Bonecas tradicionais não eram suficientes: eu também queria as de papel. Ficaram way more popular com o advento da internet, mas não era piquenique encontrá-las no comecinho dos anos 80, sobretudo no Brasil. Uma vez por ano num jornaleiro, noutra por acaso numa livraria. Vida ingrata para nós, paper dolls little freaks.

Então eu me virava e desenhava minha própria boneca. Quando estava pronta, colocava uma folha sobre ela e criava as roupinhas que ela iria usar. Desenhava muito mais modelos que uma boneca de papel comprada por aí. Foi meu début no universo diy, que até hoje se prolonga na figura da minha amada costureira.

Hoje faço do it yourself for myself.

E muito antes do carro da barbie e da banheira da barbie e do namorado da barbie aportarem no país, minhas bonecas de papel já tinham seus próprios aviões e barquinhos de papel e namorados de papel. Estes não trocavam a roupa. Já eram criados com a calça e a camisa que usariam por todas suas vidas úteis. Nada de sacanagem na cama de papel da minha boneca de papel.

Ora essa. Elas eram bonecas de papel, não infláveis!


[+] Joana Coccarelli é jornalista, autora do blog Narghee-La e idealizadora do Coccarelli.art, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.
joana@revistaogrito.com.
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