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e sua antiga parceira na banda Comadre Fulozinha , integrante da Orchestra Santa Massa, se encontram num show esquenta do bloco carnavalesco feminista . Pra essa banda que começa a se formar a dupla convidou a percussionista Aishá Lourenço, também ex-Comadre, a percussionista e cantora Andreza Karla, filha de Aurinha do Côco e integrante da potente banda da mãe e Nerisvanda Rodrigues, trombonista que acompanha Zé Cafofinho e suas Correntes e a Orquestra 100% Mulher.

O encontro acontece na próxima quarta feira, 21 de dezembro, a partir das 19h, na Casa Astral. O ingresso custa R$ 15, à venda pelo site.

No repertório músicas autorais inéditas e antigas e também de mestres como Aurinha do Côco, Dona Selma, Lia de Itamaracá, Erasto Vasconcelos. Ciranda, côco, baião, tudo misturado e com lugar pra muito improviso. Ímãs de geladeira, com imagens assinadas pela fotógrafa Priscilla Buhr, também estarão à venda no dia da festa.

O bloco Essa Fada surgiu em 2015 quando um grupo de feministas recifenses lançou o Grêmio Anárquico Feminístico Essa Fada, numa alusão à fantasia da fada, que brinca com o imaginário sexista de uma figura feminina meiga, perfeita, disponível a atender pedidos e realizar expectativas dos outros. “Essa fada”, “és safada”, essa pode ser e fazer o que bem quiser. Em um momento onde o comportamento machista mais aparece, caso do Carnaval, o bloco brada uma defesa do direito da mulher à liberdade sexual e à segurança física e emocional. Além da festa de esquenta, o bloco desfila todos os anos pelas ladeiras de Olinda.

Veja abaixo o manifesto do bloco.

Manifesto | Essa fada não se importa com o que pensam

O Carnaval é aquela efeméride da catarse coletiva. Estão liberados os prazeres contidos, as personas incautas, o desvario em todos os seus excessos. A carne é de carnaval, o coração é igual. Mas a carne mais barata do mercado é a nossa e, de certo, o coração o mais vagabundo também. E eis aquele paradoxal julgamento social nosso de cada dia: nossos corpos devem ser louváveis, disponíveis como caças, entretanto, nosso comportamento, bem, esse deveria ser irretocável como prezam a moral e os bons costumes.

Entre as fantasias erótico-carnavalescas, há tantas projeções domésticas e servis, sempre hiper sensualizadas, da nossa condição feminina como enfermeiras, empregadas, freiras, colegiais, princesas, camponesas, coelhas, anjos. Nesses papéis, dissimulamos inocências em vestes nada pueris, e mantemos no jogo aquela imagem de perfeição e doçura, mesmo que numa provocação por pura ironia. No fundo, reproduzimos o que esperam que sejamos, mesmo que de faz de conta: boazinhas.

Mas há melhor cenário para colocar em prática o adágio de que as boazinhas vão para o céu, mas as outras vão aonde quiserem? Assim, nós, mulheres que queremos ser o que nos aprouver, somos qualqueres, ordinárias em quereres, somos essas, somos aquelas, somos tantas, somos todas as possibilidades de ser. Essas que rompem padrões, essas que não se submetem, essas que lutam, essas que buscam suas próprias expectativas ao invés de atender às alheias. Essas de corpo e mente livres. Sou dessas mulheres que dizem sim, sou essa que voa.

E assim, num ode à nossa liberdade selvagem, numa alegoria de divindade e alegria brincante que herdamos da natureza, sejamos fantasiosamente fadas, com o poder de realizar os próprios desejos, alçar voos e darmos conta (somente a nós mesmas) dos nossos prazeres. Sejamos imortais na nossa safadeza, na nossa natural lascívia que tanto tentam nos tolher no corte de asas. Todas que livres habitam e cintilam nessa fauna chamada humanidade, sejam bem-vindas ao Grêmio Anárquico Feminístico Essa Fada. Vamos espalhar Pó de Sim até a quarta-feira de cinzas.

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