Foto: Divulgação

Cantora argentina cria universo melodicamente perturbador
Por Lidiana de Morais

JUANA MOLINA
Un Dia
[Domino, 2008]

Atenção fãs brasileiros de cantoras como Tori Amos, Beth Orton e Julieta Venegas. Chegoua hora de deixar os preconceitos e a rivalidade de lado e ficar de olho, ouvidos e todos os sentidos a postos para apreciar a música de uma hermana argentina.

É bem possível que você não tenha ouvido falar em uma cantora chamada Juana Molina. Mas sempre é tempo de descobrir uma artista completa como ela. E para aqueles que já a conhecem, o novo disco Um Día é a oportunidade de redescobri-la e mergulhar em um universo repleto de complexidade harmônica e melodicamente perturbador. Mas não tome esta descrição como um defeito, muito pelo contrário. Estamos tratando de uma artista que ultrapassa o convencional para dar a luz a músicas que se assemelham apenas com elas mesmas, sem soar como algo repetitivo e já feito milhares de vezes antes.

Molina começou a carreira cedo, como atriz em um programa que fez muito sucesso na Argentina. No entanto, talvez por influência do pai cantor de tango, a vontade da moça sempre foi trabalhar com música. Esta paixão latente, despertada por influências que talvez não sejam compatíveis com seu trabalho, como King Crimson e Led Zepellin, a levaram ao lançamento de seu seu primeiro disco, Rara, em 1996. Doze anos depois, o quinto trabalho serve como o exemplar da personificação de uma artista completamente original e intrigante.

Seja por sua voz, ou pela construção estrutural de suas canções, ouvir as canções de Molina deixa de ser apenas um ato de degustar uma experiência auditiva para passar a tratar-se de uma experimentação complexa e infindável. Começando por “Dar (qué difícil)” já se percebe que as melodias não são criadas como a aglutinação de vários instrumentos separados. Qualquer som, gemido, barulhinho eletrônico ou até mesmo desconhecido é parte essencial de um todo que funciona na mais perfeita harmonia.

Ao contrário da mexicana Julieta Venagas, que vem conquistando os brasileiros desde sua participação no magnífico acústico de Lenine, Juana Molina não busca a criação de canções que provoquem aquela certa sensação de serenidade no público, pelo contrário. Canções como “Lo dejamos” e “Los hongos de Marosa” até provocam um certo estranhamento no ouvinte. Não se trata de música pop latina, trata-se de folktrônica.

Como o nome do estilo musical já prevê, a mistura de folk mais eletrônico foge um pouco do contexto que costumamos perceber nos artistas ligados a tradição de seus países. Se algum dia Molina foi comparada com Björk, este paralelo não se trata de um absurdo quando pensamos no poder imaginativo que estas duas artesãs da música têm ao edificar suas criações em um produto completo, um produto final que adquire vida própria perante o público.

Mas não pense em ouvir Un Dia como uma forma de procurar os indícios das cantoras que foram mencionadas anteriormente. Ouça Um día, pensando apenas em Juana Molina e na artista cheia de particularidades que ela vem provando ser durante sua trajetória musical.

NOTA: 8,0.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=p6vQtp9WXpg[/youtube]
Juana Molina – “Un Dia’

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