Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Categoria: Trabalhos (Página 1 de 6)

Como House Of Cards mudou o Netflix (e pode mudar a TV)

Texto que escrevi para o NE10 sobre House Of Cards, a série mais comentada das últimas semanas, uma produção exclusiva da Netflix

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A série House Of Cards é a maior empreitada da Netflix para conseguir mais audiência e se renovar. A empresa pagou US$ 100 milhões, segundo estimativas, para duas temporadas da série estrelada por Kevin Spacey. Segundo o executivo-chefe da empresa Ted Sarandos, o seriado é a maior audiência da história do serviço de stream.

O Netflix, que chegou ao Brasil ano passado, é o mais famoso serviço de streaming de filmes e séries do mundo. Começou como um aluguel a domicílio de títulos e fez a transição para o digital, atuando em diversas plataformas. Para usar, é preciso pagar uma assinatura. No Brasil, é possível assistir aos conteúdos através do computador, aplicativos para TVs inteligentes, PS3, entre outros. Com House of Cards, o Netflix conseguiu uma relevância que estava sendo posta em xeque há alguns meses.

Essa inovação mostrou resultados, o problema é que os números não são exatos. A Procera Networks, empresa que monitora tráfego eletrônico de dados, disse ao jornal The Telegraph, que “11% dos assinantes do Netflix assistiram a pelo menos um episódio da série”. O Netflix não revela a audiência, pois diz que a comparação com a audiência da TV tradicional é desigual. “Estamos felizes com a recepção da série junto à mídia, nas redes sociais e aos nossos assinantes em seus reviews”.

A série conta a história de um congressista americano que sabe vários segredos de Estado. De posse dessas informações, ele espera conseguir o posto de presidente dos EUA. Além de Spacey, estão no elenco Robin Wright e Michael Kelly. David Fincher, de Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, supervisionou a série e dirigiu os dois primeiros capítulos.

Outra mudança que o Netflix implementou para o seriado foi disponibilizar todos os 13 episódios de uma só vez. A ideia é fazer com que os assinantes vejam todos de uma vez, como uma maratona. “O que foi interessante para mim foi a noção de ter um relacionamento com um público que dura mais do que duas horas”, disse Fincher. Com um material como House of Cards, a empresa esper depender menos de estúdios, como acontece hoje com a HBO, que usa seu conteúdo original como uma diferencial no mercado.

A Netflix planeja aumentar seus investimentos em conteúdo original. Em parceria com a Dreamworks, a empresa está desenvolvendo um seriado baseado no filme Turbo, que conta a história de um caracol que ganha supervelocidade.

O filme estreia em junho e o seriado, chamado Turbo: F.A.S.T. chega em dezembro com exclusividade no Netflix.

Uma nova TV
Outras séries originais já foram lançadas pelo Netflix, como Lilyhammer. Mas, House of Cards ganhou toda essa repercussão, sobretudo por ter sido lançada de forma simultânea em todo o mundo. Usuários brasileiros puderam assistir tudo com legendas e acompanhar todos os comentários que estavam sendo feitos pelas redes sociais.

Outros serviços de streaming de filmes, como Hulu e Amazon também planejam a criação de séries originais, estamos vendo uma mudança de panorama na TV como a conhecemos. “Nós somos a nova televisão que não está na televisão”, disse Kevin Spacey.

Mercado HQ: Reformulação da DC Comics é ótimo momento para colecionar heróis

Escrevi para o NE10 sobre a reformulação da DC e de como este era um ótimo momento para voltar a colecionar gibis de super-heróis. Ainda que, no geral, os títulos tenham qualidade mediana, esse reboot representa um momento importante no mercado de quadrinhos do Brasil. Será a primeira vez que todas as revistas de uma editora americana de heróis sairá no País – no caso, as 52 HQs preparadas para o reboot.

Os super-heróis nunca estiveram tão presente na mídia quanto nos últimos anos. Aproveitando a repercussão no cinema – com destaque para a série dos X-Men e Batman de Christopher Nolan – a DC Comics iniciou uma ousada estratégia de reiniciar mais uma vez seu universo como forma de atrair novos leitores. Em outras palavras, ela zerou todas as revistas e recontou a origem de alguns personagens. Neste recomeço, os superseres surgiram na sociedada há apenas cinco anos.

