Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Categoria: Quadrinhos (Página 1 de 142)

Algumas notas sobre o Jornadas Internacionais de Quadrinhos da USP

  • Entre os últimos dias 22 e 24 de agosto rolou em São Paulo (na Escola de Comunicação e Artes – ECA USP), as 5ªs Jornadas Internacionais das Histórias em Quadrinhos. O evento já é o maior da América Latina e reafirmou ainda mais a sua relevância acadêmica pois passou a ser realizado de maneira anual a partir desta edição de 2018. 
  • Segundo Paulo Ramos, um dos organizadores do evento, este ano o Jornadas teve recorde de trabalhos inscritos, o que surpreendeu muita gente. Por ser a primeira vez que acontecia em dois anos consecutivos, existia o temor da diminuição da quantidade de resumos submetidos. 
  • Muitos trabalhos interessantes foram apresentados no Jornadas este ano, mas destaco aqui a grande quantidade de trabalhos sobre a obra de Marcelo D’Salete, autor de Cumbe e Angola Janga. É bom ver que a a academia já se debruça sobre uma das obras mais importantes das HQs brasileiras em muito tempo. 
  • Apresentei parte de minha pesquisa sobre o imaginário do sertão nos quadrinhos, desta vez com um olhar apenas sobre a obra de Jô Oliveira. Vi muitos trabalhos que, assim como o meu, também analisam a bibliografia dos quadrinhos brasileiros e sua relação com a história e as representações da cultura brasileira. 
  • A conferência de abertura foi da professora Barbara Postema, que também lançou no Brasil o livro Estruturas Narrativas nos Quadrinhos (Peirópolis). Na sua palestra ela falou sobre os quadrinhos mudos. 
  • A conferência de abertura foi novamente bem descontraída –  diferente de muitos congressos acadêmicos – e ainda contou com o anúncio dos vencedores do Troféu HQ Mix nas categorias “melhor TCC”, “melhor dissertação” (vencida por Mayara Lista) e “melhor tese” (vencida por Liber Paz, agora bicampeão do prêmio).
  • Não pude ir no último dia, mas deu para ter uma ideia de como o evento foi bem prestigiado. Sem dúvidas, o Jornadas é hoje um dos espaços mais ricos de debate sobre quadrinhos no Brasil.  Mais do que um evento acadêmico ele é um agregador de uma riqueza crítica sobre essa mídia e suas diversas intersecções com áreas diversas. A presença de veículos especializados cobrindo o evento também indica que o interesse do grande público tem crescido. 
  • E o que é importante: estamos construindo um registro dos estudos de HQs, o que nos ajuda a dar perspectiva e aumentar a importância que os quadrinhos têm hoje nos diversos programas de pós-graduação. 
  • E teve paçoca! 

Titeuf, o livro infantil que chocou Bolsonaro

Aparelho Sexual e Cia, de Zep (pseudônimo da francesa Hélene Bruller) foi levado para a bancada do Jornal Nacional durante a entrevista que o candidato Jair Bolsonaro (PSL) deu na TV Globo nessa quarta (28). Ele tentou mostrar o interior da obra, mas William Bonner e Renata Vasconcelos tentaram impedir.

Mas o que tem o livro de tão horrendo segundo Bolsonaro? Publicado pela Companhia das Letras em 2007, o livro é uma maneira divertida de falar de sexo para pré-adolescentes. Em 2016 Bolsonaro e outros nomes da direita criaram polêmica com a obra alegando uma distribuição nacional por parte do MEC (o que foi negado pelo ministério à época).

Exposição de Titeuf em Angoulême este ano (Paulo Floro/Divulgação).

Titeuf é um dos personagens mais conhecidos do quadrinho francês, mas seu humor pode chocar o leitor brasileiro mais conservador. Sexo e relacionamentos estão entre os temas preferidos dos quadrinhos.

No último Festival de Angoulême, na França, uma exposição em homenagem à Zep e seu personagem Titeuf foram expostos em praça pública. Se fosse aqui no Brasil já podemos imaginar uma reação parecida com a do Queermuseum, dado o avanço do conservadorismo.

Bolsonaro faz questão de destacar trechos da obra que falam de atos sexuais, o que no livro é tratado de maneira engraçada e didática. O mais “chocante” é uma página que incentiva o leitor a colocar o dedo em uma parte vazada do livro como forma de simular um pênis ereto. A educação sexual é algo presente em currículos didáticos em todo mundo. Uma pena que aqui no Brasil esse tema seja usado como mote para uma agenda ultraconservadora e preconceituosa.

A Companhia das Letras divulgou nota em que defende Zep.

Em tempo: Titeuf foi publicado no Brasil em álbuns pela editora V&R. Foram quatro edições publicadas em 2012.

Revolução dos Bichos, de Odyr, será publicada na Itália, Espanha e EUA

Ainda nem saiu no Brasil, mas a HQ de Odyr, A Revolução dos Bichos, adaptação do clássico de George Orwell, será publicada no exterior. Segundo a coluna Babel, do Estadão, a obra ganhará edições na Itália (pela Mondadori), na Espanha (pela Penguin Random House España) e EUA (Houghton Mifflin Harcourt).

Odyr pintou a adaptação toda em aquarela. Aqui no Brasil a obra sai pela Companhia das Letras via selo Quadrinhos na Cia. A obra de Orwell é uma alegoria sobre os jogos de poder da nossa sociedade.

A capa da edição brasileira. 

“A Terrível Elizabeth”: HQ do brasileiro Aarabson sai pela Image nos EUA

O gibi do brasileiro Aarabson, A Terrível Elizabeth Dumn Contra Os Diabos de Terno, vai ganhar edição em inglês pela Image Comics. A obra saiu pela Instituto HQ e teve pouca repercussão. Nos EUA, a HQ será chamada de The Terrible Elisabeth Dumn Against the Devils In Suits e sai no formato “one-shot”, uma edição única em formato americano.

A história gira em torno do pacto que o pai de Elizabeth, uma menina pouco sociável, faz com um homem que lhe aparece 20 anos depois para cobrar a dívida. Assustado, o patriarca da família Dunn oferece a filha como moeda de troca. O que ninguém se dava conta é que Elizabeth é uma adolescente com força descomunal e levá-la não será fácil.

Veja a galeria com o preview: 

The Comics Journal volta a ser publicada como revista impressa

A Comics Journal, uma das principais publicações sobre quadrinhos do mundo, volta a ser publicada de forma impressa. Continuando do número #303, a revista custará 15 dólares e terá duas edições por ano. O lançamento é da Fantagraphics.

O número de retorno chega em janeiro de 2019 com capa de Tomi Ungerer, autor de livros infantis e cartunista satírico. A edição traz ainda uma matéria sobre gentrificação nos quadrinhos, uma introdução aos trabalhos dos cartuns gays de Alex Gard e rascunhos do francês Antoine Cossé. Os novos editores serão RJ Casey e Kristy Valenti.

A Comics Journal foi fundada em 1976 e teve sua última edição em formato revista publicada em novembro de 2009 na edição #300. A edição #301 em 2011 marcou a mudança para o formato livro, que tinha mais de 600 páginas. A edição #302 veio em 2013 e desde então a revista funcionou apenas com o site (que é bem atualizado e traz ótimos conteúdos, aliás).

A volta da Comics Journal impressa é bastante oportuna em tempos de excesso de informação online e competição pela atenção nas telas. O tempo do papel é diferente e isso pode significar um ganho de qualidade nas reflexões sobre o meio. E os quadrinhos merecem uma publicação de prestígio ocupando espaço nas bancas e livrarias.

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