Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

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Como House Of Cards mudou o Netflix (e pode mudar a TV)

Texto que escrevi para o NE10 sobre , a série mais comentada das últimas semanas, uma produção exclusiva da Netflix

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A série House Of Cards é a maior empreitada da Netflix para conseguir mais audiência e se renovar. A empresa pagou US$ 100 milhões, segundo estimativas, para duas temporadas da série estrelada por Kevin Spacey. Segundo o executivo-chefe da empresa Ted Sarandos, o seriado é a maior audiência da história do serviço de stream.

O Netflix, que chegou ao Brasil ano passado, é o mais famoso serviço de streaming de filmes e séries do mundo. Começou como um aluguel a domicílio de títulos e fez a transição para o digital, atuando em diversas plataformas. Para usar, é preciso pagar uma assinatura. No Brasil, é possível assistir aos conteúdos através do computador, aplicativos para TVs inteligentes, PS3, entre outros. Com House of Cards, o Netflix conseguiu uma relevância que estava sendo posta em xeque há alguns meses.

Essa inovação mostrou resultados, o problema é que os números não são exatos. A Procera Networks, empresa que monitora tráfego eletrônico de dados, disse ao jornal The Telegraph, que “11% dos assinantes do Netflix assistiram a pelo menos um episódio da série”. O Netflix não revela a audiência, pois diz que a comparação com a audiência da TV tradicional é desigual. “Estamos felizes com a recepção da série junto à mídia, nas redes sociais e aos nossos assinantes em seus reviews”.

A série conta a história de um congressista americano que sabe vários segredos de Estado. De posse dessas informações, ele espera conseguir o posto de presidente dos EUA. Além de Spacey, estão no elenco Robin Wright e Michael Kelly. David Fincher, de Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, supervisionou a série e dirigiu os dois primeiros capítulos.

Outra mudança que o Netflix implementou para o seriado foi disponibilizar todos os 13 episódios de uma só vez. A ideia é fazer com que os assinantes vejam todos de uma vez, como uma maratona. “O que foi interessante para mim foi a noção de ter um relacionamento com um público que dura mais do que duas horas”, disse Fincher. Com um material como House of Cards, a empresa esper depender menos de estúdios, como acontece hoje com a HBO, que usa seu conteúdo original como uma diferencial no mercado.

A Netflix planeja aumentar seus investimentos em conteúdo original. Em parceria com a Dreamworks, a empresa está desenvolvendo um seriado baseado no filme Turbo, que conta a história de um caracol que ganha supervelocidade.

O filme estreia em junho e o seriado, chamado Turbo: F.A.S.T. chega em dezembro com exclusividade no Netflix.

Uma nova TV
Outras séries originais já foram lançadas pelo Netflix, como Lilyhammer. Mas, House of Cards ganhou toda essa repercussão, sobretudo por ter sido lançada de forma simultânea em todo o mundo. Usuários brasileiros puderam assistir tudo com legendas e acompanhar todos os comentários que estavam sendo feitos pelas redes sociais.

Outros serviços de streaming de filmes, como Hulu e Amazon também planejam a criação de séries originais, estamos vendo uma mudança de panorama na TV como a conhecemos. “Nós somos a nova televisão que não está na televisão”, disse Kevin Spacey.

Mercado HQ: Reformulação da DC Comics é ótimo momento para colecionar heróis

Escrevi para o NE10 sobre a reformulação da DC e de como este era um ótimo momento para voltar a colecionar gibis de super-heróis. Ainda que, no geral, os títulos tenham qualidade mediana, esse reboot representa um momento importante no mercado de quadrinhos do Brasil. Será a primeira vez que todas as revistas de uma editora americana de heróis sairá no País – no caso, as 52 HQs preparadas para o reboot.

Os super-heróis nunca estiveram tão presente na mídia quanto nos últimos anos. Aproveitando a repercussão no cinema – com destaque para a série dos X-Men e de Christopher Nolan – a iniciou uma ousada estratégia de reiniciar mais uma vez seu universo como forma de atrair novos leitores. Em outras palavras, ela zerou todas as revistas e recontou a origem de alguns personagens. Neste recomeço, os superseres surgiram na sociedada há apenas cinco anos.

Batizado de “Novos 52”, em referência ao número de títulos lançados, essas histórias acabam de chegar às bancas brasileiras. Em uma iniciativa inédita, a Panini Comics, que detém os direitos de publicação no País, anunciou que irá lançar todos os títulos dessa reformulação. Será a primeira vez que isso acontece no mercado nacional. Até então, os editores optavam pelas histórias que sairiam aqui, baseado tanto na relevância quanto no potencial de vendas.

Por isso, além dos títulos principais, como , Batman, e Lanterna Verde, outros personagens menos conhecidos e séries sem muito apelo comercial ganharão uma distribuição exclusiva através das comic-shops Comix e Devir.

Serão elas que enviarão aos seus parceiros pelo País. Aqui no , a loja Fênix, no Espinheiro, será a representante local para receber esses títulos exclusivos, um pouco mais caros por terem uma tiragem menor. Considerados mitos modernos, os super-heróis fazem parte da cultura popular do Ocidente e estão presentes no imaginário popular. Agora, leitores antigos de gibis e novatos instigados pelos filmes e séries de TV poderão retomar suas coleções a partir deste mês.

O leu as primeiras edições nacionais da reformulação – Batman, Superman, Liga da Justiça, Universo HQ – e conferiu em inglês os primeiros números dos demais títulos. Quem está com dúvidas desse novo início, o pequeno guia abaixo, pode ajudar.

Superman 
O primeiro número do Superman traz os dois títulos regulares do herói (Action Comics e Superman) e a aventura de sua prima kryptoniana, Supergirl. Escritor por George Pérez, o título-chave do heróis peca pelo excesso de informação. Ficamos descobrindo que o Planeta Diário faz parte de um conglomerado de mídia com acusações de corrupção e Lois é diretora de web e TV da empresa. Mas, o que mais chama atenção é Superman e seu novo uniforme, agora sem a cueca por cima das calças (isso sim um choque!) e parte externa semelhante a uma armadura. É uma tentativa de tentar modernizar o herói, mas experiências como essa não deram muito certo no passado. É esperar para ver.

Já Action Comics tem um roteiro primoroso assinado por Grant Morrison. Nela conhecemos o passado do herói, quando ele ainda estava aprendendo a usar os poderes. O melhor é que faz referências à história original publicada em 1937. O desenho de Rags Morales é outro destaque. Por fim, temos a primeira aparição de Supergirl. A personagem nunca teve momentos memoráveis pré-reboot (a não ser quando morria, coitada). Agora, começaram sua história bem do início, quando ela caiu na Terra vinda de Krypton, ainda adolescente. O primeiro número não entregou muito da série e mostra apenas sua luta contra uma misteriosa organização que já sabia de sua vinda. Vejo potencial na HQ, mas é preciso de um trabalho mais ousado para uma heroína tão sem apelo. Serviço: Superman, R$ 5,90, 64 págs (o primeiro número, excepcionalmente, custou R$ 6,60 e teve 84 págs). Nas bancas. 

