Lux Prima é complexo e cheio de nuances, uma grata surpresa de dois artistas com sede de experimentação

. e exploram novos universos no ótimo Lux Prima
NOTA8.5

Karen O. e Danger Mouse, aparentemente, não carregam muitas interseções em suas carreiras e passaram a maior parte do tempo afastados dentro de suas searas artísticas. Karen fez sucesso com a banda neo-punk Yeah Yeah Yeahs e evoluiu para um indie-rock sofisticado. Já o produtor Danger Mouse estourou com o Gnarls Barkley, mas foi adiante como um dos nomes mais inventivos de sua geração, seja no R&B ou na música eletrônica. Lux Prima marca a união desses dois artistas e pontua sua principal característica em comum, a ambição em experimentar coisas novas.

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O disco é curto o suficiente para que o ouvinte deseje mais e ambicioso para arriscar em diferentes ritmos e estilos. O trabalho trafega por timbres que fogem de um apelo pop óbvio e experimentam na psicodelia e na instrumentação cheia de detalhes. O resultado é um trabalho complexo, cheio de detalhes e nuances e que possui um estilo meio cinematográfico, como uma trilha sonora dark.

Em geral, as faixas mantém um tom hipnótico e um clima de mistério, a começar pela faixa de abertura com seus quase 10 minutos. Mas há também propostas mais dançantes, caso de “Woman”, uma das primeiras faixas a serem divulgadas. Ou “Turn The Light”, que se aproxima de um rock mais convencional, de batida animada. Mas o disco ganha força quando explora territórios mais complexos, como quando engata a balada marcha lenta de “Drown” ou “Nox Lumina”, uma faixa opulenta cheia de detalhes, que encerra o álbum.

Mouse segue com sua proposta de ser um artesão do pop, sempre buscando referências em diversas épocas e estilos. Já Karen vive uma das suas melhores fases da carreira e explora sua voz inconfundível como nunca. Essa união criativa gerou um dos mais inesperados – e interessantes – discos do ano.

KAREN O. E DANGER MOUSE
Lux Prima
[BMG, 2019]

Foto: Eliot Lee Hazel.

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