Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Tag: Urbanismo

Recife: Um monte de perguntas

É meio triste ver praças sendo mutiladas em benefício dos automóveis, ver casarões históricos e igrejas barrocas sendo derrubados. Nada contra o moderno. Mas por que não se fazem obras modernas sem destruir as antigas? Por que numa cidade tropical não se abre espaços para o verde, para a circulação do vento, para deixar a qualidade de vida das pessoas melhor? Por que tantos edifícios monumentais e uma rede de esgoto que não dá conta de tanta merda? Por que tantas ruas que não suportam mais tantos carros? Por que tantos mendigos morando nas praças e avenidas? Por que tantos bandidos matando e roubando nas ruas da cidade? Se você tiver resposta para tudo isto então eu vou dizer que a frase citada por você ” está sendo mutilada” é apenas uma pérola dos ativistas pró-passado.

De Alexandre Figueirôa, respondendo a um comentário sobre uma reclamação dos chamados “ativistas pró-passado”.

Como foi o #OcupeEstelita no domingo (FOTOS)

Aconteceu neste domingo (15), com sol forte e cerca de 400 pessoas (não sei fazer cálculo de gente como a polícia, mas muitos mais podem ter ido), o #OcupeEstelita. O movimento foi organizado através das redes sociais, com destaque para atuação do grupo Direitos Urbanos, no Facebook. A ideia foi protestar contra a construção do projeto , que planeja construir 13 torres residenciais e empresariais na região do Cais José Estelita, com importante valor histórico, mas hoje abandonado.

Como o post no blog do Direitos deixa claro, a manifestação de hoje não foi apenas contra as novas torres, e sim contra todo o atual projeto de e mobilidade da cidade, como os da Magalhães. Ou seja, envolve meio-ambiente, cidadania, respeito à memória afetiva da cidade, mobilidade, . Saiba mais sobre os projetos e as mobilizações, aqui. E para formar sua opinião conscientemente, leia também o outro lado, através de um comunicado oficial das construtoras, nesta matéria.

Abaixo, as fotos de hoje. O que vi por lá: Muitas crianças, cachorros, piscina de plástico, show de Catarina Dee Jah, circo, LaUrsa, maracatu, gente jovem, idosa, barco pirata, abaixo-assinado. O trânsito não foi fechado em nenhuma das vias momento algum. Alguns carros foram parados para que meninas de biquini mostrassem cartazes chamando atenção para a manifestação. Essa foi uma das partes mais divertidas do Ocupe. “A revolução é irresistível”.

#OcupeEstelita neste domingo

O blog Direitos Urbanos, que nasceu do grupo de mesmo nome no Facebook, está organizando a manifestação neste domingo que pede uma cidade mais democrática e com mais apreço pela memória do . Tudo o que você precisa saber sobre o movimento e como chegar está aqui.

Tem mais arte da manifestação!

Por Karina Buhr

Recife, o Planeta Carro: viadutos da Agamenon

Matéria que fiz para o NE10 sobre os polêmicos viadutos da avenida Magalhães. Degradação estética com desculpa de que irá beneficiar um corredor de ônibus que poderia existir sem as novas estruturas. Mais espaços para carros pra legitimar o que a cidade tornou-se nos últimos anos: o .

da Agamenon priorizam particular, dizem especialistas

A elevação de quatro viadutos na Avenida Agamenon Magalhães, no , é o tema da audiência pública que acontece nesta sexta-feira (30), no auditório do Banco Central, em Santo Amaro. A Secretaria das Cidades do Governo do Estado, órgãos da Prefeitura do , professores da Universidade Federal de Pernambuco e o Ministério Público participam do encontro, iniciado por volta das 9h, que tem por objetivo discutir os impactos e a eficiência das construções na mobilidade e na urbanização da cidade. Todos os três especialistas convidados a analisar a obra foram contra a iniciativa.

O MP convocou a audiência para se posicionar oficialmente sobre a construção polêmica que vem provocando protestos de diversos setores, além dos moradores do entorno dos quatro viadutos. O órgão convidou especialistas em engenharia, urbanização e arquitetura para tecer comentários técnicos a respeito da obra, cujo editral de licitação foi lançado pelo Governo de Pernambuco no dia anterior. Todos rejeitaram a proposta apresentada pelo Governo.

Segundo o professor doutor em arquitetura da UFPE Paulo Cesar Cavalcanti, os viadutos poderão aumentar a velocidade da Agamenon, mas infernizar outras áreas, como a Avenida Rosa e Silva, a região dos Quatro Cantos, no Derby, e a Rua da Hora, das Graças, já que não existem previsões de alargamento dessas vias. “Não estão sendo considerados ou divulgados os prejuízos estéticos, econômicos e ambientais e não há clareza sobre os efeitos da circulação dos pedestres”, afirmou.

O engenheiro e vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Pernambuco (Crea), Maurício Pina Moreira, lembrou que o modelo pensado para o trânsito pelo Governo e Prefeitura do Recife prioriza o transporte particular. Ele criticou a alegação do Estado de que os viadutos irão proporcionar corredores livres para ônibus na Agamenon. “Não podemos fazer medidas para beneficiar o transporte individual e dizer que vai melhorar transporte público”. Ele sugeriu medidas restritivas para o transporte individual e criticou o fato de o Recife não mais fazer planejamento urbano como forma de entender o deslocamento dos habitantes.

Já o professor de arquitetura da UFPE Tomaz Lapa disse que o conceito de vizinhança está sendo esquecido pelo Estado, pois força as pessoas a usarem ainda mais o carro, o que pode causar novos congestionamentos no futuro. “Os viadutos representam medidas de efeitos conjunturais sem atingir o coração do problema”, falou na audiência. “Essas medidas fornecem uma falsa ideia de progresso à margem de grandes rotatórias de alças viárias de cidades como Chigaco e São Paulo”.

