História não tem conhecimento de causa do herói

Um personagem como o Justiceiro rende infinistas histórias de catarse contra injustiças entre os mais fracos. O personagem sempre foi utilizado para contar com extrema violência casos em que o mal, ao menos uma vez, leva a pior. E quando a trama se passa em uma comunidade latina do México, na fronteira com os EUA, a premissa pode levar a uma narrativa incrível, certo? Mas, não é o que ocorre com a edição especial Justiceiro – As Meninas de Vestido Branco, lançado pela Panini dentro do selo Panini Books.
Escrito por Gregg Hurwittz, a obra não tem nada de memorável que justificasse tanto investimento. A edição é primorosa, com capa dura, papel couché e bom acabamento. E como é impressa na Tailândia, fez parte da linha da editora para preços mais acessíveis. A história fala de uma misteriosos criminosos que raptam meninas de cerca de quinze anos e, dias depois, jogam seus cadáveres nas ruas. Negligenciados pela corrupta polícia local, a pequena comunidade ganham a ajuda de Frank Castle.

A história capricha no sangue e violência, mas a narrativa não tem força. Pior: não consegue trabalhar bem a personalidade do personagem, que chega a ter momentos de pieguices que farão qualquer fã do Justiceiro chiar. O texto também abusa de uma desnecessária dramatização dos fatos, com uma narração em primeira pessoa que parece que Castle está declamando um poema. Faltou uma apuração melhor e mais conhecimento do personagem por parte de Hurwittz. O desenho cumpre bem o papel de dar um ar soturno, mas a caracterização dos personagens peca um pouco por mostrar alguns personagens parecidos com outros.

A história originalmente fez parte do selo Max, divisão de quadrinhos adultos da Marvel, que nunca fez muito sucesso, mas que tem boas histórias ainda inéditas por aqui. [Paulo Floro]

JUSTICEIRO – AS MENINAS DE VESTIDO BRANCO
Gregg Hurwitz (texto) e Laurence Campbell
Tradução de Caio Alves
[Panini Books/Panini Comics, 124 págs, R$ 17,90]

NOTA: 4,0

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