Batman
As perspectivas são bem melhores para quem quiser voltar a ler Batman. O herói continuou dois títulos no Brasil, que já existiam antes da reformulação:Batman e A Sombra do Batman. A primeira reúne os três títulos que o herói tem nos EUA: Batman, Batman – The Dark Knight e Detective Comics.

O escritor Scott Snyder coloca Batman em uma investigação de um assassinato que pode envolver seu parceiro de longa data, Dick Grayson. Os desenhos de Greg Capullo trazem um Batman corpulento igual ao que nos acostumamos ver nos filmes recentes. Detective Comics, escrito e desenhado por Tony Daniel reinicia o clássico embate do herói com o Coringa. Por fim, temos Batman – The Dark Knight na mais fraca das três histórias, escrita por Paul Jenkins e desenhada por David Finch. O herói precisa conter uma rebelião no Asilo Arkham, mas o mote aqui é mostrar mais do cotidiano de Bruce Wayne.

Nesta reformulação, o Robin é Damien, o filho de Bruce Wayne, ainda um adolescente. Os dois Robins anteriores já seguem suas carreiras solo, como Robin Vermelho (Tim Drake) e Asa Noturna (Dick Grayson). A DC decidiu manter tudo como estava antes do reboot por causa tanto da aceitação de Damien entre os leitores, mas também porque os antigos Robins já tinha suas próprias histórias.

A revista A Sombra do Batman chega dia 15 deste mês e traz personagens que atuam em Gotham e fazem parte da rede de influência do herói. É um título voltado para os Bat-fãs e é dispensável para o entendimento das histórias principais do Homem-Morcego. No entanto, as aventuras de Batwoman e Asa Noturna (Nightwing) andam valendo muito a pena. Os outros títulos que compõem o mix são Batman e RobinCapuz Vermelho e os RenegadosBatgirl,Mulher-Gato e Batwing. Serviço: Batman 1, 76 págs, R$ 6,50. (O primeiro número foi mais caro e teve mais páginas. O preço normal será R$ 5,90, com 64 págs).

Liga da Justiça
Título central desta reformulação, a HQ foi a primeira desta nova fase a ser lançada e tornou-se sucesso de vendas nos EUA. A história, assinada por Geoff Johns e Jim Lee, mostra os heróis cinco anos antes, durante seu surgimento. É legal ver Batman falando de Superman como alguém de quem ele ouviu falar e todos se encontrando pela primeira vez. Esta estreia deixa um tom de suspense no ar e, segundo a DC, a revista será o centro nervoso desse novo universo. No Brasil, o título ainda traz duas histórias, infelizmente não tão boas: Liga da Justiça Internacional e Capitão Átomo (esta, talvez a pior de todo o reboot). Ambas são repletas de clichês, amontoado de frases de efeito e no caso da segunda, uma trama confusa. Serviço: Liga da Justiça 1, 68 págs, R$ 5,90 (nas bancas)

Lanterna Verde
A DC sabe que os fãs do herói esmeralda são fervorosos, por isso decidiu não resetar as histórias dele. O único cuidado que o roteiro tem é de tentar contextualizar conceitos da trama. Mas não é suficiente. As histórias continuam complexas e são indicadas apenas para quem já acompanhava o título – que fazia muito sucesso, diga-se. Geoff Johns e Doug Mahnke seguem assinando o título principal e trazem o vilão Sinestro carregando o anel de Hal Jordan.Lanterna Verde: Novos Guardiões tem Kyle Rayner, o mais sem graça dos Lanternas em uma história que reconta sua origem. Quem escreve é Tony Bedard, com desenhos sem muita personalidade de Tyler Kirkham. Por fim, a revista traz o título Tropa dos Lanternas Verdes, com Guy Gardner e John Stewart tendo que lidar com um assassino de Lanterdas Verdes. O roteiro é de Pete Tomasi e desenhos de Fernando Pasarin. Serviço: Lanterna Verde 1, 68 págs, R$ 5,90


Uma injustiça a Mulher-Maravilha não ganhar um título próprio. Seria a única mulher entre os heróis mais icônicos da editora a ter uma revista própria. A seu favor, ela teria também um bom roteiro de Brian Azzarello e desenhos de cair o queixo de Cliff Chiang, um dos poucos nomes que trazem um traço mais autoral nesta reformulação. Quem gostar da super-heroína terá que comprar a revista Universo DC (148 págs, R$ 14,90), uma espécie de almanaque que reúne diversos heróis solo da editora. Serviço: Publicada em Universo DC, que também tem histórias de Aquaman, O Selvagem Gavião Negro, A Fúria de Nuclear, Senhor Incrível, OMAC e Falcões Negros. 156 págs, R$ 16,90 (as próximas edições terão 148 págs ao preço de R$ 14,90).

Flash
Outro herói que ganhou uma boa equipe criativa. Francis Manapul, também desenhista, divide o roteiro com Brian Buccellato, escritor já acostumado às histórias do homem mais rápido do mundo. Barry Allen é um perito criminal de Central City que secretamente atua como o velocista escarlate. Sua revista mensal no Brasil trará ainda Arqueiro Verde, escrito por J.T. Krul e desenhos de Dan Jurgens, um tanto monótona e Exterminador, por Kyle Higgins e Joe Bennett, uma HQ interessante sobre um dos mais antigos anti-heróis da editora. Serviço: Flash 1, 68 págs, R$ 5,90 (Lançamento dia 15/6)

O resto do Universo
As opções serão muitas para os leitores nesta reformulação. Além dos heróis mais conhecidos, citados acima, diversos outros pedem uma chance. É o caso de Homem-Animal, herói cult da editora com roteiro de Jeff Lemire, que será lançada por aqui na revista Dark, em julho. E Monstro do Pântano, ainda sem data.

Para dar conta de tantos títulos, a Panini decidiu lançar alguns títulos diretamente em comic-shops, com tiragem menor. Segundo a editora, são revistas com um apelo popular menor, ainda que tenham boas histórias. As revistas já anunciadas até agora são Novos Titãs & Superboy, Universo DC Apresenta: Desafiador, Frankstein, Agente da S.O.M.B.R.A. e Esquadrão Suicida & Aves de Rapina, todos para julho. Ainda há outros títulos sem data, comoLegião dos Super-Heróis, DC Terror, Tropa dos Lanternas Verdes, entre outros.

Para detalhes de preços, mixes e datas de lançamento, o blog Papo de Quadrinho, parceiro do NE10, tem todos os detalhes. Na próxima semana, falaremos da atual situação da Marvel no Brasil e detalhes de como acompanhar a editora para quem estava afastado das histórias ou tem vontade de iniciar uma coleção.