Batizado de “Novos 52”, em referência ao número de títulos lançados, essas histórias acabam de chegar às bancas brasileiras. Em uma iniciativa inédita, a Panini Comics, que detém os direitos de publicação no País, anunciou que irá lançar todos os títulos dessa reformulação. Será a primeira vez que isso acontece no mercado nacional. Até então, os editores optavam pelas histórias que sairiam aqui, baseado tanto na relevância quanto no potencial de vendas.

Por isso, além dos títulos principais, como Superman, Batman, Flash e Lanterna Verde, outros personagens menos conhecidos e séries sem muito apelo comercial ganharão uma distribuição exclusiva através das comic-shops Comix e Devir.

Serão elas que enviarão aos seus parceiros pelo País. Aqui no Recife, a loja Fênix, no Espinheiro, será a representante local para receber esses títulos exclusivos, um pouco mais caros por terem uma tiragem menor. Considerados mitos modernos, os super-heróis fazem parte da cultura popular do Ocidente e estão presentes no imaginário popular. Agora, leitores antigos de gibis e novatos instigados pelos filmes e séries de TV poderão retomar suas coleções a partir deste mês.

O NE10 leu as primeiras edições nacionais da reformulação – Batman, Superman, Liga da Justiça, Universo HQ – e conferiu em inglês os primeiros números dos demais títulos. Quem está com dúvidas desse novo início, o pequeno guia abaixo, pode ajudar.

Superman 
O primeiro número do Superman traz os dois títulos regulares do herói (Action Comics e Superman) e a aventura de sua prima kryptoniana, Supergirl. Escritor por George Pérez, o título-chave do heróis peca pelo excesso de informação. Ficamos descobrindo que o Planeta Diário faz parte de um conglomerado de mídia com acusações de corrupção e Lois é diretora de web e TV da empresa. Mas, o que mais chama atenção é Superman e seu novo uniforme, agora sem a cueca por cima das calças (isso sim um choque!) e parte externa semelhante a uma armadura. É uma tentativa de tentar modernizar o herói, mas experiências como essa não deram muito certo no passado. É esperar para ver.

Já Action Comics tem um roteiro primoroso assinado por Grant Morrison. Nela conhecemos o passado do herói, quando ele ainda estava aprendendo a usar os poderes. O melhor é que faz referências à história original publicada em 1937. O desenho de Rags Morales é outro destaque. Por fim, temos a primeira aparição de Supergirl. A personagem nunca teve momentos memoráveis pré-reboot (a não ser quando morria, coitada). Agora, começaram sua história bem do início, quando ela caiu na Terra vinda de Krypton, ainda adolescente. O primeiro número não entregou muito da série e mostra apenas sua luta contra uma misteriosa organização que já sabia de sua vinda. Vejo potencial na HQ, mas é preciso de um trabalho mais ousado para uma heroína tão sem apelo. Serviço: Superman, R$ 5,90, 64 págs (o primeiro número, excepcionalmente, custou R$ 6,60 e teve 84 págs). Nas bancas. 

Batman
As perspectivas são bem melhores para quem quiser voltar a ler Batman. O herói continuou dois títulos no Brasil, que já existiam antes da reformulação:Batman e A Sombra do Batman. A primeira reúne os três títulos que o herói tem nos EUA: Batman, Batman – The Dark Knight e Detective Comics.

O escritor Scott Snyder coloca Batman em uma investigação de um assassinato que pode envolver seu parceiro de longa data, Dick Grayson. Os desenhos de Greg Capullo trazem um Batman corpulento igual ao que nos acostumamos ver nos filmes recentes. Detective Comics, escrito e desenhado por Tony Daniel reinicia o clássico embate do herói com o Coringa. Por fim, temos Batman – The Dark Knight na mais fraca das três histórias, escrita por Paul Jenkins e desenhada por David Finch. O herói precisa conter uma rebelião no Asilo Arkham, mas o mote aqui é mostrar mais do cotidiano de Bruce Wayne.

Nesta reformulação, o Robin é Damien, o filho de Bruce Wayne, ainda um adolescente. Os dois Robins anteriores já seguem suas carreiras solo, como Robin Vermelho (Tim Drake) e Asa Noturna (Dick Grayson). A DC decidiu manter tudo como estava antes do reboot por causa tanto da aceitação de Damien entre os leitores, mas também porque os antigos Robins já tinha suas próprias histórias.

