Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Data: 20 de outubro de 2011

Kadafi está morto! Vida longa aos virais

Como alguém disse no Twitter: Kadafi morreu. Piadas de humor negro e politicamente incorretas estão permitidas.

E essa montagem do zumbi ditador encontrado na Síria? Dica do Leal. Mas, o melhor mesmo é o legado fashion de Kadafi. Tem vários looks aqui.

Os cachorros no OccupyWallStreet

Os cães também foram às ruas protestar contras as corporações. Tem mais no BuzzFeed.

River Phoenix de volta

E River Phoenix que volta aos cinemas em 2012? Não sei se isso vai dar certo (acredito que não), mas bem que poderiam aproveitar e relançar a versão restaurada do clássico My Own Private Idaho, conhecido por aqui como Garotos de Programa.

Recupero aqui uma antiga entrevista de Phoenix.

E cenas deletadas de My Own Private Idaho.

Uma cama de casal para Inaldo

Pernambuco conviveu por décadas com o maior manicômio do Brasil. A reforma psiquiátrica, porém, indica um novo modelo de tratamento que prevê mais qualidade de vida ao paciente, seja no retorno ao lar, seja em atividades terapêuticas singulares. O atendimento também se descentralizou, mas ainda há desafios para o Estado, quinto colocado no ranking nacional de leitos psiquiátricos. O especial traz um panorama atual da saúde mental e histórias de pessoas que todos faziam questão de esquecer.

Demorei para postar aqui essa reportagem especial O Caminho de Casa, feito para o portal NE10 com os colegas Isabelle Figueirôa e Wladmir Paulino. Foi a primeira vez que a imprensa local foi saber os bastidores da reforma psiquiátrica e conhecer o cotidiano desses pacientes, que começam a ganhar alguma dignidade depois de anos prisioneiros em hospícios.

O debate é longo e controverso, mas foi legal alguém expor o lado dos doentes e não só a comodidade das famílias. Abaixo, a matéria mais legal de fazer, sobre Inaldo e sua história de amor.

Uma cama de casal para Inaldo

Com uma carta de amor que parecia impossível, Inaldo Pereira pediu Maria em namoro. Ele se agarra a uma informação que parece perdida no tempo. Segundo conta, durante o internamento no Hospital José Alberto Maia, em Camaragibe, pegou a caneta e papel e escreveu o quanto gostava dela. Pereira é analfabeto como deixa claro a identidade que ele faz questão de mostrar a quem chega na residência terapêutica no Centro do Cabo de Santo Agostinho. Aos 53 anos, ele aguarda ansioso pelo momento que possa dormir na mesma cama com sua mulher.

Pereira dorme hoje com o irmão Joaquim em um quarto e divide a casa com outros seis pacientes, todos ex-internos do Alberto Maia. Tem a aparência de quem foi calejado pelo trabalho pesado, o rosto cansado, mas, na verdade, passou grande parte da vida dentro do manicômio. Entrou aos 33 e passou 18 anos, até sair de lá com o fechamento da instituição ano passado. Sentado na cozinha da casa, Pereira acende um cigarro caseiro para tentar imitar como foi feita a carta para Maria. “O que eu mais quero fazer quando ela chegar é muito amor”, diz rindo.

Nascido em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Pereira faz parte de uma família com um histórico de transtorno mental. A mãe e seus outros quatro irmãos tiveram problemas psíquicos e tiveram passagem por hospícios. A irmã, Nancy, entrou no Alberto Maia no início da adolescência e morreu no local, aos 30. O caso nunca foi bem explicado segundo os familiares. O irmão Joaquim sempre esteve próximo e hoje o espreita como uma sombra, repetindo-lhe quase todas as frases. Os primeiros sintomas que denunciaram um comportamento fora dos padrões em Inaldo aconteceram no início da puberdade, quando ateou fogo na porta do quarto da casa onde morava, em Ponte dos Carvalhos, no Cabo.

“Uma vez acordamos e Inaldo estava nu e com uma faca na mão. Foi aí que vimos que era preciso procurar ajuda”, disse a prima e atual curadora, Lucineia Pereira. Inaldo conheceu Maria nos seus primeiros anos no Alberto Maia depois que ela veio de Vicência, na Zona da Mata, onde era moradora de rua. Nos primeiros anos, o pai de Lucineia, que cuidava dos sobrinhos à época, permitiu que o casal viesse do Alberto Maia para o Cabo nos fins de semana. “Eles tinham necessidade grande de fazer sexo; por isso, criamos um espaço atrás de casa onde puderam ter mais privacidade”. Depois do fim do hospício ano passado, Maria foi transferida para um espaço provisório no km 14 de Aldeia, em Camaragibe.

Com a abertura da nova residência terapêutica no Cabo, os coordenadores deram o presente para os namorados: uma casa onde possam dormir juntos todos os dias. O lugar nasceu da necessidade de receber os últimos moradores do Cabo saídos do Alberto Maia que ainda viviam no espaço provisório em Aldeia. Foi decidido que Inaldo, seu irmão Joaquim e Maria ficariam na mesma casa, que foi inaugurada no final de agosto.

Com dificuldade em se expressar, Inaldo por vezes fixa-se em uma ideia, repetindo frases. Também fantasia em cima de algum fato real ocorrido no passado, recriando memórias com pedaços de realidade e delírio. É o que os psicólogos acreditam se tratar da carta, que pode ter sido escrita por algum funcionário do manicômio ou por ele mesmo, em garranchos que foram facilmente traduzidos por Maria como uma declaração de amor autêntica.

Era final da manhã quando ela chegou com um grupo de pacientes do km 14 na casa do Centro do Cabo. Vieram visitar a reforma da futura residência ali perto, uma prática utilizada pelos técnicos para criar uma familiarização com o novo lar. Cabelos bem curtos, baixinha e vestindo roupas largas, Maria mal ultrapassou o portão e foi atacada pelos beijos de Inaldo. Chegou ansiosa e só relaxou quando acendeu um cigarro de fumo com Joaquim e Inaldo na área externa da casa.

“Maria sempre foi muito bonita”, lembra Inaldo. “Ela me levava para Ponte dos Carvalhos para visitar minha família”. O cuidado mútuo terminou quando se separaram nos últimos anos do Alberto Maia. No momento em que saiu do hospício, Inaldo estava num nível de introspecção que o fazia ter medo de atravessar a rua. Também falava pouco. No início do internamento, quando conheceu Maria, sua família lembra que o relacionamento ajudou bastante o casal. No dia da saída, com uma sacola de roupas e uma caneca, Inaldo pensava na mulher. Imaginava uma casa onde pudessem morar juntos, dormir todos os dias juntos. Ela estaria bonita, bem vestida, de relógio e trancelim. E todos os dias, por estarem juntos, estariam ajudando um ao outro, como antes.

> Leia o especial completo O Caminho de Casa

Trip da diversidade é a revista mais legal do país este ano

Com vocês, a melhor capa do ano nas revistas publicadas no Brasil. Pela primeira vez uma revista tem coragem de abordar o tema da diversidade sexual com tanta personalidade, e mais importante, colocando um casal gay se beijando. A revista masculina Trip na sua edição de outubro mostrou que não está dando a mínima para a onda do politicamente correto que assola o país e que mira num público sem proconceitos (ao contrário de grande parte de nossa mídia). Ponto para ela também por fugir dos estereótipos. É uma revista para trazer boas vibrações para as bancas, apontando para um país mais tolerante, livre. Seria bom que a Trip pudesse inspirar mais editores por aí.

A segunda capa é tão bonita quanto a dos surfistas gays. Parabéns, redação da Trip.

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