Escrevi para o NE10 sobre como Batwoman é a melhor coisa que apareceu nesse reboot da DC Comics até agora.

Vítima de homofobia dentro da DC Comics, a heróina é o grande destaque da editora até agora

Todo mundo que acompanha quadrinhos deve estar sabendo – e já falamos disso por aqui – que os quadrinhos da DC foram “resetados”. Ou seja, todos os 52 títulos da editora começaram desde o número #1, alterando algumas coisas na cronologia da editora e mantendo outros. A ideia foi alavancar as vendas das revistas pôr ordem na casa. Lançado com muita atenção da mídia e com tiragens esgotadas, o tal “relaunch” parece ter sido um sucesso, ainda que nem toda a produção tenha o mesmo nível de qualidade.

Até aí tudo bem, pois no universo dos quadrinhos de super-heróis, sempre existiu boas histórias ao lado de títulos medianos e roteiros de dar vergonha ao ler. Neste novo início da DC Comics já temos algumas séries que valem a pena serem acompanhadas, entre outras que devemos passar longe. Com a facilidade de acompanhar as histórias baixando pelo iPhone, consegui já escolher a melhor HQ até o momento deste recomeço: Batwoman.

Sim, estou falando daquela Batwoman que foi censurada e teve diversos adiamentos pelo simples fato da personagem ser lésbica. Com elogios da crítica durante sua passagem pelo título Detective Comics, a heroína fez sucesso foi tornou-se um empecilho para os planos do então publisher Paul Levitz, que não gostou da polêmica e da mídia gerada pela sexualidade.

Batwoman ganhou uma nova chance neste reboot. Escrita e desenhada por J.H. Williams III, a HQ perde seu roteirista idealizador Greg Rucka, mas continua mantendo o mesmo alto nível de qualidade. Kate Kane continua combatendo o crime em Gothan City e desta vez tentando treinar sua prima, Bette Kane (Flamebird) como sua ajudante. Também precisa lidar com um novo serial killer à solta. A história que se inicia terá cinco partes e continua de onde a antiga série parou.

A personagem não foi reformulada, mas o roteiro dá uma ajuda para relembrar o passado. Quem nunca leu as histórias anteriores não vai sentir muita falta. A homossexualidade continua lá, e segue sendo muito bem tratada, como mais um elemento dentro da história. E falando do desenho, J.H. Williams III se superou. Se é que isso é possível. São tantos detalhes e diferentes ângulos apresentados que cada página funciona como um painel para ser admirado. Ele consegue criar novas soluções narrativas e algumas sequências possuem uma fluidez como dificilmente vemos nas HQs.

Outros quadrinhos que seguirei acompanhando é a nova Action Comics, que conta os primeiros momentos do Superman, este sim, que teve um reinício nesta nova fase. O roteiro é de Grant Morrison, um dos nomes mais interessantes deste reboot. As HQs da “família” Batman também parecem promissores. Ainda não consegui ler nenhum, mas todos trazem a boa notícia de que aproveitarão o passado recente, como a relação do Homem-Morcego com o seu filho Damian. As mudanças, apesar de controversas, deram fôlego à linha de revistas dos vigilantes de Gotham.

De fato, este é um momento importante para quem acompanha quadrinhos de super-heróis, e para quem tinha desistido do gênero, é um bom momento para recuperar o prazer de lê-los. Claro que algumas revistas deixaram a desejar, apesar da forte expectativa, é o caso da Liga da Justiça #1, que inaugurou o reinício. A curiosidade é saber como essa fase vai se comportar no Brasil e como a Panini Comics, que detém os direitos, vai tratar esse material. Espero que seja respeitado o espírito da editora nos EUA, ou seja: tudo novo de novo, do início, com todas as edições começando do zero.

E espero um lugar especial – e de destaque – para a BatWoman.

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