A audiência abriu espaço para interessados no assunto opinarem. Alexandre Santos, representante do Clube de Engenharia de Pernambuco, criticou o governador Eduardo Campos, que, segundo o órgão, vem evitando a discussão pública dos detalhes do projeto. Já Vitória Régia, do Instituto de Arquitetos do Brasil, chamou atenção para a degredação urbana ao redor dos viadutos, lembrando os já existentes na capital.

OUTRO LADO – O secretário de Cidades do Governo do Estado, Flávio Figueiredo, disse que os viadutos não impedirão futuros modais, como metrô e VLT (Veículos Leves sobre Trilhos). Ele afirmou que o projeto é o que melhor preserva o espaço físico e defendeu que o Estado defende a priorização do transporte público.

Segundo o Estado, a elevação de quatro viadutos transversais na Agamenon Magalhães vai possibilitar corredores exclusivos de ônibus na segunda etapa do Corredor Norte -Sul, que vai do metrô Joana Bezerra à Fábrica Tacaruna, numa faixa de 4,7 Km.

Figueirêdo também informou que será implantado um novo sistema, o TRO – Transporte Rápido por Ônibus -, com nove estações de passageiros sobre o canal. “Estamos tentando incorporar sugestões de diversos grupos e pessoas afetadas”. Segundo a secretária de Controle, Desenvolvimento Urbano e Obra, Maria de Biase, esse tipo de obra não exige licenciamento prévio, apenas da anuência do prefeito João da Costa. “Foi criada uma comissão de técnicos que estão estudando o projeto”, informou.

A presidente da CTTU, Maria de Pompéia, afirmou que o Governo do Estado ainda não informou quais os impactos dos viadutos nas vias adjacentes. E a presidente da URB, Débora Mendes, disse que o órgão não participou de nenhum ato em relação aos viadutos.

A previsão de início das obras é maio deste ano, com duração de 18 meses. A construção causa polêmica e protesto de moradores próximos à área atingida e também de estabelecimentos que serão diretamente afetados ou desapropriados, como o Clube Português e a Igreja Batista do Parque Amorim. Os viadutos poderiam ainda obstruir as janelas de alguns edifícios.

A foto é do Blog de Jamildo.

Recife o ciberativismo

Texto que fiz para o MundoBit, blog de tecnologia do Portal NE10. As questões urbanas do hoje é um dos temas mais espinhosos na cidade e envolve muitas questões: ética, crescimento econômico, cuidado com a memória da cidade, desenvolvimento sustentável. Muito bom que existe um grupo de pessoas mobilizadas para que tudo isso seja discutido abertamente com todo mundo.

Recifenses articulam mobilizações online por mudanças na cidade

Na última quinta-feira (22), o plenarinho da Câmara dos Vereadores do Recife, no Centro da capital pernambucana, ficou lotado, com pessoas disputando até mesmo o corredor, para acompanhar o debate sobre a construção do projeto , empreendimento que planeja erguer 13 torres na região do Cais José Estelita. A maioria das pessoas que estavam ali foi convocada pelo Facebook, em uma mobilização que planeja articulações que vão além das redes sociais e que possam levar a mudanças concretas.

O e suas mobilizações online estão trazendo diversas mudanças em diversas sociedades. Reverberando anseios que já estão presentes no cotidiano, grupos de pessoas usando blogs, Twitter, Facebook e outras redes promoveram manifestações em países do Oriente Médio e nos movimentos Occupy, sendo o #OccupyWallSt, que durou mais de 100 dias, o mais emblemático — falamos dele aqui.

Pernambuco começa a ter um ciberativismo mais forte, depois de alguns episódios pontuais de protesto. No Recife, a convocação de pessoas para a audiência pública sobre o Projeto Novo Recife foi um marco nas mobilizações online locais. Foi criado um evento no Facebook chamando para o local, onde cerca de 600 pessoas confirmaram presença. Ainda foi feito um abaixo assinado virtual entregue a representantes do empreendimento e órgãos públicos presentes. No dia, perto de 200 pessoas lotaram a sala, pequena para tanta gente.

O grupo “”, no Facebook, foi o principal responsável por reunir interessados em discutir problemas do Recife, como , desenvolvimento sustentável, entre outros assuntos. Tudo começou como um local para protestar contra a lei que regula o consumo de bebidas alcóolicas, proposto pela vereadora Marília Arraes (PSB-PE). O espaço cresceu, ganhou novas discussões e acabou por mudar de nome. Com cerca de 800 membros, a preocupação agora é a formulação de propostas para os problemas.

“Temos sociólogos que estudam justamente o problema da violência, arquitetos preocupados com arquitetura social, engenheiros com preocupação urbanística e assim por diante. Infelizmente ainda estamos numa fase de brigar contra os projetos que, a nosso ver, atentam contra uma cidade mais humana”, diz o professor de filosofia da Universidade Federal Rural de Pernambuco e um dos membros do “Direitos Urbanos”, Leonardo Cisneiros. “Acho que o poder público ganharia enormemente se compreendesse bem o poder da web para fomentar ideias e agregar a inteligência de várias pessoas interessadas”.

Para a promotora do Ministério Público de Pernambuco Belize Câmara, a internet pode auxiliar nas reivindicações. “Há uma aceleração das coisas. Antes, imagine como era difícil fazer um abaixo assinado!”, observa. Belize diz que o MPPE está acompanhando com atenção as movimentações na web. “O promotor moderno não pode prescindir das redes sociais”, opina.

A foto é de Alexandre Gondim / JC Imagem, usada na matéria.

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