A revista A Sombra do Batman chega dia 15 deste mês e traz personagens que atuam em Gotham e fazem parte da rede de influência do herói. É um título voltado para os Bat-fãs e é dispensável para o entendimento das histórias principais do Homem-Morcego. No entanto, as aventuras de Batwoman e Asa Noturna (Nightwing) andam valendo muito a pena. Os outros títulos que compõem o mix são Batman e RobinCapuz Vermelho e os RenegadosBatgirl,Mulher-Gato e Batwing. Serviço: Batman 1, 76 págs, R$ 6,50. (O primeiro número foi mais caro e teve mais páginas. O preço normal será R$ 5,90, com 64 págs).

Liga da Justiça
Título central desta reformulação, a HQ foi a primeira desta nova fase a ser lançada e tornou-se sucesso de vendas nos EUA. A história, assinada por Geoff Johns e Jim Lee, mostra os heróis cinco anos antes, durante seu surgimento. É legal ver Batman falando de Superman como alguém de quem ele ouviu falar e todos se encontrando pela primeira vez. Esta estreia deixa um tom de suspense no ar e, segundo a DC, a revista será o centro nervoso desse novo universo. No Brasil, o título ainda traz duas histórias, infelizmente não tão boas: Liga da Justiça Internacional e Capitão Átomo (esta, talvez a pior de todo o reboot). Ambas são repletas de clichês, amontoado de frases de efeito e no caso da segunda, uma trama confusa. Serviço: Liga da Justiça 1, 68 págs, R$ 5,90 (nas bancas)

Lanterna Verde
A DC sabe que os fãs do herói esmeralda são fervorosos, por isso decidiu não resetar as histórias dele. O único cuidado que o roteiro tem é de tentar contextualizar conceitos da trama. Mas não é suficiente. As histórias continuam complexas e são indicadas apenas para quem já acompanhava o título – que fazia muito sucesso, diga-se. Geoff Johns e Doug Mahnke seguem assinando o título principal e trazem o vilão Sinestro carregando o anel de Hal Jordan.Lanterna Verde: Novos Guardiões tem Kyle Rayner, o mais sem graça dos Lanternas em uma história que reconta sua origem. Quem escreve é Tony Bedard, com desenhos sem muita personalidade de Tyler Kirkham. Por fim, a revista traz o título Tropa dos Lanternas Verdes, com Guy Gardner e John Stewart tendo que lidar com um assassino de Lanterdas Verdes. O roteiro é de Pete Tomasi e desenhos de Fernando Pasarin. Serviço: Lanterna Verde 1, 68 págs, R$ 5,90

Mulher-Maravilha
Uma injustiça a Mulher-Maravilha não ganhar um título próprio. Seria a única mulher entre os heróis mais icônicos da editora a ter uma revista própria. A seu favor, ela teria também um bom roteiro de Brian Azzarello e desenhos de cair o queixo de Cliff Chiang, um dos poucos nomes que trazem um traço mais autoral nesta reformulação. Quem gostar da super-heroína terá que comprar a revista Universo DC (148 págs, R$ 14,90), uma espécie de almanaque que reúne diversos heróis solo da editora. Serviço: Publicada em Universo DC, que também tem histórias de Aquaman, O Selvagem Gavião Negro, A Fúria de Nuclear, Senhor Incrível, OMAC e Falcões Negros. 156 págs, R$ 16,90 (as próximas edições terão 148 págs ao preço de R$ 14,90).

Flash
Outro herói que ganhou uma boa equipe criativa. Francis Manapul, também desenhista, divide o roteiro com Brian Buccellato, escritor já acostumado às histórias do homem mais rápido do mundo. Barry Allen é um perito criminal de Central City que secretamente atua como o velocista escarlate. Sua revista mensal no Brasil trará ainda Arqueiro Verde, escrito por J.T. Krul e desenhos de Dan Jurgens, um tanto monótona e Exterminador, por Kyle Higgins e Joe Bennett, uma HQ interessante sobre um dos mais antigos anti-heróis da editora. Serviço: Flash 1, 68 págs, R$ 5,90 (Lançamento dia 15/6)

O resto do Universo
As opções serão muitas para os leitores nesta reformulação. Além dos heróis mais conhecidos, citados acima, diversos outros pedem uma chance. É o caso de Homem-Animal, herói cult da editora com roteiro de Jeff Lemire, que será lançada por aqui na revista Dark, em julho. E Monstro do Pântano, ainda sem data.

