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O filme Dezesseis Luas tem como maior chamariz o fato de ter recebido o apelido de “novo Crepúsculo”. Baseado em uma série de livros juvenis (15 a 21 anos), o longa consegue introduzir os mesmos elementos já vistos na saga dos vampiros, como o amor proibido, magia e transformações da puberdade, mas tem uma proposta mais original na forma de contar a história.

Dirigido por Richard LaGravenese, o filme chega a causar estranhamento de quem espera mais uma aventura previsível aos moldes de Crepúsculo. Com um orçamento modesto, o roteiro vai seduzindo o espectador através de clichês conhecidos, para só depois surpreender com uma cena inusitada. Ao tratar do sobrenatural, a história pega referências de Carrie, a Estranha e o romance tem um sabor de filmes indies no estilo Vidas Sem Rumo.

Por essa mistura não muito coesa, Dezesseis Luas é um filme que tenta se diferenciar da pecha fútil que pode ter conseguido mesmo antes de estrear. A própria distribuidora está vendendo o filme no Brasil como mais uma trama sobrenatural para adolescentes, com toda a dose de seriedade e pretensão. Mas, é bom dar uma chance à produção. Na história, o menino Ethan (Alden Ehrenreich) vive uma rotina entediante em uma pequena cidade nos EUA. Tudo muda com a chegada de Lena Dunchannes (Alice Englert).

Estranha e considerada “amaldiçoada” por causa das lendas que envolvem sua família, Alice vive reclusa com seu tio (Jeremy Irons), em um casarão. Após revelar sua natureza mágica, alice precisará lutar contra a tradição para poder viver seu romance. Além disso, uma maldição ameaça sua vida e a de seu namorado.

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O roteiro traz humor negro e sagacidade pouco vistos em filmes voltados para jovens. Além disso, levanta questões interessantes, ainda que de forma amena. Uma delas é o protagonismo feminino, representado pela jovem bruxa. Ao contrário de Crepúsculo e muitas outras obras que envolvem magia, o cerne da história é interpretado por uma heroína. É Ethan quem precisa se adaptar ao mundo mágico e desconhecido de sua amada.

Outro ponto a favor do filme é seu talento em não se levar a sério. A interpretação dos adultos é histriônica, exagerada e serve como contraponto ao equilíbrio emocional apresentado pelos adolescentes. Em algumas passagens, as cenas apelam para o ridículo. Nisto, merece os créditos a boa direção de Richard LaGravenese, autor pouco conhecido, que fez o fraco P.S. Eu Te Amo (2008).

NOVA FRANQUIA – Baseado em uma série de livros escrita por Kami Garcia e Margaret Stohl, Dezesseis Luas tem tudo para se tornar uma nova franquia ao estilo de Crepúsculo e Harry Potter. Uma das vantagens da nova empreitada é o elenco. Neste primeiro filme, um renomado time de atores foi chamado. Jeremy Irons, no papel do tio de Alice, Emma Thompson, que interpreta uma carola que é dominada por uma força maligna e Viola Davis, uma xamã que cuida de uma biblioteca.

Já o casal protagonista possui talento. Alden Ehrenreich ficou conhecido pelo filme Tetro e desde então se tornou ator preferido de ninguém menos que Francis Ford Coppola. Como personagem-narrador, ele consegue envolver pelo carisma. A menina Alice Englert é tão bonita quanto boa atriz e terá um ano produtivo em bons lançamentos para este ano.

Dezesseis Luas traz novidades no gênero sobrenatural e é grata surpresa para quem espera um despretensioso filme com aventura e humor. Passa bem longe do constrangimento que foram os últimos filmes da Saga Crepúsculo.

DEZESSEIS LUAS
De Richard LaGravenese
[Beautiful Creatures, EUA, 2013
COM: Alice Englert, Alden Ehrenreich, Viola Davis, Emma Thompson
CLASSIFICAÇÃO: 10 anos

Texto originalmente publicado por mim no NE10.