DC? Ah, aquela editora dos heróis mais famosos
Wolverine e Thor podem até terem um sex-appeal irresistível às grandes audiências, mas poucos se gabam se serem icônicos como os super-heróis da DC Comics, a exemplo de Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde, Aquaman, e outros. Esses personagens carregam um simbolismo utópico de mitos, seres quase intocáveis cuja índole – na maior parte das vezes – segue inabalável.

Enquanto heróis da Marvel são mais calcados no mundo real, e demonstram com mais frequência suas mazelas morais, a DC traz uma maior idealização. São como mitos. O interessante desta reformulação é que os leitores poderão ver o início da carreira dos personagens, antes de serem os melhores do mundo. Superman ainda não é uma celebridade unânime. Batman é caçado e visto com desconfiança pela força policial de Batman. Já Flash está dando seus primeiros passos no vigilantismo e tentando conciliar vida profissional com o colante vermelho. A exceção são as histórias interplanetárias de Lanterna Verde, que seguem com seu público fiel e com a cronologia inalterada.

Com um apelo ao colecionismo, esta nova fase da DC Comics por aqui representa o melhor momento para voltar a ler histórias de super-heróis.

Mercado HQ: 50 anos do Incrível Hulk

A coluna de quadrinhos do portal NE10 retorna depois de um período sabático. E escrevi sobre um dos meus personagens favoritos, o queridão verde, .

Hulk, gigante verde e enfezado que amamos, completa 50 anos

O Incrível Hulk – este ser imenso, verde e enfezado que amamos – completa 50 anos. Sua primeira aparição aconteceu na revista The Incredible Hulk #1, em maio de 1962, pelo traço de Jack Kirby e roteiro de Stan Lee. “Ele é um homem ou um monstro… ou ambos?”, perguntava a Marvel em sua capa, ainda com o personagem na cor cinza.

De lá pra cá, Hulk foi crescendo em influência dentro dos quadrinhos de super-heróis, mas nunca se encaixou bem na acepção mais restrita do termo. As histórias sempre se baseavam na luta do cientista Bruce Banner contra sua contraparte poderosa. Mas, durante as décadas, os criadores tentaram encaixá-lo nos mais diversos argumentos. Hulk já fez parte de super-grupos (Defensores, Vingadores), foi fugitivo procurado pelo Governo, vilão, ganhou uma prima igualmente verde e forte (Mulher-Hulk), ganhou personalidade sarcástica, entre diversas outras.

Uma das influências de Stan Lee para o personagem foram os filmes de Frankstein, interpretados por Boris Karloff. O maior criador da Marvel achou interessante criar um monstro que não fosse um vilão. Hulk não queria machucar ninguém, mas a perseguição que sofria das pessoas, do governo e de outros super-seres acabavam por deixá-lo irritado. Em uma das suas primeiras e mais famosas falas, disse: “sai da minha frente, inseto!”. Em sua origem, o renomado dr. Bruce Banner sofre um acidente em um experimento com raios gama e torna-se um ser imenso e superforte (vale ressaltar que na época da Guerra Fria, o mote dos poderes derivados da radição era forte por causa da corrida nuclear EUA-URSS).

Ícone da cultura pop e um dos personagens mais famosos da Marvel, Hulk fez sucesso em uma série de TV nos anos 1970 interpretado por Lou Ferrigno e chegou a ser capa da revista Rolling Stone no auge da popularidade. Nos quadrinhos, suas fases mais aclamadas foram a longa fase do escritor Bill Mantlo no título e Peter David, em especial a fase ao lado do desenhista Todd McFarlane, nos anos 1980.

David também foi responsável pela clássica história em que o personagem trata do espinhoso tema da aids, em 1991. A doença era um estigma ainda maior do que hoje e pouco compreendida pela opinião pública. Os leitores conheceram Jim Wilson, um amigo de longa data de Bruce Banner, que se revelava HIV-positivo. Já nos anos 2000, Bruce Jones teve respaldo da crítica para uma trama de conspiração com muito suspense. Destaque para Bruce Banner usando yoga para controlar Hulk.

Os quadrinhos no Brasil
O personagem sempre foi um dos destaques da Marvel no Brasil. Seu título teve uma vida longeva pela editora Abril, começando em 1983 até 1997, em um total de 165 edições, fora os especiais. Quando a Panini adquiriu os direitos, deu novamente uma revista ao personagem, desta vez com vida breve, com apenas 16 números (2004-2006). Curiosamente, esse período cobre a elogiada fase de Bruce Jones e sua conspiração envolvendo Hulk e o governo americano. Vale a pena procurar em sebos ou comic-shops. Atualmente, as histórias são publicadas dentro do almanaque mensal “Universo Marvel” (100 págs, R$ 14,90). A fase atual é controversa e enfrenta críticas, sobretudo ao roteiro confuso que colocou até mesmo um Hulk vermelho (!).

Nos cinemas, enfim o Hulk definitivo
O filme recente dos Vingadores nos fez lembrar que Hulk foi um dos membros originais dos Vingadores. E que sua importância é grande no Universo Marvel. Mesmo que nunca leu revistas de super-heróis sabe da existência do personagem, tamanha sua força no imaginário popular.

Por isso, a Marvel não iria deixá-lo de fora do blockbuster Os Vingadores. Interpretado por Mark Ruffalo, o gigante verde enfim ganhou uma boa versão nos cinemas. Os dois filmes anteriores pecaram no roteiro e no conceito do herói. Ang Lee, diretor do primeiro longa, mudou a proposta de sua origem para uma história que tratava da relação pai e filho. Já o segundo, com Edward Norton no papel principal, mostrava um Hulk gigantescamente desproporcional. Agora, parece, encontramos o Hulk perfeito, com boa atuação e efeitos especiais convincentes.

O Hulk somos nozes
Um olhar mais detalhado sobre o universo dos super-heróis sempre vai revelar conceitos sobre a natureza humana bastante pertinentes — ainda que em uma roupagem pop. Hulk personifica toda a raiva e frustração que as pessoas vão guardando dentro do cotidiano da vida em sociedade. Um lado bruto. Há quem acredite que o Hulk verde tenha relações com a infância, já que é neutro em suas intenções. É bem diferente do Hulk Cinza, uma personalidade intermediária que condensa toda sua fúria em cinismo e desprezo pela sociedade. Nas HQs, teve uma longa fase conhecido como Sr. Tira Teima. Muitos estudiosos relacionaram a origem de Hulk às teorias de Friedrich Nietzsche (1844 – 1900), que defendia um indivíduo soberano livre das amarras sociais. Filósofos mais antigos, como Sócrates, Descartes e Emmanuel Kant também teorizaram sobre esse lado interior guardado em sobreposição ao comportamento que temos em sociedade. Em resumo, essa vontade suprimida de dizer: “HULK ESMAGA!!!”.