Para dar conta de tantos títulos, a Panini decidiu lançar alguns títulos diretamente em comic-shops, com tiragem menor. Segundo a editora, são revistas com um apelo popular menor, ainda que tenham boas histórias. As revistas já anunciadas até agora são Novos Titãs & Superboy, Universo DC Apresenta: Desafiador, Frankstein, Agente da S.O.M.B.R.A. e Esquadrão Suicida & Aves de Rapina, todos para julho. Ainda há outros títulos sem data, comoLegião dos Super-Heróis, DC Terror, Tropa dos Lanternas Verdes, entre outros.

Para detalhes de preços, mixes e datas de lançamento, o blog Papo de Quadrinho, parceiro do NE10, tem todos os detalhes. Na próxima semana, falaremos da atual situação da Marvel no Brasil e detalhes de como acompanhar a editora para quem estava afastado das histórias ou tem vontade de iniciar uma coleção.

DC? Ah, aquela editora dos heróis mais famosos
Wolverine e Thor podem até terem um sex-appeal irresistível às grandes audiências, mas poucos se gabam se serem icônicos como os super-heróis da DC Comics, a exemplo de Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde, Aquaman, e outros. Esses personagens carregam um simbolismo utópico de mitos, seres quase intocáveis cuja índole – na maior parte das vezes – segue inabalável.

Enquanto heróis da Marvel são mais calcados no mundo real, e demonstram com mais frequência suas mazelas morais, a DC traz uma maior idealização. São como mitos. O interessante desta reformulação é que os leitores poderão ver o início da carreira dos personagens, antes de serem os melhores do mundo. Superman ainda não é uma celebridade unânime. Batman é caçado e visto com desconfiança pela força policial de Batman. Já Flash está dando seus primeiros passos no vigilantismo e tentando conciliar vida profissional com o colante vermelho. A exceção são as histórias interplanetárias de Lanterna Verde, que seguem com seu público fiel e com a cronologia inalterada.

Com um apelo ao colecionismo, esta nova fase da DC Comics por aqui representa o melhor momento para voltar a ler histórias de super-heróis.

Mercado HQ: 50 anos do Incrível Hulk

A coluna de quadrinhos do portal NE10 retorna depois de um período sabático. E escrevi sobre um dos meus personagens favoritos, o queridão verde, Hulk.

Hulk, gigante verde e enfezado que amamos, completa 50 anos

O Incrível Hulk – este ser imenso, verde e enfezado que amamos – completa 50 anos. Sua primeira aparição aconteceu na revista The Incredible Hulk #1, em maio de 1962, pelo traço de Jack Kirby e roteiro de Stan Lee. “Ele é um homem ou um monstro… ou ambos?”, perguntava a Marvel em sua capa, ainda com o personagem na cor cinza.

De lá pra cá, Hulk foi crescendo em influência dentro dos quadrinhos de super-heróis, mas nunca se encaixou bem na acepção mais restrita do termo. As histórias sempre se baseavam na luta do cientista Bruce Banner contra sua contraparte poderosa. Mas, durante as décadas, os criadores tentaram encaixá-lo nos mais diversos argumentos. Hulk já fez parte de super-grupos (Defensores, Vingadores), foi fugitivo procurado pelo Governo, vilão, ganhou uma prima igualmente verde e forte (Mulher-Hulk), ganhou personalidade sarcástica, entre diversas outras.

Uma das influências de Stan Lee para o personagem foram os filmes de Frankstein, interpretados por Boris Karloff. O maior criador da Marvel achou interessante criar um monstro que não fosse um vilão. Hulk não queria machucar ninguém, mas a perseguição que sofria das pessoas, do governo e de outros super-seres acabavam por deixá-lo irritado. Em uma das suas primeiras e mais famosas falas, disse: “sai da minha frente, inseto!”. Em sua origem, o renomado dr. Bruce Banner sofre um acidente em um experimento com raios gama e torna-se um ser imenso e superforte (vale ressaltar que na época da Guerra Fria, o mote dos poderes derivados da radição era forte por causa da corrida nuclear EUA-URSS).

