Foto: ONR/ Divulgação

pelo andar da carruagem, telepatia poderá ser uma realidade no futuro próximo – mas não da forma parapsicológica, quase espiritual, que comumente se imagina. o desenvolvimento de implantes cerebrais, ou brain computer interfaces – chips colocados na massa cinzenta através de cirurgia, capazes de interagir com o cérebro, fornecendo novas informações e ajudando a corrigir problemas neurológicos que levam a limitações físicas, como a cegueira – caminha a passos largos, e cada vez mais envolve tecnologia wireless, permitindo a comunicação remota entre diferentes chips e com a “central” responsável por transmitir novos dados, coordenadas e ajustes de acordo com a necessidade do usuário. mais ou menos como neo aprendendo artes marciais em “the matrix”, só que sem tomadas nem disquetes.

a adoção massiva de implantes cerebrais capazes de comunicação à distância levaria a uma completa reforma sobre o modo como aprendemos coisas e nos comunicamos. o método tradicional de avaliação aplicado em escolas e universidades, por exemplo, não seria mais possível, já que os alunos seriam capazes de passar “cola” telepaticamente (o que coloca o atual problema do control c + control v nas pesquisas escolares no chinelo). ao invés de atender a aulas, as crianças baixariam história, matemática, português ou química direto para o cérebro; e então, sem sair de casa, participariam de laboratórios wii onde pudessem aplicar o conhecimento recém-adquirido.

o mais recente exemplo de que a hipótese cyborg online é uma possibilidade real aconteceu em julho passado, quando um paciente recebeu o primeiro marcapasso conectado à internet. uma vez por dia o aparelho transmite informações sobre o coração do sujeito a um monitor que avalia os dados e então os transmite, via internet, para um servidor central. se algo de errado for detectado na atividade cardiológica do homem, o sistema automaticamente alerta seu médico.

a grande preocupação dos cientistas envolvidos no desenvolvimento de implantes online são os hackers, principalmente em relação aos chips cerebrais. já existe até um termo para denominar a ameaça: neurohackers. nessas circunstâncias, um hacker poderia tomar o controle não mais de uma máquina, mas de um ser humano – quando não for o próprio usuário, na tentativa de adquirir mais conhecimento, melhorar sua performance física ou estado de espírito, a fazê-lo. a esperança agora reside em engenheiros neurais, cuja missão é criar firewalls próprios para este tipo de manipulação.

entre as versões menos invasivas estão projetos como o capacete que permitirá que soldados se comuniquem através do pensamento e uma máquina capaz de esquadrinhar as imagens que se passam dentro do cérebro humano, incluindo sonhos.

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