Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Tag: Coquetel Molotov

A “Sauna Cine” está morta. Viva a Sala Cine


, num dos shows mais interessantes da Sala Cine. Foto: Caroline Bittencourt

A “Sauna Cine”, apelido carinhoso dado para a Sala Cine – também no Centro de Convenções da UFPE –, local dos shows de abertura do No Ar: , antes conhecida pelo aperto e calor, deu lugar a um novo espaço com quase o dobro do tamanho. A nova configuração faz eco com a própria música independente que o festival faz de vitrine. Bandas que se apresentaram na Sala Cine poderiam estar no teatro e vice-versa. Nos dois dias de evento, o público conheceu nomes tidos pela organização como promessas, entre eles os pernambucanos Voyeur e Massarock e Bemba Trio, da Bahia. Além dos tradicionais suecos.

Dessa leva de emergentes quem mais chamou atenção foi o Do Amor, banda carioca formada por músicos que já tocaram com Caetano Veloso e que acompanham a cantora Nina Becker nos shows. O grupo faz um rock bem-humorado sem que isso comprometa a qualidade das músicas. O público lotou o espaço para dançar ao som de forró, carimbó paraense e heavy metal, presentes no disco de estreia, como Chalé, I picture to myself e Pepeu baixou em mim. Como no ano passado a Sala Cine apostou em experiências sonoras mais experimentais, ritmos que fogem da ideia pré-concebida que se tem do Coquetel.

O Bemba Trio, um dos projetos do músico baiano Russo Passapusso foi mais um exemplo feliz da vocação da Sala Cine dentro do festival. O cantor se mostrou bem à vontade em seu reggae com hip hop. Conseguiu boa empatia com a plateia, mas o uso de alguns chavões acabaram por comprometer um interesse posterior no trio. Houve até o momento “levantem os isqueiros”.

Na mesma proposta de fundir estilos, os pernambucanos do Voyeur se saíram melhor. Formados por Ju Orange (Ampslina) nos vocais, Paulista (Candeias Rock City) nas guitarras e Pauliño Nunes (Júlia Says), todos da atual cena indie da cidade, conseguiram mostrar novas ideias para o revisionismo do electro-rock dos anos 80.

Das bandas suecas novatas ou menos conhecidas que sempre ganham vez nesse palco gratuito, a que mais chamou atenção foi a dupla !. As irmãs gêmeas Miriam e Johanna, 20 anos, fizeram um show bem delicado, com músicas tristes, o que nos leva a imaginar de onde tiram inspiração para tanta melancolia com tão pouca idade.

Simpáticas, representaram bem a fofurice escandinava que sempre aporta por aqui no Coquetel Molotov. Na mesma linha, o show de Anna von Hausswolff ao piano mostrou porque a garota está sendo comparada a Kate Bush. Com essa nova fase a Sala Cine UFPE reafirma sua vocação dentro do festival. Os indies nanicos – em projeção – agradecem.

O texto saiu na segunda-feira no Caderno C, do Jornal do Commercio.

No Ar Coquetel Molotov

Arthur Dantas confabulando com os manos do Emicida

Otto rebolando foi muito amor.

Com seu visual de bibliotecária, Victoria, do Taken By Trees, mostrou empatia com o público mesmo com a cara de abusinho fake.

Ana Garcia com o .

Do Amorrr

Junior Black apareceu no Das Cavernas, no foyer do festival.

Minha melhor descoberta, o .

Todas as fotos por Caroline Bittencourt.

A invasão do Coquetel Molotov

Depois de longa espera causada por especulações sobre as atrações internacionais, o divulgou a programação completa do festival No Ar, que acontece a partir do dia 3 de setembro e tem os shows principais nos dias 24 e 25 no Teatro da UFPE. A banda norte-americana, que chegou a ser divulgada extra-oficialmente foi confirmada. Além dele, outros nomes nacionais como os cariocas , o paulista Rômulo Fróes e o pernambucano Zé Cafofinho e Suas Correntes chamam atenção nesta edição.

Com o prestígio que acumulou nesses anos, o festival sempre gera expectativa. É o único com articulações e perfil para trazer nomes recentes do cenário da música pop. E numa cidade que até então era conhecida por receber turnês de despedida, esse grupo de produtores mudou o panorama. “Trabalhamos o ano todo para trazer novidades, obviamente fazer um festival não é tão simples assim”, diz Ana Garcia, uma das cabeças pensantes do trio de produtores que comanda o CM. Ela comenta a “responsabilidade” que o No Ar ganhou nesses anos, de trazer bandas interessantes. E claro, isso também acaba gerando críticas. “Viajamos muito este ano tentando pescar coisas novas. Acho que a ocupação de novos espaços como o Memorial e Pátio nos ajudou muito a atender as expectativas”.