Ícone da cultura pop e um dos personagens mais famosos da Marvel, Hulk fez sucesso em uma série de TV nos anos 1970 interpretado por Lou Ferrigno e chegou a ser capa da revista Rolling Stone no auge da popularidade. Nos quadrinhos, suas fases mais aclamadas foram a longa fase do escritor Bill Mantlo no título e Peter David, em especial a fase ao lado do desenhista Todd McFarlane, nos anos 1980.

David também foi responsável pela clássica história em que o personagem trata do espinhoso tema da aids, em 1991. A doença era um estigma ainda maior do que hoje e pouco compreendida pela opinião pública. Os leitores conheceram Jim Wilson, um amigo de longa data de Bruce Banner, que se revelava HIV-positivo. Já nos anos 2000, Bruce Jones teve respaldo da crítica para uma trama de conspiração com muito suspense. Destaque para Bruce Banner usando yoga para controlar Hulk.

Os quadrinhos no Brasil
O personagem sempre foi um dos destaques da Marvel no Brasil. Seu título teve uma vida longeva pela editora Abril, começando em 1983 até 1997, em um total de 165 edições, fora os especiais. Quando a Panini adquiriu os direitos, deu novamente uma revista ao personagem, desta vez com vida breve, com apenas 16 números (2004-2006). Curiosamente, esse período cobre a elogiada fase de Bruce Jones e sua conspiração envolvendo Hulk e o governo americano. Vale a pena procurar em sebos ou comic-shops. Atualmente, as histórias são publicadas dentro do almanaque mensal “Universo Marvel” (100 págs, R$ 14,90). A fase atual é controversa e enfrenta críticas, sobretudo ao roteiro confuso que colocou até mesmo um Hulk vermelho (!).

Nos cinemas, enfim o Hulk definitivo
O filme recente dos Vingadores nos fez lembrar que Hulk foi um dos membros originais dos Vingadores. E que sua importância é grande no Universo Marvel. Mesmo que nunca leu revistas de super-heróis sabe da existência do personagem, tamanha sua força no imaginário popular.

Por isso, a Marvel não iria deixá-lo de fora do blockbuster Os Vingadores. Interpretado por Mark Ruffalo, o gigante verde enfim ganhou uma boa versão nos cinemas. Os dois filmes anteriores pecaram no roteiro e no conceito do herói. Ang Lee, diretor do primeiro longa, mudou a proposta de sua origem para uma história que tratava da relação pai e filho. Já o segundo, com Edward Norton no papel principal, mostrava um Hulk gigantescamente desproporcional. Agora, parece, encontramos o Hulk perfeito, com boa atuação e efeitos especiais convincentes.

O Hulk somos nozes
Um olhar mais detalhado sobre o universo dos super-heróis sempre vai revelar conceitos sobre a natureza humana bastante pertinentes — ainda que em uma roupagem pop. Hulk personifica toda a raiva e frustração que as pessoas vão guardando dentro do cotidiano da vida em sociedade. Um lado bruto. Há quem acredite que o Hulk verde tenha relações com a infância, já que é neutro em suas intenções. É bem diferente do Hulk Cinza, uma personalidade intermediária que condensa toda sua fúria em cinismo e desprezo pela sociedade. Nas HQs, teve uma longa fase conhecido como Sr. Tira Teima. Muitos estudiosos relacionaram a origem de Hulk às teorias de Friedrich Nietzsche (1844 – 1900), que defendia um indivíduo soberano livre das amarras sociais. Filósofos mais antigos, como Sócrates, Descartes e Emmanuel Kant também teorizaram sobre esse lado interior guardado em sobreposição ao comportamento que temos em sociedade. Em resumo, essa vontade suprimida de dizer: “HULK ESMAGA!!!”.

Recife, o Planeta Carro: viadutos da Agamenon

Matéria que fiz para o NE10 sobre os polêmicos viadutos da avenida Agamenon Magalhães. Degradação estética com desculpa de que irá beneficiar um corredor de ônibus que poderia existir sem as novas estruturas. Mais espaços para carros pra legitimar o que a cidade tornou-se nos últimos anos: o planeta carro.

