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Jazz Metal — Por Paulo Floro

Tag: Olimpíadas

Brasil sem maquiagem: algumas verdades que precisamos ouvir

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é um humorista carioca que está ficando conhecido por causa do vídeo Brazil Without Make-up. O vídeo faz uma crítica em inglês da cerimônia de encerramento das de Londres, que representou o Brasil cheio de estereótipos. Com uma maquiagem chamativa, remetendo aos índios, ele dissecou o show, que contou com sambistas, Sorriso, o gari sambista da Sapucaí e até Marisa Monte de Iemanjá.

Autor da direção e roteiro do vídeo, Rafucko é um talento para ficar de olho. O Trabalho Sujo fez um post mostrando outros trabalhos dele, igualmente ótimos como esse. No “Brasil sem maquiagem”, ele faz uma ácida crítica no clichê confortável vendido ao exterior do Brasil como um país da alegria. Pegando como mote tudo o que foi mostrado na homenagem ao Brasil em Londres, ele lembrou do preconceito contra as religiões afro (“Iemanjá estaria mais segura na Inglaterra”) e o baixo salário pago aos garis. Ele mostra contradições no discurso do governador Sergio Cabral, que disse que o Museu do Índio deveria ser demolido por uma exigência da Fifa. A Fifa, por sua vez, negou, tirando o corpo fora.

“A apresentação do Brasil nas Olimpíadas de Londres foi um show muito bonito, mas pouco honesto”. Segundo o Jornal do Brasil, Rafucko afirmou que não recebe nenhum financiamento para fazer seus vídeos. O vídeo segue bombando, e por ser falado em inglês, esperamos que ganhe repercussão internacional. O site da Al Jazeera já repercutiu. Tem coisas que precisamos ouvir. O Brazil Without Makeup tem site oficial e Facebook. E Rafucko posta outros trabalhos em sua página. Vale a pena.

Brasil precisa de sorte

Assisti à partida pelo ouro do futebol feminino pela internet. Com a derrota do time de Marta, cresce na blogosfera a teoria da urucubaca brasileira. Mais cedo, em casa, o time feminino de vôlei conseguiu virar e vencer a China. As duas equipes eram favoritas. Uma ganhou de virada o primeiro set e passou à final e a outra entregou o ouro no primeiro tempo da prorrogação com um gol dos EUA.

Isso sem falar em e o episódio da vara.

Falta de apuro técnico? Cagaram no pau? Nervosismo? Falta de nível?

Sobre isso, o Contardo Calligaris publicou um texto ótimo (e qual dele não é?) em sua coluna na FSP hoje:

(…) os campeões, ao menos durante um tempo de sua vida, focam seu desejo, ou seja, persistem em desejar apenas uma coisa. Até aqui eles são parecidos com a gente.
Só que, diferentes da gente, eles se autorizam a desejar uma coisa que é difícil, mas que não lhes é impossível: desejam a excelência num ofício para o qual eles têm talento. Restaria se perguntar por que um campeão pode falhar. Pois bem, até os campeões precisam daquela coisa que faz com que, um dia, milagrosamente, a disposição, o humor, a temperatura, o brilho do sol ou o barulho da chuva conspirem para que tudo dê certo. Ou seja, precisam de sorte. Boa sorte a Diego nos próximos Jogos Olímpicos.

Peguei a foto do Novo Em Folha.

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