Este ano, mais descentralizado, o festival engordou e terá mais shows, além de debates, oficinas e a mostra de vídeo Play The Movie, que já teve em outras edições. Esses eventos ocupam espaços como o Pátio de São Pedro, Memorial Chico Science e Nascedouro de Peixinhos. Nesses locais, tidos como agenda prévia dos dois dias principais, há coisas interessantes, como Rômulo Fróes (SP), que toca no Santander Cultural, e Apanhador Só, com elogiado disco novo, que se apresenta no Pátio de São Pedro (veja programação completa abaixo). “2 dias de festival sempre passava uma sensação de não ser suficiente”, conclui Ana.

Das duas atrações principais, Otto é o caso mais curioso. Ele assinou um contrato de exclusividade de não fazer nenhum show no Grande Recife desde o Carnaval, para não perder o efeito de sua vinda. Com sua presença no festival, o músico confirma o reposicionamento de imagem que construiu nesses últimos anos. Elogiado pela crítica e mais popular do que nunca, ele mostra que funciona em um palco alternativo e nas novelas (faz parte da trilha de folhetins da Globo e Record). Seu último álbum, Certa Manhã, Acordei de Sonhos Intranquilos foi lançado ano passado e teve destaque no jornal The New York Times.

Já os americanos . é uma instituição do rock, com bom currículo e um disco recente, Farm, bem cotado. É um grupo que envelheceu bem, formou público jovem, mas que ainda resgata antigos admiradores nostálgicos perdidos nos anos 90. Existe ainda um outro nome a aguardar ansiosamente, os suecos do Miike Snow, que tinha presença garantida, mas anunciaram problemas na turnê que fariam no Brasil. Os produtores devem divulgar no máximo até segunda a vinda deles.

Aqui a programação completa.

Escrevi o texto acima no JC Online. Dá pra ouvir música lá.

Mais shows gringos em 2010, sobretudo em Recife

Mais uma matéria para o JC Online, desta vez sobre os shows internacionais. Ansioso pela “Invasão canadense”, do e a apresentação dessa menina aí embaixo, a . Saca:

Passado os efeitos da crise econômica que abalou o mundo em 2009, é grande a expectativa para os shows internacionais no ano que vem. A situação parece caminhar para um cenário mais otimista se comparado a este ano que passou, quando festivais importantes, como o TIM Festival e Nokia Trends, deixaram de existir. Já no primeiro semestre, período de vacas magras para espetáculos no Brasil, algumas datas já foram confirmadas, entre elas, Metallica e Cranberries. E até Recife pode torcer: Abril Pro Rock e Coquetel Molotov prometem mais shows na cidade.

O secretário de Cultura do Recife, Renato L, chegou a dizer que e a cantora inglesa Lily Allen são dois nomes que podem tocar no Carnaval pernambucano. seria um desejo também de Lenine, com quem poderia dividir o palco. Este seria uma das propostas do reformulado Carnaval Multicultural da cidade, com a aposta de atrações diversificadas, muitas delas internacionais.

Mas nem tudo é especulação. A cidade já conseguiu estabelecer eventos fixos de grande porte, ainda que ainda não possua estrutura para receber turnês estrangeiras, como já ocorre com Rio, São Paulo, Belo Horizonte, ou mesmo cidades do Sul do País. O No Ar: Coquetel Molotov é um exemplo. Produzido pelo coletivo de produtores de mesmo nome, ano passado o festival trouxe sete atrações estrangeiras em sua programação.

O Coquetel trabalha em parcerias com instituições culturais em países como Suécia e França para viabilizar a vinda de artistas. A novidade para 2010 é o Canadá. Segundo a produtora Ana Garcia, a ideia é aumentar o número de turnês estrangeiras ano que vem. “Iremos trazer uma turnê internacional por mês a partir de fevereiro. Faremos de tudo para que esses artistas passem por Recife”, afirmou. Segundo ela, a dificuldade da cidade é dividir os custos. “Em São Paulo, consigo trazer um artista tirando os custos apenas da bilheteria. Aqui é impossível, sem falar que é longe”, completa.

Entre os artistas gringos que o Coquetel espera trazer estão a artista francesa Soko e a sueca Likke Li. Já o outro festival de peso na cidade, o Abril Pro Rock, espera trazer entre três e cinco bandas internacionais em sua 18º edição. “Não iremos apostar em uma única banda que leve todo o dinheiro. Por isso, iremos apostar em artistas de médio e pequeno porte, a exemplo das últimas edições”, disse Paulo André, idealizador e produtor do APR. Como adiantou o JC Online, o festival terá um mês de shows ano que vem.

No cenário internacional, algumas bandas gringas já confirmaram a vinda ao Brasil. No entanto, os shows para o segundo semestre ainda são especulações. É que a partir de setembro, inicia-se período de baixa temporada de shows no hemisfério norte, o que facilita a vinda de artistas para estas bandas abaixo do Equador. Não à toa, a maioria dos grandes eventos sempre ocorrem no final do ano. O foco para 2010 será mesmo bandas menores, mas ainda assim com bom público devido a popularidade que esses grupos conseguem por conta da Internet. As exceções são mesmo Metallica e Coldplay.