Viadutos da Agamenon priorizam transporte particular, dizem especialistas

A elevação de quatro viadutos na Avenida Agamenon Magalhães, no Recife, é o tema da audiência pública que acontece nesta sexta-feira (30), no auditório do Banco Central, em Santo Amaro. A Secretaria das Cidades do Governo do Estado, órgãos da Prefeitura do Recife, professores da Universidade Federal de Pernambuco e o Ministério Público participam do encontro, iniciado por volta das 9h, que tem por objetivo discutir os impactos e a eficiência das construções na mobilidade e na urbanização da cidade. Todos os três especialistas convidados a analisar a obra foram contra a iniciativa.

O MP convocou a audiência para se posicionar oficialmente sobre a construção polêmica que vem provocando protestos de diversos setores, além dos moradores do entorno dos quatro viadutos. O órgão convidou especialistas em engenharia, urbanização e arquitetura para tecer comentários técnicos a respeito da obra, cujo editral de licitação foi lançado pelo Governo de Pernambuco no dia anterior. Todos rejeitaram a proposta apresentada pelo Governo.

Segundo o professor doutor em arquitetura da UFPE Paulo Cesar Cavalcanti, os viadutos poderão aumentar a velocidade da Agamenon, mas infernizar outras áreas, como a Avenida Rosa e Silva, a região dos Quatro Cantos, no Derby, e a Rua da Hora, das Graças, já que não existem previsões de alargamento dessas vias. “Não estão sendo considerados ou divulgados os prejuízos estéticos, econômicos e ambientais e não há clareza sobre os efeitos da circulação dos pedestres”, afirmou.

O engenheiro e vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Pernambuco (Crea), Maurício Pina Moreira, lembrou que o modelo pensado para o trânsito pelo Governo e Prefeitura do Recife prioriza o transporte particular. Ele criticou a alegação do Estado de que os viadutos irão proporcionar corredores livres para ônibus na Agamenon. “Não podemos fazer medidas para beneficiar o transporte individual e dizer que vai melhorar transporte público”. Ele sugeriu medidas restritivas para o transporte individual e criticou o fato de o Recife não mais fazer planejamento urbano como forma de entender o deslocamento dos habitantes.

Já o professor de arquitetura da UFPE Tomaz Lapa disse que o conceito de vizinhança está sendo esquecido pelo Estado, pois força as pessoas a usarem ainda mais o carro, o que pode causar novos congestionamentos no futuro. “Os viadutos representam medidas de efeitos conjunturais sem atingir o coração do problema”, falou na audiência. “Essas medidas fornecem uma falsa ideia de progresso à margem de grandes rotatórias de alças viárias de cidades como Chigaco e São Paulo”.

A audiência abriu espaço para interessados no assunto opinarem. Alexandre Santos, representante do Clube de Engenharia de Pernambuco, criticou o governador Eduardo Campos, que, segundo o órgão, vem evitando a discussão pública dos detalhes do projeto. Já Vitória Régia, do Instituto de Arquitetos do Brasil, chamou atenção para a degredação urbana ao redor dos viadutos, lembrando os já existentes na capital.

OUTRO LADO – O secretário de Cidades do Governo do Estado, Flávio Figueiredo, disse que os viadutos não impedirão futuros modais, como metrô e VLT (Veículos Leves sobre Trilhos). Ele afirmou que o projeto é o que melhor preserva o espaço físico e defendeu que o Estado defende a priorização do transporte público.

Segundo o Estado, a elevação de quatro viadutos transversais na Agamenon Magalhães vai possibilitar corredores exclusivos de ônibus na segunda etapa do Corredor Norte -Sul, que vai do metrô Joana Bezerra à Fábrica Tacaruna, numa faixa de 4,7 Km.

Figueirêdo também informou que será implantado um novo sistema, o TRO – Transporte Rápido por Ônibus -, com nove estações de passageiros sobre o canal. “Estamos tentando incorporar sugestões de diversos grupos e pessoas afetadas”. Segundo a secretária de Controle, Desenvolvimento Urbano e Obra, Maria de Biase, esse tipo de obra não exige licenciamento prévio, apenas da anuência do prefeito João da Costa. “Foi criada uma comissão de técnicos que estão estudando o projeto”, informou.

