Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Categoria: Trabalhos (Página 3 de 3)

Pequeno Livro do Rock @ JC

Texto que publiquei no JC Online sobre a HQ , do francês .

HQ francesa conta a história do rock de maneira divertida
Paulo Floro
Do JC Online

A história do rock rende uma biblioteca extensa, e quanto mais se aprofunda, mais se descobre desse ritmo que modificou o comportamento jovem em todo o planeta. Foi por isso que o cartunista francês Hervé Bourhis optou por fazer uma abordagem menos enciclopédica e mais afetiva em seu O Pequeno Livro do Rock, que chega às livrarias pela editora Conrad. Recheado de curiosidades, a HQ aborda fatos importantes do gênero desde 1915 até junho de 2009.

Fanático por música, Bourhis fez uma espécie de colcha de retalhos, o que torna a leitura prazerosa. Ele optou por fazer uma abordagem cronológica, mas o modo como apresenta os fatos é irregular, caótico, como o próprio rock.

Na versão original, o livro tinha o formato de um vinil de 45 rotações. A edição brasileira decidiu aumentar um pouco para facilitar a leitura. A tradução também decidiu mexer pouco na arte do autor, utilizando sempre que possível notas de rodapé.

» Leia um trecho da obra

Para contar detalhes e momentos importantes da música, Bourhis se utiliza de reproduções de capas de discos, tiras, sequências em quadrinhos, ilustração, fotografia, cartuns. E apesar de ser uma fonte de consulta e inspiração para quem pesquisa, coleciona, quer conhecer a história do rock, nada aqui é muito didático.

Algumas passagens, inclusive, atiçam o leitor a ir atrás se quiser saber mais. Como por exemplo, a passagem que mostra Iggy Pop conheceu David Bowie, ou Keith Richards, que em 1960, aos 17 anos, conheceu um garoto no metrô que segurava um vinil de Muddy Waters, que por acaso era Mick Jagger.

As passagens recentes mostram as confusões de Amy Winehouse, o mico de Kanye West no VMA de 2007 e a vanguarda do Radiohead. Um índice remissivo torna a obra ainda mais importante pra quem de alguma forma, é tocado por esse gênero que faz a cabeça de jovens desde o início do século passado.

GLOBAL – Como grande parte do que está escrito sobre o rock vem dos EUA ou da Inglaterra, a impressão que se tem é que nada foi feito no gênero em outros recantos do planeta. Ainda que grande parte do que temos de mais relevante veio mesmo da ponte EUA-Reino Unido.

Como é francês, Bouhirs tenta mostrar que seu país tem muito a acrescentar ao pop mundial. São muitas as passagens com o astro Serge Gainsbourg, sempre esquecido e pouco compreendido, sobretudo pelos ianques.

O Brasil também não ficou de fora. Tem Mutantes, João Gilberto e outros nomes importantes no rock brasileiro desenhados na obra. Cuba, Jamaica, e outros países da Europa também estão lá.

Texto publicado no JC Online em 06 de maio de 2010.

Abril Pro Rock 2010


durante show no 2010. Foto: Beto Figueirôa

Fiz mais esta cobertura para o JC Online, o portal de notícias do Jornal do Commercio. Abaixo o resultado do segundo dia.

Hits do conquistam público em noite alternativa do Abril Pro Rock

Por Paulo Floro
Do JC Online

Com um público maior que a noite metal, ocorrida na sexta (16), o Abril Pro Rock teve sua prova de fogo neste segundo dia de apresentações principais no Pavilhão do Centro de Convenções, em Olinda. O festival acabou se saindo bem em sua nova proposta de trazer médios e pequenos nomes numa noite com muita mistura musical. O público ainda está tentando compreender este novo APR, mas as atrações finais, Afrika Bambaataa e Pato Fu fizeram o público ir para casa com uma visão positiva.

