SE MOSTRAR
Katia B, quase musa, planeja lançar sua mistura rockeira entre o público alternativo
Por Gilberto Tenório

No início dos anos 1990, o cantor e compositor Fausto Fawcett apareceu barbarizando o pop nacional com um projeto intitulado Fausto Fawcett e Falange Moulin Rouge. Para os que não recordam, a banda era formada pelo artista e seus músicos, mais um punhado de garotas, todas loiras, que exalavam sexualidade. Entre as “loiraças-belzebu” de Fausto estavam nomes como Marinara (a policial “explode coração!”) e Regininha Poltergeist (amém Reginha, amém!). Porém, uma delas já demonstrava um talento que ia muito além das caras e bocas pervertidas feitas pelas moças no palco. Seu nome: Kátia Bronstein ou, no imaginário sacana de Fawcett, Kátia Talismã. Passada mais de uma década, a artista evoluiu e hoje responde pela sintética alcunha de Katia B.

Que Katia sabia cantar isso já tinha ficado claro desde sua primeira experiência musical. Mas, foi a partir de seu primeiro CD, o despretensioso Katia B (2000), que a artista começou a ser notada pelo público. O disco, lançado de forma independente, é uma junção de composições de vários nomes consagrados (Caetano Veloso, Herbert Viana, Alvin L) onde a cantora revelava bom gosto na escolha do repertório. Ao contrário do estilo femme fatale do começo de carreira, nesse primeiro trabalho Katia segue uma linha mais introspectiva, às vezes gélida, ao interpretar as canções. Essa é, inclusive, uma característica que marca sua música até hoje.

Só Deixo Meu Coração Na Mão De Quem Pode (2003), seu segundo trabalho, traz uma artista mais segura e afiada nas interpretações. Com Marcos Suzano entre os produtores e repleto de participações especiais (Fausto Fawcett, Lucas Santanna, o marido João Barone), o disco mescla referências pop com MPB obtendo um ótimo resultado. A música título ganhou uma versão remixada pelo pernambucano DJ Dolores e seu projeto Aparelhagem. Mesmo sem estourar no Brasil, o disco foi lançado em vários países da Europa e nos Estados Unidos, além de ganhar uma edição especial no Japão.

Em 2007, Katia B surge com Espacial. Indo muito além da mistura bossa nova com eletrônica, tempera sua receita musical com várias influências: o rock, a musicalidade oriental e a MPB. Há também um toque da sonoridade judaica, fato que se deve às origens dessa “garota do leste europeu de Ipanema”. O disco pode ser definido antes de mais nada como intenso.

Agora Kátia se prepara para ser uma das atrações nacionais do Tim Festival no próximo mês de outubro em São Paulo. Ela vai dividir a noite com duas musas da cena indie, a canadense Feist e a brasileira radicada em Londres Cibelle. Detalhe: o show, dia 27, já está com os ingressos esgotados. Essa será, sem dúvidas, uma ótima oportunidade para Kátia B mostrar sua musicalidade refinada a um público que claramente planeja alcançar.

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