Recife, o Planeta Carro: viadutos da Agamenon

Matéria que fiz para o NE10 sobre os polêmicos viadutos da avenida Magalhães. Degradação estética com desculpa de que irá beneficiar um corredor de ônibus que poderia existir sem as novas estruturas. Mais espaços para carros pra legitimar o que a cidade tornou-se nos últimos anos: o .

da Agamenon priorizam particular, dizem especialistas

A elevação de quatro viadutos na Avenida Agamenon Magalhães, no , é o tema da audiência pública que acontece nesta sexta-feira (30), no auditório do Banco Central, em Santo Amaro. A Secretaria das Cidades do Governo do Estado, órgãos da Prefeitura do , professores da Universidade Federal de Pernambuco e o Ministério Público participam do encontro, iniciado por volta das 9h, que tem por objetivo discutir os impactos e a eficiência das construções na mobilidade e na urbanização da cidade. Todos os três especialistas convidados a analisar a obra foram contra a iniciativa.

O MP convocou a audiência para se posicionar oficialmente sobre a construção polêmica que vem provocando protestos de diversos setores, além dos moradores do entorno dos quatro viadutos. O órgão convidou especialistas em engenharia, urbanização e arquitetura para tecer comentários técnicos a respeito da obra, cujo editral de licitação foi lançado pelo Governo de Pernambuco no dia anterior. Todos rejeitaram a proposta apresentada pelo Governo.

Segundo o professor doutor em arquitetura da UFPE Paulo Cesar Cavalcanti, os viadutos poderão aumentar a velocidade da Agamenon, mas infernizar outras áreas, como a Avenida Rosa e Silva, a região dos Quatro Cantos, no Derby, e a Rua da Hora, das Graças, já que não existem previsões de alargamento dessas vias. “Não estão sendo considerados ou divulgados os prejuízos estéticos, econômicos e ambientais e não há clareza sobre os efeitos da circulação dos pedestres”, afirmou.

O engenheiro e vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Pernambuco (Crea), Maurício Pina Moreira, lembrou que o modelo pensado para o trânsito pelo Governo e Prefeitura do Recife prioriza o transporte particular. Ele criticou a alegação do Estado de que os viadutos irão proporcionar corredores livres para ônibus na Agamenon. “Não podemos fazer medidas para beneficiar o transporte individual e dizer que vai melhorar transporte público”. Ele sugeriu medidas restritivas para o transporte individual e criticou o fato de o Recife não mais fazer planejamento urbano como forma de entender o deslocamento dos habitantes.

Já o professor de arquitetura da UFPE Tomaz Lapa disse que o conceito de vizinhança está sendo esquecido pelo Estado, pois força as pessoas a usarem ainda mais o carro, o que pode causar novos congestionamentos no futuro. “Os viadutos representam medidas de efeitos conjunturais sem atingir o coração do problema”, falou na audiência. “Essas medidas fornecem uma falsa ideia de progresso à margem de grandes rotatórias de alças viárias de cidades como Chigaco e São Paulo”.

A audiência abriu espaço para interessados no assunto opinarem. Alexandre Santos, representante do Clube de Engenharia de Pernambuco, criticou o governador Eduardo Campos, que, segundo o órgão, vem evitando a discussão pública dos detalhes do projeto. Já Vitória Régia, do Instituto de Arquitetos do Brasil, chamou atenção para a degredação urbana ao redor dos viadutos, lembrando os já existentes na capital.

OUTRO LADO – O secretário de Cidades do Governo do Estado, Flávio Figueiredo, disse que os viadutos não impedirão futuros modais, como metrô e VLT (Veículos Leves sobre Trilhos). Ele afirmou que o projeto é o que melhor preserva o espaço físico e defendeu que o Estado defende a priorização do transporte público.

Segundo o Estado, a elevação de quatro viadutos transversais na Agamenon Magalhães vai possibilitar corredores exclusivos de ônibus na segunda etapa do Corredor Norte -Sul, que vai do metrô Joana Bezerra à Fábrica Tacaruna, numa faixa de 4,7 Km.

Figueirêdo também informou que será implantado um novo sistema, o TRO – Transporte Rápido por Ônibus -, com nove estações de passageiros sobre o canal. “Estamos tentando incorporar sugestões de diversos grupos e pessoas afetadas”. Segundo a secretária de Controle, Desenvolvimento Urbano e Obra, Maria de Biase, esse tipo de obra não exige licenciamento prévio, apenas da anuência do prefeito João da Costa. “Foi criada uma comissão de técnicos que estão estudando o projeto”, informou.

A presidente da CTTU, Maria de Pompéia, afirmou que o Governo do Estado ainda não informou quais os impactos dos viadutos nas vias adjacentes. E a presidente da URB, Débora Mendes, disse que o órgão não participou de nenhum ato em relação aos viadutos.

A previsão de início das obras é maio deste ano, com duração de 18 meses. A construção causa polêmica e protesto de moradores próximos à área atingida e também de estabelecimentos que serão diretamente afetados ou desapropriados, como o Clube Português e a Igreja Batista do Parque Amorim. Os viadutos poderiam ainda obstruir as janelas de alguns edifícios.

A foto é do Blog de Jamildo.

Recife o ciberativismo

Texto que fiz para o MundoBit, blog de tecnologia do Portal NE10. As questões urbanas do hoje é um dos temas mais espinhosos na cidade e envolve muitas questões: ética, crescimento econômico, cuidado com a memória da cidade, desenvolvimento sustentável. Muito bom que existe um grupo de pessoas mobilizadas para que tudo isso seja discutido abertamente com todo mundo.

Recifenses articulam mobilizações online por mudanças na cidade

Na última quinta-feira (22), o plenarinho da Câmara dos Vereadores do Recife, no Centro da capital pernambucana, ficou lotado, com pessoas disputando até mesmo o corredor, para acompanhar o debate sobre a construção do projeto , empreendimento que planeja erguer 13 torres na região do Cais José Estelita. A maioria das pessoas que estavam ali foi convocada pelo Facebook, em uma mobilização que planeja articulações que vão além das redes sociais e que possam levar a mudanças concretas.

O e suas mobilizações online estão trazendo diversas mudanças em diversas sociedades. Reverberando anseios que já estão presentes no cotidiano, grupos de pessoas usando blogs, Twitter, Facebook e outras redes promoveram manifestações em países do Oriente Médio e nos movimentos Occupy, sendo o #OccupyWallSt, que durou mais de 100 dias, o mais emblemático — falamos dele aqui.

Pernambuco começa a ter um ciberativismo mais forte, depois de alguns episódios pontuais de protesto. No Recife, a convocação de pessoas para a audiência pública sobre o Projeto Novo Recife foi um marco nas mobilizações online locais. Foi criado um evento no Facebook chamando para o local, onde cerca de 600 pessoas confirmaram presença. Ainda foi feito um abaixo assinado virtual entregue a representantes do empreendimento e órgãos públicos presentes. No dia, perto de 200 pessoas lotaram a sala, pequena para tanta gente.