Antes, um grande número de bandas ainda pouco conhecida fez o público ficar disperso em boa parte dos shows. O festival tenta formar uma nova geração de público e as apostas da cena independente nacional mostram essa intenção de renovação. Nevilton, do Paraná, que já se apresentou no Recife, ainda não tem disco lançado e é um dos nomes mais comentados entre os novatos deste ano. Outro bom acerto foi o Zeca Viana, que segue firme em sua proposta bastante autoral de um som baseado na psicodelia. Neste dois casos, uma pena um público ainda reduzido pro tamanho que o evento poderia tomar.

Veja como foi a abertura do APR Club
Banda Ratos de Porão comanda a noite do Metal do Abril Pro Rock

O River Raid, de Pernambuco, fez um dos melhores shows entre os “pequenos”, com mais guitarra que suas apresentações anteriores e mostrando que não precisam de mais nada pra estourar. Muito legal o festival colocá-los no palco grande como forma de legitimar uma banda que há tempos cresce um tanto desapercebida na cena roqueira de Recife.

Quando 3 Na Massa subiu ao palco, o público já começava a entrar no clima do festival, por conta das atrações de peso. Marina de la Riva, Karine Carvalho, Nina Becker e Lurdes da Luz foram as quatro cantoras que subiram ao palco na noite. A proposta de unir músicos da Nação Zumbi (Pupillo e Dengue), com Rica Amabis, do Instituto e chamar cantoras do pop nacional tem dado muito certo.

Sofisticado, o show ainda teve intervenções de clipes no telão, com participação de atrizes como Simone Spoladore e Leandra Leal. A plateia fez coro em algumas canções, como “Lágrimas Pretas”, “O Objeto” e a mais romântica da noite, “Loving You”, na voz de Nina. Foi um show pra ficar juntinho com alguém.

O repeteco do Instituto Mexicano Del Sonido animou o público. O show foi ainda mais legal que na quinta-feira, na abertura do APR Club, com a vantagem (para a banda) já que pouca da gente da plateia esteve no primeiro show. Em Afrika Bambaataa, a festa chegava ao seu momento de maior participação do público que dançou com clássicos da música eletrônica. Teve até um momento Funk, com “Tá Tudo Dominado”. Os MC’s do famoso DJ tinham carisma pra deixar o público entrosado. Chegaram a homenagear Chico Science, e claro, a plateia ovacionou, como se agracesse a honra.

Mas carisma mesmo tem o Pato Fu. Pra muita gente que foi ao festival sem conhecer nenhuma banda (ou até mesmo não ter gostado de nenhuma, acontece…), saiu satisfeito com o show da banda mineira. Mesmo com um novo disco, lançado ano passado, Fernanda Takai e trupe focaram apenas nos sucessos, e o que se viu foi todo mundo cantando todas as músicas.

“Canção Pra Você Viver Mais”, “Sobre o Tempo”, “Tudo Vai Ficar Bem” e “Made in Japan” foram alguns dos hits. Teve até canções da fase alternativa e independente ds banda, como “Rotomusic Deliquidificapum”, que o grupo pediu desculpas por não ter ensaiado, mas que acabou se tornando um dos melhores momentos do show. Impossível sair de cara feia depois do show.

TWITTER – No telão, eram mostrados atualizações do Twitter que mostravam pessoas falando sobre o festival, usando a tag #abrilprorock. Todo mundo achou curioso se ver no telão do APR, ainda que alguns posts não tenham aparecido (por razões óbvias de não se fazer contrapropaganda). É interessante um festival desse porte notar essa interação com o público.

Até agora, o Abril é o festival que melhor sabe usar as redes sociais a seu favor, como postar fotos no Flickr, usar um blog como site oficial, twittar, etc. No final, todos saem ganhando.

Texto publicado no dia 18 de abril 2010.

Alice vale a pena por ser um Burton em 3D

está prestes a ficar noiva quando decide estragar o clichê da cena do pedido e anel para cair em um buraco após seguir um coelho branco. Uma viagem lisérgica e um tanto sombria dará o mote desse Alice no País das Maravilhas, novo filme de Tim Burton que estreia na próxima sexta-feira (23) em todo o País. O diretor, conhecido por sua estética bizarra e humor-negro, fez algumas concessões e tornou o filme um entretenimento palatável, com doses de aventura que não afastarão os consumidores da Disney.

