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Jazz Metal — Por Paulo Floro

Categoria: Quadrinhos (Página 2 de 142)

Um mundo sem homens no trabalho de Aminder Dhaliwal

A quadrinista canadense Aminder Dhaliwal tornou-se um fenômeno no Instagram e Tumblr com suas tiras e quadrinhos cheios de ironia e humor sobre gênero, feminismo e sexualidade. Feliz com essa notícia de que ela será publicada em livro pela Drawn & Quartely.

Woman World mostra um mundo sem nenhum homem. A premissa já foi vista na série Y – O Último Homem, de Brian K. Vaughan e Pia Guerra, mas ao contrário da série da Image, aqui o foco são as mulheres. E claro, a proposta aqui é outra, mais experimental, engraçada (e até filosófica, eu diria).

Segundo a editora o livro vai trazer as HQs mais populares de Aminder, além de muito material inédito. A webcomic dela segue no ar para quem quiser acompanhar.

O livro sai em setembro nos EUA.

Revival, nova editora de HQs francesa, se dedica aos clássicos

Mais HQs históricas chegando ao mercado. A nova editora francesa Revival, capitaneada por Vincent Bernière (o mesmo da nova Cahiers du BD), vai lançar obras clássicas que estavam fora de catálogo ou esquecidas. A coleção “Bédétèque Idéal” é uma iniciativa importante para uma cartografia ainda incipiente das histórias em quadrinhos. Sonho alguém fazer isso aqui no Brasil um dia.

Entre as obras estão M. Poche, de Alain Saint-Ogan, lançada em 1936 e La Variante du Dragon, de Golo & Frank. As HQs dessa coleção englobam títulos lançados entre o final do século 19, nos primórdios dos quadrinhos, e os anos 1980. A editora também vai lançar novos autores, como é o caso de Berliac, autor de Sadboi.

A ActuaBD divulgou um vídeo da nova editora.

O NY Times fez uma edição especial de sua edição de domingo toda em quadrinhos

O NY Times fez a edição de sua revista dominical, o The New York Times Magazine, toda em quadrinhos. O tradicional jornal norte-americano chamou um time de peso para criar histórias a partir de pautas da editoria de “Cidades” (ou Metro Desk, como eles chamam). São 12 histórias ilustradas por Kevin Huizenga, Sammy Harkham, Tillie Walden, David Mazzucchelli, Bill Bragg, Robert G Fresson, Wesley Allsbrook, Bianca Bagnarelli, KL Ricks, Andrew Rae, Francesco Francavilla e Tom Gauld.

O resultado é um delicado compêndio de histórias bem cotidianas que retratam aspectos bem diversos das reportagens do caderno de cidades. O NYTimes publicou as HQs na íntegra em um site interativo. Algumas são bem boas como a de David Mazzucchelli sobre um esquema de falsificação de dinheiro e a de Tom Gauld sobre um homem que perdeu a vista que tinha de sua janela. Aqui tem todas as 12 HQs.

O NY Times é um dos jornais que mais dão espaço aos quadrinhos autorais com quadrinistas e cartunistas sempre presentes em pautas, especiais e projetos multimídia.

My Favorite Things Is Monsters é o fenômeno das HQs autorais este ano

Atualizado 21/07/2018: a HQ ganhou o Eisner de melhor álbum e vai sair no Brasil em outubro com o nome “Minha Coisa Favorita é Monstro”!

Ninguém tinha ouvido falar de Emil Ferris até a editora norte-americana Fantagraphics lançar a HQ My Favorite Things Is Monsters em fevereiro deste ano. Desde então a obra tem se tornando um dos fenômenos editoriais dos quadrinhos de 2017. Com a terceira tiragem anunciada nesta semana a HQ chegou aos 70 mil exemplares, o que é algo impressionante para um gibi autoral.

Chama ainda mais atenção o fato de Ferris ser totalmente desconhecida no cenário dos quadrinhos e de seu livro tratar de um tema não muito palatável: a monstruosidade em suas mais diferentes facetas.

A história se passa em Chicago nos anos 1960 e tem com protagonista uma menina de 10 anos, Karen Reyes, que se apresenta como uma menina-lobo. My Favorite Thing Is Monsters é na verdade o diário de Karen com seus pensamentos, medos, desejos, opiniões. Apaixonada por filmes de terror ela traduz suas emoções em diferentes escalas de monstruosidades. Há ainda referências a momentos históricos como o assassinato de Martin Luther King Jr. e o Holocausto. Uma das tramas principais do livro, inclusive, tem a ver com horrores da 2ª Guerra Mundial.

A HQ foi bastante elogiada em resenhas e também por nomes como Art Spielgeman, que afirmou que Ferris é “uma das mais brilhantes autoras de quadrinhos de nosso tempo”. O autor de Maus afirmou que ela usou o estilo do sketchbook como uma forma de alterar a linguagem dos quadrinhos.

A história de Ferris é tão interessante quanto o livro. Aos 40 anos ela era uma ilustradora freelancer quando contraiu a Doença do Nilo Ocidental, um vírus transmitido por um mosquito. Ela ficou paralisada e teve que aprender a desenhar novamente, apesar da dor crônica e dos movimentos prejudicados. Em um perfil para o New York Times, Ferris disse que lidar com monstros acabou tornando-se uma metáfora para sua vida, mas que a força de vontade a fez superar a doença.

O primeiro volume de My Favorite Things Is Monsters, com quase 400 páginas, é um best-seller. O segundo volume, já em pré-venda, sai em fevereiro de 2018 e terá mais 300 páginas. Espero que as editoras brasileiras não demorem a lançar essa obra, desde já um marco dos quadrinhos alternativos.

Diretas Já, por Henfil (ainda atual)

Diretas Já, por Henfil, ainda atual hoje em dia. A sacada foi de Paulo Ramos, no Blog dos Quadrinhos (uma das melhores fontes sobre HQs no país, hoje atualizado pelo Facebook).

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