O grupo “Direitos Urbanos”, no Facebook, foi o principal responsável por reunir interessados em discutir problemas do Recife, como , desenvolvimento sustentável, entre outros assuntos. Tudo começou como um local para protestar contra a lei que regula o consumo de bebidas alcóolicas, proposto pela vereadora Marília Arraes (PSB-PE). O espaço cresceu, ganhou novas discussões e acabou por mudar de nome. Com cerca de 800 membros, a preocupação agora é a formulação de propostas para os problemas.

“Temos sociólogos que estudam justamente o problema da violência, arquitetos preocupados com arquitetura social, engenheiros com preocupação urbanística e assim por diante. Infelizmente ainda estamos numa fase de brigar contra os projetos que, a nosso ver, atentam contra uma cidade mais humana”, diz o professor de filosofia da Universidade Federal Rural de Pernambuco e um dos membros do “Direitos Urbanos”, Leonardo Cisneiros. “Acho que o poder público ganharia enormemente se compreendesse bem o poder da web para fomentar ideias e agregar a inteligência de várias pessoas interessadas”.

Para a promotora do Ministério Público de Pernambuco Belize Câmara, a internet pode auxiliar nas reivindicações. “Há uma aceleração das coisas. Antes, imagine como era difícil fazer um abaixo assinado!”, observa. Belize diz que o MPPE está acompanhando com atenção as movimentações na web. “O promotor moderno não pode prescindir das redes sociais”, opina.

A foto é de Alexandre Gondim / JC Imagem, usada na matéria.

E o 4G no Brasil?

Texto que fiz sobre a chegada da tecnologia ao país. Saiu no MundoBit do Portal NE10.

Falta estrutura para o 4G no Brasil
Demanda da Copa do Mundo acelerou processo de instalação do 4G no país. Especialistas dizem que Governo não segue critério de qualidade

Um dos recursos mais comentados do novo iPad lançado pela neste mês é seu acesso às redes 4G de alta velocidade. Os usuários poderão desfrutar de conexões 10 vezes mais rápidas que as atuais. Ainda sem data prevista para chegar por aqui, os brasileiros que comprarem o novo tablet não poderão usar essa novidade incrível. O motivo é que o 4G é praticamente inexistente por aqui. Mas, o País está correndo atrás.

O leilão da faixa de 2,5 gigahertz, destinada à tecnologia 4G está marcada para abril. Os vencedores deverão cumprir um cronograma de instalação e atendimento. O governo quer que todas as capitais com mais de 500 mil habitantes possuam serviços de telefonia e internet móvel 4G até maio de 2013, a tempo para suprir demandas da Copa do Mundo de 2014.

A meta foi estabelecida em uma audiência pública pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, na última quarta (14). Também foi mantida a exigência de tecnologia nacional nas faixas 2,5 GHz e 450 Mhz, esta voltada para as zonas rurais. Os investimentos de implantação das novas redes terão de usar 50% de produtos de fabricação nacional e destinar 10% para desenvolvimento e pesquisa. Segundo o ministro, as medidas são necessárias para incentivar a produção brasileira.

Apesar da demanda da Copa do Mundo ter motivado o Governo a implementar a tecnologia no Brasil, as previsões são pessimistas, segundo especialistas. “Não estamos atrasados em relação ao resto do mundo, mas falta infra-estrutura”, diz o professor e pesquisador do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Carlos Ferraz. “Acredito que apenas as cidades-sede da Copa tenham acessos 4G até 2014, mas ainda assim deficitário. Falta um planejamento maior e, mais importante, um requisito de qualidade por parte do Estado”, opina.

Sem a Copa do Mundo, o 4G demoraria ainda mais para chegar ao Brasil, mas Ferraz diz que não há integração entre as agências reguladoras e as empresas sobre o que é melhor para o Brasil. “A infra-estrutura de telecomunicações é toda privatizada, mas a Anatel poderia cobrar mais e fiscalizar no sentido de trazer mais qualidade e cobertura”. O pesquisador também explica que o preço também será determinante para popularização da tecnologia e que, à época da Copa, o público prioritário do 4G serão estrangeiros e alguns brasileiros com dispositivos adaptados.

A preocupação faz sentido. Quando foi lançado o edital do 3G, a meta do Governo era de que todo o território nacional tivesse acesso à tecnologia até 2019. Com o 4G, muitos usuários terão de adquirir novos telefones e tablets – como o novo iPad – para poder usar o 4G.

MAS O QUE DANADO É 4G? – O 4G é o nome dado à quarta geração de tecnologia de acesso à internet móvel. O padrão escolhido para o Brasil foi o LTE, depois de concorrer com outras tecnologias de banda larga como o Wimax. As operadoras de telecomunicações e o uso em países como EUA influenciaram na decisão.

LTE é sigla para Long Term Evolution, ou Evolução de Longo Prazo, na sigla em inglês. “É um padrão de redes de comunicação móveis que se encontra em fase de adaptação por parte dos operadores que utilizam tecnologias GSM como 3G/W-CDMA e HSPA e também pelos operadores de CDMA”, segundo definição da Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil. “Esta nova tecnologia de rádio permite velocidades de 100(109)Mb/s de download e 50Mb/s de upload(taxas máximas)”, completa o documento.

“A maior vantagem do LTE é sua capacidade de gerenciar vários terminais em uma mesma célula”, diz o professor do curso de Ciência da Computação, Sílvio Bandeira. Atualmente com o 3G, quanto mais dispositivos acessam a internet em uma determinada área, mais lenta fica a conexão.

Amanhecer Parte 1, o início do fim

O NE10 lançou mais um especial de cinema, desta vez sobre . Dividi os textos com a colega Vanessa Silva. Vejam lá.

Algumas vezes uma obra do entretenimento torna-se o espírito de seu tempo. Ficam famosas por captar todo o humor e os sentimentos de jovens daquela geração, e todos, criadores e público, ficam em sintonia. Isso acaba gerando muito dinheiro e fama para seus protagonistas. É exatamente o caso de Crepúsculo. A série mostra a humana Bella () e seu relacionamento com o vampiro Edward (). O longa que encerra a quadrilogia estreia no mundo todo esta semana. Trata-se de uma primeira parte, apenas. O final mesmo os fãs só conhecerão ano que vem.

Bem melhor, dirão alguns. Assim como fez Harry Potter, dividir o final em duas partes foi a maneira encontrada para aumentar a lucratividade com a série, e por parte dos fãs, postergar a despedida dos personagens que acompanharam por anos. O grande mote deste filme é mostrar o amadurecimento dos protagonistas Edward e Bella. E as cenas ficaram mais quentes, também, contrastando com o início morno e apático. Teremos, além do casamento tão comentado, a primeira noite de do casal. E a lua de mel será no Rio de Janeiro, mais romântico impossível.