Essa briga pelas assinaturas Disney e Tim Burton fica evidente na tela, com um e outro tentando se fixar na mente de quem assiste. Como uma gigante, a Disney consegue amenizar viagens mais ousadas do diretor de Sweeney Todd (Sweeney Todd, o barbeiro demoníaco). A contrapartida compensa: um orçamento de US$ 240 milhões (R$ 420 milhões), cifra nunca antes trabalhada por Burton e a chance de ter acesso às mais modernas tecnologias em 3D. Não à toa, o longa já arrecadou mais do que Avatar em salas com exibição de terceira dimensão.

Esse culto ao trabalho de Burton pode ser o grande calcanhar de Aquiles do filme. Não é, de fato, seu melhor trabalho, mas é injusto analisar Alice apenas por esse viés. Como um conto de fadas maluco, diverte desde as primeiras cenas. E todos os personagens típicos da filmografia burtoniana estão lá, com destaque para os protagonistas que carregam dois arquétipos caros ao diretor: o homem que cedeu à loucura, no que isso tem de libertador e visionário (aqui, o Chapeleiro Louco), e a personagem inadequada ao universo em que nada faz muito sentido (Alice).

O filme une os dois livros escritos pelo inlgês Lewis Carroll sobre a menina de cabelos loiros – Aventuras de Alice no País das Maravilhas (1865) e Através do Espelho e o que Alice Encontrou por Lá (1872). Numa das obras mais famosas da literatura ocidental, o autor Lutwidge Dodgson – codinome de Carroll – tratou de retratar a sociedade vitoriana com símbolos que faziam críticas ao modo de vida da época, entre elas a rigidez das tradições e a decadência da aristrocacia inglesa. Por usar uma protagonista de 11 anos, chegou a levantar suspeitas sobre pedofilia.

Aqui, numa decisão do diretor de não ser fiel ao roteiro original, Alice está mais velha – tem 19 anos – e foge de um casamento arranjado pela irmã e pela mãe para cair num universo de aventuras em que ela pensa ser um sonho. Ela já havia ido nesse “País das Maravilhas” quando criança.

Esta Alice moderna tem uma proposta menos crítica e, da obra original, sobrou mesmo a riqueza dos personagens e a viagem psicodélica e non sense, possibilitadas pelas avançadas técnicas de computação gráfica. Essa mistura de fantasia Disney e estilo autoral de Burton tornou o filme interessante e deu personagens que serão lembrados ainda mais que a Alice interpretada pela novata australiana Mia Wasikowska.

Quem mais chama atenção na tela é Helena Bonhan Carter, mulher do diretor, como a temida Rainha Vermelha, um ser de cabeça enorme que controla o Wonderland com requintes cruéis. As suas aparições dão originalidade ao filme para além do que foi escrito por Carroll. O Chapeleiro Louco de Johnny Depp ficou perfeito dentro do tipo de personagem que o ator se acostumou a fazer nas histórias de Burton.

Os personagens criados em computação gráfica dão um show e mostram como um entretenimento tem cada vez mais prestígio em Hollywood. Nunca seria possível um êxito como este Alice no País das Maravilhas sem recurso suficiente para criar algo como o Gato Risonho, a Lebre, o Coelho Branco. Chama atenção seres tão invoressímeis em ótimo desempenho com atores reais.

Foram os efeitos especiais que possibilitaram também outras características marcantes no filme. A altura dos personagens muda a cada instante e não existe um tamanho padrão em praticamente ninguém. Tudo o que Burton sempre militou no cinema norte-americano foi como sua inadequação podia ser lucrativa. Alice no País das Maravilhas, nesse sentido, é praticamente um libelo.

A crítica foi publicada no JC Online

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