Na noite em que morreu o fundador da Apple, Steve Jobs, escrevi esse texto para o NE10. Aliás, fizemos uma cobertura da morte dele durante a madrugada desta quinta. Goodbye, Steve.

Steve Jobs foi um dos maiores visionários da tecnologia em todo o mundo. Seu carisma foi um ingrediente para o sucesso dos produtos da empresa, como o iPod, iPhone e o iPad. Ele criou novas necessidades para as pessoas e inovou no modo como nos relacionamos com os dispositivos, desde o computador até o telefone celular. Misturando avanços tecnológicos significativos com design, ele criou verdadeiros fetiches, algo que dava um novo valor a coisas que já existiam há muito tempo. Seu legado é uma das empresas mais ricas do mundo. No entanto, a Apple se encontra num momento em que pode perder a hegemonia em muitas áreas, entre elas a telefonia.

Meses antes da morte de seu fundador, a Apple começava a ser pressionada por demorar em lançar a nova versão do iPhone. Os consumidores acostumaram-se a ter a empresa como ponta de lança da inovação tecnológica. E isto é culpa de Jobs. O fundador fazia de cada aparição um evento mundial que repercutia na vida das pessoas, mesmo entre aqueles que não possuíam nenhum produto Apple. Esses novos lançamentos forçaram outras companhias a se atualizarem, a pensarem em novos modos de cativar o público como Jobs tinha feito.

A genialidade de Jobs estava em criar produtos incrivelmente simples, com um design que dava às pessoas uma intimidade instantânea, sem necessidade de uma iniciação. Isso acabou forçando mudanças não só na indústria de tecnologia, mas no mercado de negócios. E foram muitas revoluções baseadas nesse conceito de criar produtos simples e com muito apelo estético.

E uma revolução pode ser medida pela mudança que traz no comportamento das pessoas. Foi assim lá nos anos 1980, quando mudou o computador pessoal, tornando-o mais interessante de se utilizar para o leitor leigo. Depois, fez o mesmo com o telefone, ao transformá-lo em uma espécie de computador pessoal de bolso. Com a música, criou o iPod e o iTunes e inovou a forma de se consumir música. E fez o iPad um produto essencial para muitas pessoas, mesmo sendo algo inexistente durante anos. Como empreendedor, Jobs conseguiu ganhar muito dinheiro aumentando os lucros e diminuindo os custos dos processos.

Fez tudo isso apostando unicamente na devoção que seus fãs tinham em seus produtos. Agora, sai de cena com um mercado mais competitivo, incluindo brigas abertas contra concorrentes como a Samsung, e uma possível perda de hegemonia em muitos segmentos. Se o iPhone ainda continua como o melhor celular já feito em todos os tempos, o anúncio feito ontem pode dar margem para uma nova geração de dispositivos tão bons quanto. Sem um produto novo, o anúncio do iPhone 4S frustrou expectativas por mais um produto que mudasse o mundo. De novo.

Comentários