finzinho dos tripodélicos anos 60 e o deslumbrante globo ocular do Kraftwerk já nos enxergava aqui no milênio seguinte, fritando em meio á massa num floor planetário. Então eles começaram a criar o que sujeitos de headphones são entenderiam anos depois. Foram os mentores conceituais e realizadores artísticos da música eletrônica dançante, sem jamais perder a distinção. Botaram os computadores pra cantar, as geringonças pra tocar e todo um mundo de timbres e tons profetizava nossa atualidade Computer World.

Cada quebrada melódica de Karftwerk é um manifesto intelectual do homem-máquina. O show dos caras é um divisor de águas na vida de qualquer um. O que esperar de um espetáculo encabeçado pelo ícone máximo de um gênero? Ralf Hütter, Florian Schneider, Fritz Hilpert e Henning Schmitz são os Fab Four da eletrônica.

Tão com a idade de nossos pais, sobem ao palco de terno e gravata, são estáticos como businessmen. Daí começam a operar seus notebooks e a destruição do status quo. A coisa consegue continuar sendo experimental há mais de 30 anos, fonte primeira de inspiração para todo artista digital que pisa na Terra. Entreviste qualquer DJ de qualquer parte do mundo e você ouvirá o mesmo nome. São quase bíblico e No princípio, era Kraftwerk.

A mise-em-scüne arremata a doideira, o telão é tão grande que engole a platéia como um monitor faminto. Foi por causa do show de 1998 que Alexis Anastasiou decidiu lançar-se no buraco-negro das projeções tecnológicas, e o Brasil ganhava seu primeiro VJ. Desde sempre Kraftwerk fomenta a revolução no lendário estúdio Kling Klang, em Dusseldorf. Jamais poderia ter surgido em outro país. Quem fala alemão conhece o nível de refinamento do raciocínio dessa gente.

Classificam e ordenam os fatos através de uma lógica quase oriental; não admira que muitos dos mais brilhantes filósofos nasceram na Alemanha. Nossos heróis seguem a mesma linha: são laminares como o metal das placas de computador, equacionam o tempo, calculam as probabilidades que se camuflam no futuro permanente.

A realidade é outra depois de Kraftwerk live. Começa o drama: poucos artistas serão capazes de te tirar de casa. Você descobre que, no bojo da experiência kraftwerkiana, mora a ameaça de uma posteridade musicalmente parcial. Somos nós provando o seleto sabor da evolução, meus caros. Afinal o resto, todo o resto, veio depois.

Álbum Essencial: Ora, sem essa. Todos!

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