Aos 18 anos, Bella se vê grávida de Edward. E isso pode ser mortal para ela. Por isso, os dois retornam à Folks (EUA) para decidir o que fazer. Ele não quer perder o seu grande amor pelo bebê, que será metade humano e metade vampiro, e por isso a pressiona por um aborto. Ela, claro, quer ter o filho de todo jeito, nem que isso custe a sua vida. A decisão final fecha o primeiro filme e antecipa o desenrolar da segunda parte (até parece que ninguém sabe, mas vamos manter o suspense para quem não é fã).

Amanhecer – Parte 1 tem o maior lançamento do ano no Brasil, com 1200 salas. Série de cifras gigantes, o faturamento até agora foi de 1,8 bilhão de dólares com os três primeiros filmes – Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse. A expectativa é que os dois últimos rendam outros US$ 1,2 bilhão. O que explica tanto sucesso é o espírito do tempo que falamos lá em cima. Não importa tanto a qualidade artística da obra (que como qualquer uma, é passível de contestação) e sim o que ela representa para adolescentes e suas referências atuais.

Baseada em um romantismo impossível, a saga foca numa cidadezinha e seus dois personagens estranhos àquele mundo: a humana Bella, que vai morar com seu pai, e Edward, vampiro que também se sente deslocado por ter que fingir ser um garoto de escola secundária. Os dois se apaixonam, mas não podem ficar juntos. A essa equação batida soma-se o lobisomen Jacob Black, que também se apaixona pela garota, a ponto de lutar com sua própria espécie por ela. A trama adolescente, de tons açucarados, é um claro contraste a outras produções estreladas por vampiros, seja no cinema ou na literatura, caso de Drácula de Bram Stocker e Entrevista com o Vampiro, baseado nos escritos por Anne Rice. Seja esse, talvez, a grande sacada de Stephane Meyer ao apostar numa atmosfera menos depressiva e trágica para falar sobre esses imortais sugadores de sangue.

Como outras produções voltadas para jovens a partir do final da década passada, tudo é muito comportado. As gerações atuais foram afetadas diretamente pelo conservadorismo que tomou conta de obras que sempre enveredam pelo politicamente correto. No caso de Crepúsculo, há até uma valorização da abstinência. Sexo subentendido e sugerido pode ter cativado os jovens, que se identificam com a humana Bella, forte e introspectiva (antipática, dirão os detratores). A trama é tão caxias que foi preciso três longas para a primeira noite de sexo. Longe de fazer críticas à sexualidade sublimada, é curioso notar como a saga representou uma mudança de comportamento nos jovens do mundo atual em relação a produções do passado, cheias de contravenção.

Dirigido por Bill Condon, que venceu o Oscar de melhor roteiro em 1988 por Deuses e Monstros, o filme promete ser um sucesso por falar mais uma vez aos adolescentes que acompanharam a trama. Vai mostrar que amadurecer é algo inevitável e que a idade adulta chega. Pode ser doloroso e nem sempre como esperamos, mas sempre chega.

Uma cama de casal para Inaldo

Pernambuco conviveu por décadas com o maior manicômio do Brasil. A reforma psiquiátrica, porém, indica um novo modelo de tratamento que prevê mais qualidade de vida ao paciente, seja no retorno ao lar, seja em atividades terapêuticas singulares. O atendimento também se descentralizou, mas ainda há desafios para o Estado, quinto colocado no ranking nacional de leitos psiquiátricos. O especial traz um panorama atual da saúde mental e histórias de pessoas que todos faziam questão de esquecer.

Demorei para postar aqui essa reportagem especial , feito para o portal com os colegas Isabelle Figueirôa e Wladmir Paulino. Foi a primeira vez que a imprensa local foi saber os bastidores da reforma psiquiátrica e conhecer o cotidiano desses pacientes, que começam a ganhar alguma dignidade depois de anos prisioneiros em hospícios.

O debate é longo e controverso, mas foi legal alguém expor o lado dos doentes e não só a comodidade das famílias. Abaixo, a matéria mais legal de fazer, sobre Inaldo e sua história de amor.

Uma cama de casal para Inaldo

Com uma carta de amor que parecia impossível, Inaldo Pereira pediu Maria em namoro. Ele se agarra a uma informação que parece perdida no tempo. Segundo conta, durante o internamento no Hospital José Alberto Maia, em Camaragibe, pegou a caneta e papel e escreveu o quanto gostava dela. Pereira é analfabeto como deixa claro a identidade que ele faz questão de mostrar a quem chega na residência terapêutica no Centro do Cabo de Santo Agostinho. Aos 53 anos, ele aguarda ansioso pelo momento que possa dormir na mesma cama com sua mulher.

Pereira dorme hoje com o irmão Joaquim em um quarto e divide a casa com outros seis pacientes, todos ex-internos do Alberto Maia. Tem a aparência de quem foi calejado pelo trabalho pesado, o rosto cansado, mas, na verdade, passou grande parte da vida dentro do manicômio. Entrou aos 33 e passou 18 anos, até sair de lá com o fechamento da instituição ano passado. Sentado na cozinha da casa, Pereira acende um cigarro caseiro para tentar imitar como foi feita a carta para Maria. “O que eu mais quero fazer quando ela chegar é muito amor”, diz rindo.

Nascido em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Pereira faz parte de uma família com um histórico de transtorno mental. A mãe e seus outros quatro irmãos tiveram problemas psíquicos e tiveram passagem por hospícios. A irmã, Nancy, entrou no Alberto Maia no início da adolescência e morreu no local, aos 30. O caso nunca foi bem explicado segundo os familiares. O irmão Joaquim sempre esteve próximo e hoje o espreita como uma sombra, repetindo-lhe quase todas as frases. Os primeiros sintomas que denunciaram um comportamento fora dos padrões em Inaldo aconteceram no início da puberdade, quando ateou fogo na porta do quarto da casa onde morava, em Ponte dos Carvalhos, no Cabo.

“Uma vez acordamos e Inaldo estava nu e com uma faca na mão. Foi aí que vimos que era preciso procurar ajuda”, disse a prima e atual curadora, Lucineia Pereira. Inaldo conheceu Maria nos seus primeiros anos no Alberto Maia depois que ela veio de Vicência, na Zona da Mata, onde era moradora de rua. Nos primeiros anos, o pai de Lucineia, que cuidava dos sobrinhos à época, permitiu que o casal viesse do Alberto Maia para o Cabo nos fins de semana. “Eles tinham necessidade grande de fazer ; por isso, criamos um espaço atrás de casa onde puderam ter mais privacidade”. Depois do fim do hospício ano passado, Maria foi transferida para um espaço provisório no km 14 de Aldeia, em Camaragibe.