Coquetel Molotov, Julho de 2009

Série de resenhas que escrevi para a edição #06 da revista . A capa é de Guizado. A revista tem distribuição gratuita e pode ser conseguida pelo www.coquetelmolotov.com.br

GUI BORATTO – Take My Breath Away (Kompkt)
Desde que lançou “Beautiful Life” seu maior hit até agora, Gui Boratto não largou mais a alcunha de DJ mais bem-sucedido do País. Assim como o álbum anterior, Chromophobia, este Take My Breath Away também foi editado pelo selo alemão Kompakt, e já ganhou repercussão lá fora mesmo antes de um lançamento por aqui. Boratto continua firma nas experimentações do minimal house, gênero conhecido por uma elegante discrição e certas viagens hipnóticas, mas agora reforça seu intuito em botar as pessoas para dançarem. “Atomic Soda”, com batidas sujas, é a mais pesada do disco e é um chamariz para pistas, assim como “Besides”, cheia de barulhinhos. E se tem algo que o DJ e produtor brasileiro ficou conhecido é pelo seu talento em criar melodias de forte impacto no ouvinte, caso de “No Turning Back”. Aqui, sai o Gui Boratto esteta e entra o curador de temas emotivos e passionais.

JEMAPUR – Evacuation (W+K Tokyo Lab)
Toshiaki Ooi é um ilustre desconhecido no meio independente mundial, e isso não se deve ao fato dele ser japonês. Com seu projeto Jemapur, Ooi se aventura em estilos sem muito apelo pop, além de mostrar um claro interesse em experimentações de toda sorte. Com apenas 23 anos, ele lança este Evacuation, uma orquestra um tanto caótica, que vai do industrial ao Hip Hop, passando pelo Dubstep, ritmo em alta na cena eletrônica e o IDM. Para os que mantiverem a paciência durante toda a audição do álbum, vai poder conferir as boas intenções do rapaz. A principal delas é “Maledict Car”, música com tons psicodélicos, que ganhou até um bom videoclipe. “Panter Time” também é outra boa surpresa. Para quem quiser apostar no garoto, a filial japonesa da EMI comprou os direitos de distribuição deste disco.

THE VERY BEST – Esau Mwamwaya and Radioclit are the Very Best (Ghettopop/Green Owl)
Desde que a primeira década do século começou, a música pop já mostra sinais de que está interessada em ritmos menos ortodoxos. O projeto The Very Best é a prova de que a junção entre hits do Ocidente e a África é algo que pode render frutos criativos. A dupla franco-sueca Radioclit se uniu ao artista malauie Esau Mwamwaya e fez uma mixtape onde passeiam por canções de M.I.A. a Vampire Weekend. Mais do que ser um ótimo trabalho de copy+paste, o disco mostra de forma bem-humorada o quanto é rica a musicalidade africana e como ela se casa tão bem ao panorama pop atual. Entre divertidos remixes e samplers, ao menos duas músicas já são hits em pistas: “Kamphopo”, que remodela “Heart It Races” do Archicteture In Helsinki e “Get it Up”, que tem participação de M.I.A. e Santogold.

BURAKA SOM SISTEMA – Black Diamond (Enchufada/Sony-BMG)
O Buraka Som Sistema é uma banda de Portugal que ficou conhecida por reentroduzir o ritmo Kuduro na cena musical de Lisboa e, em menor proporção, no resto do mundo. Mas, os méritos da banda ainda vão além. Eles foram até a África, mais precisamente Angola e Moçambique e redescobriram novos estilos, entre eles o Semba, o Kalemba, entre outros. Nessa multiculturalidade, sobrou espaço até para o funk carioca, com a participação de Deize Tigrona em “Aqui Pra Vocês”. Tem muita gente apostando na proposta, até mesmo M.I.A., que canta em “Sounds Of Kuduro”. Resta saber o grupo terá fôlego para sobreviver após o estouro da bolha que foi o sucesso do kuduro.

N.A.S.A. – The Spirit Of Apolo (Anti-Records)
Este disco do N.A.S.A. era um dos lançamentos mais aguardados desde que foram divulgados seus participantes: Tom Waits, David Byrne, Karen O., dos Yeah Yeah Yeahs, Spank Rock, Chuck D, Lovefoxxx, do CSS, a onipresente M.I.A. e mais outra dezena. A ideia de juntar tanta gente de estilos tão díspares foi do norte-americano Squeak E. Clean e do brasileiro Zegon. Um caldo tão heterogêneo que vai do Samba ao Hip Hop poderia desandar para algo caótico, já que tantos estilos costurados comprometem um pouco da unidade do trabalho. Mas, conceitualmente, The Spirit Of Apolo é isso mesmo, um imenso caldeirão, onde as músicas funcionam, cada uma, como um hit em potencial. Em tempos de Last.FM e blogs de MP3, esta talvez seja a premissa dos tempos atuais. Ouça no random mode.

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