Texto que fiz para o MundoBit, blog de tecnologia do Portal NE10. As questões urbanas do Recife hoje é um dos temas mais espinhosos na cidade e envolve muitas questões: ética, crescimento econômico, cuidado com a memória da cidade, desenvolvimento sustentável. Muito bom que existe um grupo de pessoas mobilizadas para que tudo isso seja discutido abertamente com todo mundo.

Recifenses articulam mobilizações online por mudanças na cidade

Na última quinta-feira (22), o plenarinho da Câmara dos Vereadores do Recife, no Centro da capital pernambucana, ficou lotado, com pessoas disputando até mesmo o corredor, para acompanhar o debate sobre a construção do projeto , empreendimento que planeja erguer 13 torres na região do Cais José Estelita. A maioria das pessoas que estavam ali foi convocada pelo Facebook, em uma mobilização que planeja articulações que vão além das redes sociais e que possam levar a mudanças concretas.

O e suas mobilizações online estão trazendo diversas mudanças em diversas sociedades. Reverberando anseios que já estão presentes no cotidiano, grupos de pessoas usando blogs, Twitter, Facebook e outras redes promoveram manifestações em países do Oriente Médio e nos movimentos Occupy, sendo o #OccupyWallSt, que durou mais de 100 dias, o mais emblemático — falamos dele aqui.

Pernambuco começa a ter um ciberativismo mais forte, depois de alguns episódios pontuais de protesto. No Recife, a convocação de pessoas para a audiência pública sobre o Projeto Novo Recife foi um marco nas mobilizações online locais. Foi criado um evento no Facebook chamando para o local, onde cerca de 600 pessoas confirmaram presença. Ainda foi feito um abaixo assinado virtual entregue a representantes do empreendimento e órgãos públicos presentes. No dia, perto de 200 pessoas lotaram a sala, pequena para tanta gente.

O grupo “Direitos Urbanos”, no Facebook, foi o principal responsável por reunir interessados em discutir problemas do Recife, como , desenvolvimento sustentável, entre outros assuntos. Tudo começou como um local para protestar contra a lei que regula o consumo de bebidas alcóolicas, proposto pela vereadora Marília Arraes (PSB-PE). O espaço cresceu, ganhou novas discussões e acabou por mudar de nome. Com cerca de 800 membros, a preocupação agora é a formulação de propostas para os problemas.

“Temos sociólogos que estudam justamente o problema da violência, arquitetos preocupados com arquitetura social, engenheiros com preocupação urbanística e assim por diante. Infelizmente ainda estamos numa fase de brigar contra os projetos que, a nosso ver, atentam contra uma cidade mais humana”, diz o professor de filosofia da Universidade Federal Rural de Pernambuco e um dos membros do “Direitos Urbanos”, Leonardo Cisneiros. “Acho que o poder público ganharia enormemente se compreendesse bem o poder da web para fomentar ideias e agregar a inteligência de várias pessoas interessadas”.

Para a promotora do Ministério Público de Pernambuco Belize Câmara, a internet pode auxiliar nas reivindicações. “Há uma aceleração das coisas. Antes, imagine como era difícil fazer um abaixo assinado!”, observa. Belize diz que o MPPE está acompanhando com atenção as movimentações na web. “O promotor moderno não pode prescindir das redes sociais”, opina.

A foto é de Alexandre Gondim / JC Imagem, usada na matéria.

Comentários