Com a abertura da nova residência terapêutica no Cabo, os coordenadores deram o presente para os namorados: uma casa onde possam dormir juntos todos os dias. O lugar nasceu da necessidade de receber os últimos moradores do Cabo saídos do Alberto Maia que ainda viviam no espaço provisório em Aldeia. Foi decidido que Inaldo, seu irmão Joaquim e Maria ficariam na mesma casa, que foi inaugurada no final de agosto.

Com dificuldade em se expressar, Inaldo por vezes fixa-se em uma ideia, repetindo frases. Também fantasia em cima de algum fato real ocorrido no passado, recriando memórias com pedaços de realidade e delírio. É o que os psicólogos acreditam se tratar da carta, que pode ter sido escrita por algum funcionário do manicômio ou por ele mesmo, em garranchos que foram facilmente traduzidos por Maria como uma declaração de amor autêntica.

Era final da manhã quando ela chegou com um grupo de pacientes do km 14 na casa do Centro do Cabo. Vieram visitar a reforma da futura residência ali perto, uma prática utilizada pelos técnicos para criar uma familiarização com o novo lar. Cabelos bem curtos, baixinha e vestindo roupas largas, Maria mal ultrapassou o portão e foi atacada pelos beijos de Inaldo. Chegou ansiosa e só relaxou quando acendeu um cigarro de fumo com Joaquim e Inaldo na área externa da casa.

“Maria sempre foi muito bonita”, lembra Inaldo. “Ela me levava para Ponte dos Carvalhos para visitar minha família”. O cuidado mútuo terminou quando se separaram nos últimos anos do Alberto Maia. No momento em que saiu do hospício, Inaldo estava num nível de introspecção que o fazia ter medo de atravessar a rua. Também falava pouco. No início do internamento, quando conheceu Maria, sua família lembra que o relacionamento ajudou bastante o casal. No dia da saída, com uma sacola de roupas e uma caneca, Inaldo pensava na mulher. Imaginava uma casa onde pudessem morar juntos, dormir todos os dias juntos. Ela estaria bonita, bem vestida, de relógio e trancelim. E todos os dias, por estarem juntos, estariam ajudando um ao outro, como antes.

> Leia o especial completo O Caminho de Casa

Steve Jobs 1955 – 2011

Na noite em que morreu o fundador da , , escrevi esse texto para o NE10. Aliás, fizemos uma cobertura da morte dele durante a madrugada desta quinta. Goodbye, Steve.

Steve Jobs foi um dos maiores visionários da tecnologia em todo o mundo. Seu carisma foi um ingrediente para o sucesso dos produtos da empresa, como o iPod, iPhone e o iPad. Ele criou novas necessidades para as pessoas e inovou no modo como nos relacionamos com os dispositivos, desde o computador até o telefone celular. Misturando avanços tecnológicos significativos com design, ele criou verdadeiros fetiches, algo que dava um novo valor a coisas que já existiam há muito tempo. Seu legado é uma das empresas mais ricas do mundo. No entanto, a Apple se encontra num momento em que pode perder a hegemonia em muitas áreas, entre elas a telefonia.

Meses antes da morte de seu fundador, a Apple começava a ser pressionada por demorar em lançar a nova versão do iPhone. Os consumidores acostumaram-se a ter a empresa como ponta de lança da inovação tecnológica. E isto é culpa de Jobs. O fundador fazia de cada aparição um evento mundial que repercutia na vida das pessoas, mesmo entre aqueles que não possuíam nenhum produto Apple. Esses novos lançamentos forçaram outras companhias a se atualizarem, a pensarem em novos modos de cativar o público como Jobs tinha feito.

A genialidade de Jobs estava em criar produtos incrivelmente simples, com um design que dava às pessoas uma intimidade instantânea, sem necessidade de uma iniciação. Isso acabou forçando mudanças não só na indústria de tecnologia, mas no mercado de negócios. E foram muitas revoluções baseadas nesse conceito de criar produtos simples e com muito apelo estético.

E uma revolução pode ser medida pela mudança que traz no comportamento das pessoas. Foi assim lá nos anos 1980, quando mudou o computador pessoal, tornando-o mais interessante de se utilizar para o leitor leigo. Depois, fez o mesmo com o telefone, ao transformá-lo em uma espécie de computador pessoal de bolso. Com a música, criou o iPod e o iTunes e inovou a forma de se consumir música. E fez o iPad um produto essencial para muitas pessoas, mesmo sendo algo inexistente durante anos. Como empreendedor, Jobs conseguiu ganhar muito dinheiro aumentando os lucros e diminuindo os custos dos processos.

Fez tudo isso apostando unicamente na devoção que seus fãs tinham em seus produtos. Agora, sai de cena com um mercado mais competitivo, incluindo brigas abertas contra concorrentes como a Samsung, e uma possível perda de hegemonia em muitos segmentos. Se o iPhone ainda continua como o melhor celular já feito em todos os tempos, o anúncio feito ontem pode dar margem para uma nova geração de dispositivos tão bons quanto. Sem um produto novo, o anúncio do iPhone 4S frustrou expectativas por mais um produto que mudasse o mundo. De novo.

Triste destino do BlackBerry?

Na guerra dos smartphones fiz uma matéria sobre o inferno astral do (do qual sou usuário) para o NE10.

Crise da fabricante do BlackBerry já afasta desenvolvedores

Não param de chegar notícias ruins para a RIM, empresa canadense que fabrica os smartphones BlackBerry. Nesta terça-feira (21), o Seesmic, um desenvolvedor de aplicativo para Twitter anunciou que não vai mais lançar atualizações para os celulares da empresa, focando sua atuação apenas para iOS, Android e Windows Mobile. Depois de quedas nas ações da empresa e a saída de executivos, essa notícia de hoje pode ser o início de uma debandada de desenvolvedores. No Brasil, operadoras ainda apostam no aparelho, enquanto usuários já consideram mudar para outras marcas.

O Seesmic não é o mais popular dos aplicativos para Twitter, mas sua decisão mostra o desinteresse de público pelos famosos e elegantes smartphones da RIM. Desde o final do ano passado, a loja de aplicativos para BlackBerry, o BlackBerry AppWorld vive uma espécie de “deserto criativo”, com poucas novidades se comparado a seus concorrentes, o iOS () e o Android, do Google. Também é fraca em jogos, que nunca foi o seu foco.

O BlackBerry ficou famoso entre executivos com uma plataforma mais voltada para empresas. Considerado o celular mais seguro do mundo, ficou popular também pelo teclado QWERTY que possibilita uma maior rapidez nas mensagens e por seu chat exclusivo, o BBM, praticamente impossível de ser criptografado. Para investidores, a RIM demorou a apresentar inovações frente à concorrência, o que ocasionou uma queda nas vendas.