A presidente da CTTU, Maria de Pompéia, afirmou que o Governo do Estado ainda não informou quais os impactos dos viadutos nas vias adjacentes. E a presidente da URB, Débora Mendes, disse que o órgão não participou de nenhum ato em relação aos viadutos.

A previsão de início das obras é maio deste ano, com duração de 18 meses. A construção causa polêmica e protesto de moradores próximos à área atingida e também de estabelecimentos que serão diretamente afetados ou desapropriados, como o Clube Português e a Igreja Batista do Parque Amorim. Os viadutos poderiam ainda obstruir as janelas de alguns edifícios.

A foto é do Blog de Jamildo.

Recife o ciberativismo

Texto que fiz para o MundoBit, blog de tecnologia do Portal NE10. As questões urbanas do Recife hoje é um dos temas mais espinhosos na cidade e envolve muitas questões: ética, crescimento econômico, cuidado com a memória da cidade, desenvolvimento sustentável. Muito bom que existe um grupo de pessoas mobilizadas para que tudo isso seja discutido abertamente com todo mundo.

Recifenses articulam mobilizações online por mudanças na cidade

Na última quinta-feira (22), o plenarinho da Câmara dos Vereadores do Recife, no Centro da capital pernambucana, ficou lotado, com pessoas disputando até mesmo o corredor, para acompanhar o debate sobre a construção do projeto Novo Recife, empreendimento que planeja erguer 13 torres na região do Cais José Estelita. A maioria das pessoas que estavam ali foi convocada pelo Facebook, em uma mobilização que planeja articulações que vão além das redes sociais e que possam levar a mudanças concretas.

O ciberativismo e suas mobilizações online estão trazendo diversas mudanças em diversas sociedades. Reverberando anseios que já estão presentes no cotidiano, grupos de pessoas usando blogs, Twitter, Facebook e outras redes promoveram manifestações em países do Oriente Médio e nos movimentos Occupy, sendo o #OccupyWallSt, que durou mais de 100 dias, o mais emblemático — falamos dele aqui.

Pernambuco começa a ter um ciberativismo mais forte, depois de alguns episódios pontuais de protesto. No Recife, a convocação de pessoas para a audiência pública sobre o Projeto Novo Recife foi um marco nas mobilizações online locais. Foi criado um evento no Facebook chamando para o local, onde cerca de 600 pessoas confirmaram presença. Ainda foi feito um abaixo assinado virtual entregue a representantes do empreendimento e órgãos públicos presentes. No dia, perto de 200 pessoas lotaram a sala, pequena para tanta gente.

O grupo “Direitos Urbanos”, no Facebook, foi o principal responsável por reunir interessados em discutir problemas do Recife, como urbanismo, desenvolvimento sustentável, entre outros assuntos. Tudo começou como um local para protestar contra a lei que regula o consumo de bebidas alcóolicas, proposto pela vereadora Marília Arraes (PSB-PE). O espaço cresceu, ganhou novas discussões e acabou por mudar de nome. Com cerca de 800 membros, a preocupação agora é a formulação de propostas para os problemas.

“Temos sociólogos que estudam justamente o problema da violência, arquitetos preocupados com arquitetura social, engenheiros com preocupação urbanística e assim por diante. Infelizmente ainda estamos numa fase de brigar contra os projetos que, a nosso ver, atentam contra uma cidade mais humana”, diz o professor de filosofia da Universidade Federal Rural de Pernambuco e um dos membros do “Direitos Urbanos”, Leonardo Cisneiros. “Acho que o poder público ganharia enormemente se compreendesse bem o poder da web para fomentar ideias e agregar a inteligência de várias pessoas interessadas”.

Para a promotora do Ministério Público de Pernambuco Belize Câmara, a internet pode auxiliar nas reivindicações. “Há uma aceleração das coisas. Antes, imagine como era difícil fazer um abaixo assinado!”, observa. Belize diz que o MPPE está acompanhando com atenção as movimentações na web. “O promotor moderno não pode prescindir das redes sociais”, opina.

A foto é de Alexandre Gondim / JC Imagem, usada na matéria.

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