O curioso de começar a envelhecer é que ainda estamos suficientemente jovens para nos lembrar exatamente como era ser totalmente jovem.

Tudo bem que começamos a envelhecer quando nascemos. Não é este o ponto. O ponto é quando os sinais da velhice começam se manifestar.

Ao contrário do que se imagina, um ou outro fio de cabelo branco não é sinal de velhice: enquanto você tiver disposição para atravessar raves inteiras dançando, curar ressaca em tempo recorde e energia para gastar em círculos sociais duvidosos, você é jovem. Meus cabelos brancos apenas se tornaram sinal inexorável de minha balzaquianice quando passei a ser conhecida como a pessoa mais socialmente furona que se tem notícia – ou por preguiça ou pelo inevitável foco nas responsabilidades profissionais que caracterizam meu atual estágio de vida adulta.

Apesar de acreditar que ninguém é completamente maduro antes dos quarenta. Ou mesmo depois.

Anyway, a poucos dias de meus trinta e dois anos, meus prolíferos brancos são legítimos sinais de que o tempo passa. Mas ainda não quero pintá-los. Porque a cor natural dos meus cabelos me é muito bem quista; e passar tinta por conta do pouco de cinza é eliminar minha maior parte de juventude por conta de (ainda) poucas marcas de velhice.

O principal, no entanto, mora numa equação muito mais atraente: para algumas de nós (sim, especialmente mulheres) o passar do tempo traz uma tranqüilidade interior que rejuvenece tanto quanto o creminho para rugas que passei a usar à noite.

É preciso duas, ao invés de uma semana, para queimar as gorduras localizadas extras de um feriado indulgente – mas o tesão está tão mais aflorado que seríamos capazes de ereções de rapazes pós-adolescentes, e no final das contas nos sentimos incríveis. Essas compensações são tão maiores que honestamente não, não penso em voltar no tempo, caso fosse possível. O ritmo natural do relógio traz recompensas rejuvenecedoras…

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[+] Joana Coccarelli é jornalista, autora do blog Narghee-La e idealizadora do Coccarelli.art, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.

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