BABY, EU SOU MUITO COOL
Após hits que flertavam com o universo gay, Katy Perry não convence como alternativa ao pop descartável
Por Paulo Floro

KATY PERRY
One Of The Boys
[Capitol, 2008]

O mundo pop vive uma incansável demanda de cantoras pop que fogem do estereótipo de boa moça. Tudo, óbvio, por conta de nomes como Lily Allen e Amy Winehouse. Katy Perry é a nova aposta do mês. Seu diferencial para se vender ao público é apostar numa sexualidade dúbia, cheia de “experiências” novas, como beijar garotas e namorar caras gays.

A cantora e compositora de 23 anos ficou conhecida através do single “Ur So Gay”, onde fala da possível homossexualidade do cara com quem está saindo. Jornalistas tentaram hypá-la, mas após sair o disco, início do mês passado, a crítica encontrou as mesmas fórmulas usadas por tantas outras cantoras do pop.

A associação mais próxima – e infeliz, também – é com Kelly Clarkson, sobretudo nas afetações vocais, cheias de arroubos e orquestração. As letras parecem saído de um agenda abarrotada de recortes adolescente: tola. A única exceção é a já citada “Ur So Gay”. De resto, no conceito e execução, Perry segue a fórmula industrial desgastada de se criar um ídolo pop.

Desde o início Katy tenta se afastar do celeiro de celebridades adolescentes, entre eles Britney Spears e Paramore. A reação começou logo após o primeiro disco, quando assinava como Katy Hudson, o que gerava confusão com a atriz Kate Hudson. O passo seguinte foi criar um personagem que ao mesmo tempo vendesse uma imagem de libertação, mas não fosse longe demais. Para isso se apropriu de referências do universo gay, quando lançou singles como “I Kissed A Girl”.

O problema é que, após o sucesso de seus primeiros hits – chegou ao topo da Billboard – ela não se tornou convincente. Ao contrário, foi até mesmo acusada de homofobia, por conta de “Ur So Gay”. Mas incidentes políticos à parte, qualquer tentativa de trazer a moça a uma outra audiência cai por terra ao ouvir coisas como “Fingerprints”, um rockezinho bobo que não faria feio numa trilha sonora de seriados da Disney Chanel. Como um personagem fictício para hormônios impressionáveis, até que Perry funciona.

NOTA: 1,0

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