Pela primeira vez desde 2005, a empresa apresentou queda de vendas. Após o anúncio no último dia 16, as ações da empresa caíram 15% num único dia. No Brasil, as operadores Vivo, Claro, Oi e TIM oferecem o plano de dados do BlackBerry, o BlackBerry Bis. Com um valor fixo, o usuário pode usar o BBM, mandar emails, acessar o navegador para ver sites e usar diversos aplicativos disponíveis, como Twitter e Facebook. As operadoras não divulgam a base de clientes que usam o smartphone, mas recentemente a TIM, a primeira a trabalhar com o aparelho da RIM mostrou ir num caminho oposto à queda de vendas.

A operadora lançou recentemente um preço promocional, cobrando R$ 49 pelo acesso ilimitado, o menor valor entre os planos consultados. “Esta oferta especial permitirá a mais pessoas ter acesso à experiência diferenciada que o aparelho proporciona”, disse Roger Solé, diretor de Marketing Consumer da TIM. A Oi atualmente oferece o plano para todos as modalidades ao valor de R$ 69. A Claro oferece várias possibilidades, desde a utilização apenas do BBM, por R$ 19,90 até a versão mais cara por R$ 99, com a opção de usar o celular como modem. A Vivo, que também cobra R$ 69,90 pelo plano ilimitado, ainda trabalha o plano BlackBerry Social, por R$ 29,90 e possibilidade de atualização dos principais serviços como Twitter, Facebook e Orkut.

O produtor e consultor de comunicação para empresas Fernando de Albuquerque é um dos partidários do aparelho preto e elegante. “Tenho um carinho pelo Black. Ele é fácil de utilizar e tem aplicativos úteis como as mensagens BBM. A desvantagem é que o sistema operacional envelhece muito rápido e os bugs se tornam muito constantes”, diz. Já o professor Henrique Sobral já trocou três vezes de BlackBerry, mas admite que irá optar por um mais popular. “Meu próximo aparelho será um iPhone ou algum com o [sistema operacional] Android. No BlackBerry você paga por uma grife. Mas foi-se o tempo em que ele representava a vanguarda dos telefones”.

A RIM e seus BlackBerry ficaram populares entre o setor corporativo, e por algum tempo foram o principal rival do iPhone, da Apple. Atualmente, usuários e especialistas acreditam que a Samsung tenha ocupado esse posto com seus smartphones baseados em Android.

Uma resenha do Google +

Escrevi as primeiras impressões do para o portal NE10, onde aliás estou cobrindo tecnologia desde o mês passado. E como aqui é minha extensão online pessoal, diversos posts sobre o assunto vão aparecer por aqui.

Batendo o Facebook

O Google lançou nessa semana o Google +, uma nova estratégia para ganhar terreno no universo das mídias sociais depois de ver o Orkut ofuscado pela onipotência do Facebook. A empresa afirma que a nova empreitada não se trata de uma rede social, mas sim um novo método de compartilhamento. Ainda no período de testes, e por isso, com acesso restrito a convidados, os primeiros dias do site evidenciaram que o Google conseguiu levar sua proposta de fazer uma web intuitiva e descomplicada para o Google +. Por outro lado, fica explícito que a empresa aproveitou muito da usabilidade do Facebook.

A grande diferença entre os dois – Facebook e Google + – é que o último não é uma rede social, nas palavras do Google. “Desejamos mudar a comunicação online para que ela seja tão natural, enriquecedora e diversificada quanto nossas interações na vida real”, escreveu o executivo do Google, Vic Gundotra, no blog oficial do grupo. A novidade maior é que o site trabalha com a ideia de “círculos”, uma rede de pessoas unidas por afinidade. Outro diferencial são os “hangouts”, uma ferramenta que possibilita conversas de áudio e vídeo com várias pessoas online.

Por não se tratar de uma rede social – ao menos não conceitualmente – o Google + torna-se interessante por não focar na fogueira das vaidades que se transformou outras redes como o Twitter e o Facebook, por exemplo. Uma pessoa pode ser muito popular, mas ter apenas amigos íntimos em seus círculos, exatamente como funciona na vida real. A impressão é de que todos os usuários fazem parte de uma grande rede e estão disponíveis para serem convidados a participar de grupos com afinidades comuns.

O acesso atualmente está restrito a convidados. Quem já está na rede pode convidar outros usuários, mas a ideia é que em breve todos possam fazer parte. A estratégia já foi utilizada em outras ferramentas do Google, como o Orkut e até mesmo o Gmail.

O site é uma página pessoal, onde é possível compartilhar links, comentários, fotos, postagens de amigos, entre outros. O botão +1, lançado mês passado é amplamente utilizado e está integrado no buscador e atualmente presente em várias páginas pela web. Na prática, é como o “curtir” do Facebook. Segundo a empresa, os resultados de pesquisas na web mostrará como mais relevante o que for compartilhado no Google +.

As semelhanças são muitas com a rede social de Mark Zuckerberg. O layout da página é muito semelhante, com o feed de notícias, aqui chamado de “Stream”, as notificações no topo, um espaço multimídia para compartilhar e um menu básico à esquerda. A diferença mesmo fica por conta dos círculos, algo que possibilita uma interação até agora inédita no Facebook. A privacidade também ganha mais atenção. Para cada postagem, o usuário precisa avisar para quem ele está compartilhando aquilo, desde algum círculo específico até aquele amigo próximo.

A ferramenta Sparks apresenta vídeos, fotos e outros conteúdos compartilhados pelo usuário. Nessa página randômica estarão postagens de todos os usuários presentes no Google + e não apenas quem está nos seus círculos, o que deixa ainda mais evidente a ideia de vida em rede pensada pela companhia de Mountain View. As primeiras impressões mostram que a página soube aproveitar avanços do concorrente e conseguiu fazer uma página mais amigável. Vamos ver se as pessoas conseguirão se desapegar do que o Facebook tem de pior para fazer do Google + chegar à liderança.

ORKUT VIVE – Como a ideia é que o Google + seja uma página pessoal com compartilhamento, o Orkut continua firme e forte, segundo o Google. Apesar das críticas de que é um antro de spammers, usuários mal-intencionados e de que perdeu o prestígio no mundo, a rede social não vai deixar de existir. A ideia é de que seja cada vez mais integrada a outros serviços da empresa. Não irá acontecer uma migração para o Google +, como apontavam alguns rumores.

A foto peguei no perfil do Alexandre Matias no +.

Nesta edição: o cu

Uma das matérias mais ousadas que já pautamos. Eu, Fernando de Albuquerque e Alexandre Figueirôa decidimos escrever sobre um tabu cultural em relação ao nosso corpo. Enquanto todas as outras partes do corpo já foram cantas, versadas, filmadas e pintadas à exaustão, o cu ainda permanece como uma zona proibida. Palavra delicada, ainda cochichada. Mas, nas artes, não deveria existir campos minados. Convidamos um profundo conhecedor no mundo das artes, que assinou com o pseudônimo Rocha Jr. e nosso querido repórter especial Biu (que passou um tempo sumido).

Aproveito aqui para dizer que a nossa querida Revista O Grito! está de volta. E está linda. Já viram? Esperem mais pautas como essa.

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