ibanez

O Grito! vai entrando em uma nova e instigante fase e ainda podemos falar pouco sobre ela. Uma das novidades diz respeito à reformulação dos layouts, começando pelos blogs. O JazzMetal é o primeiro da fila, como vocês podem ver dando uma volta por aqui.

O blog vai reforçar seu projeto inicial de ser um depositário de descobertas minhas no campo dos quadrinhos, com destaque para a produção independente e de outros países. Desta vez aperto o gatilho de uma ideia que já elaboro há tempos: cair de cabeça na minha coleção para escrever mais sobre cada obra. Serve tanto para compartilhar boas HQs como para me forçar a revisitar e pesquisar mais sobre os autores. Vai ser bem legal, espero.

A ideia é postar uma HQ por dia, mas sei que isso nem sempre será possível. Por isso, o tamanho dos posts pode variar bastante, bem como a periodicidade. Já já crio um banner aí do lado para ficar mais fácil a busca pelos posts anteriores. Espero que a nova seção instigue vocês leitores a caçar novas e desconhecidas HQs, seja em sebos, sites ou em sites online, daqui ou de fora. É essa diversidade de temas e formatos que me faz colecionar quadrinhos.

***

ibanez2

Ibáñez é um livro bem representativo e importante em qualquer coleção de HQs argentinas. É a única colaboração de dois grandes nomes dos quadrinhos, e Enrique Breccia. Esta edição de 2006 da Doedytores reúne pela primeira vez em livro as histórias dos autores em seu formato original preto e branco. É que nos anos 1980 a editorial Columba coloriu os originais de Breccia em uma tentativa de popularizar as histórias, mas o tratamento foi horrível e bem aquém dos traços do desenhista argentino.

A edição da Doedytores traz ainda um prefácio do editor explicando a história de Ibáñez, um clássico do quadrinho argentino, que saiu pela primeira vez em 1983 na revista D’artagnan, da Columba. Durou ao todo sete meses.

Ibáñez se passa em Aragón, na Espanha do século 16, época de Carlos V. O Conde Alonso de Ibáñez, que foi a mão direita de Fernando, o Católico, na guerra contra os mouros, hoje dedica-se à cuidar de sua lavoura ao lado do seu filho Gonzalo Ibáñez. O jovem Gonzalo, ao contrário do pai, não é tão estóico e decide enfrentar seu velho inimigo, o duque de Cisneros, que é o dono e guardião das terras montanhosas que impedem os franceses de atacar a Espanha.

A série teve edições coloridas, hoje mal vista pelos colecionadores. (Reprodução).

A série teve edições coloridas, hoje mal vista pelos colecionadores. (Reprodução).

A obra não fez tanto sucesso como se esperava, mas conseguiu completar seu primeiro arco. Sua importância só seria recuperada anos depois. A aposta na época foi alta: Breccia é filho de uma lenda das historietas argentinas, . Já o paraguaio Robin Wood já era famoso à época pelo personagem Dago.

É uma pena que mais obras clássicas do quadrinho argentino como essa não sejam publicadas aqui no Brasil.

Os traços de Breccia sabem explorar bem a expressividade do preto e branco e consegue criar um cenário soturno como poucos. Quem quiser ver mais do trabalho dele pode ir atrás de Che, biografia de Che Guevara que ele assinou ao lado do pai, Alberto. Foi lançada pela Conrad em 2008. Já o escritor Robin Wood, esse sim tem bem menos espaço por aqui. O site dele tem diversas informações e farto material sobre sua obra.

Comentários