Kaiser Chiefs (Foto: Divulgação)

NADA MEMORÁVEL
Kaiser Chiefs perde o que tinha de mais poderoso: as músicas chiclete
Por Lidiana de Moraes

KAISER CHIEFS
Off With Their Hands
[B-Unique, 2008]

O Kaiser Chiefs apareceu no cenário musical junto com bandas que faziam rock com a sensibilidade britânica, bebendo na fonte de The Jam e The Kinks, aliado ao mérito de fazer os ouvintes balançarem o esqueleto com um leve ar de sarcasmo, assim como o Gang of Four e o Television faziam com canções como “The Essence Rare” e “I See no Evil”.

Também trabalhando com o princípio de criação de músicas com vibração dançante, talvez o maior rival surgido no mesmo período que o grupo de Ricky Wilson e companhia seja o pessoal do Franz Ferdinand. No entanto, se uma batalha fosse realmente travada entre as duas bandas, já no terceiro round os Chiefs seriam nocauteados.

Logo no primeiro disco, Employment de 2005, os irlandeses mostraram que tinham pegada. Em instantes canções como “Everyday I Love You Less And Less” e “I Predict A Riot” se tornaram hinos, imprescindíveis em uma balada, seja no clube mais eletrizante de Londres, ou no pub mais chinelo no interior da Inglaterra. Com o segundo trabalho, Yours Truly, Angry Mob, lançado em 2007, era perceptível uma preocupação maior com a produção sonora, o que em vez de tornar-se um mérito, acabou tirando uma das maiores qualidades do Kaiser: sua espontaneidade.

Um ano depois, Off With Their Hands traz uma notícia triste para aqueles que aprenderam a amar esta banda. Doze meses não foi o bastante para que o grupo conseguisse recuperar sua energia. Em sua nova obra, a sonoridade deixa pistas que soam como se tivesse havido uma tentativa de capturar todos os elementos que deram certo em Employment. Mas ao contrário da banda de Alex Kapranos, os Chiefs ainda precisam aprender que bandas novas não duram muito tempo apenas com repetições de fórmulas.

A faixa que chega mais perto da energia deixada para trás em músicas como “Saturday Morning” é “Addicted To Drugs”. Quanto as outras… Elas tem seu lado eficaz, mas não empolgam, não eletrizam e raramente são memoráveis. No momento certo “Can’t Say What I Mean” até resiste na cabeça, luta para não desgrudar, mas o esforço não dura muito tempo. Já “Always Happens Like That”, por exemplo, que deveria ser um single em potencial devido à presença ilustre de Lilly Allen, serve apenas para provar que na verdade a cantora não passa de mais uma celebridade problemática dispensável, ou seja, não acrescenta em nada.

De qualquer modo, mesmo com a insatisfação de escutar Off With Their Hands, é difícil apagar de uma hora para outra uma banda tão querida quanto esta. O carisma de Ricky Wilson, faz valer a pena encarar a apresentação dos caras no Brasil. E, quem sabe entre um pulo e outro, o vocalista reencontre aquele algo a mais que se perdeu no caminho percorrido entre os três discos.

NOTA: 7,0

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