Triste destino do BlackBerry?

Na guerra dos smartphones fiz uma matéria sobre o inferno astral do (do qual sou usuário) para o NE10.

Crise da fabricante do BlackBerry já afasta desenvolvedores

Não param de chegar notícias ruins para a RIM, empresa canadense que fabrica os smartphones BlackBerry. Nesta terça-feira (21), o Seesmic, um desenvolvedor de aplicativo para Twitter anunciou que não vai mais lançar atualizações para os celulares da empresa, focando sua atuação apenas para iOS, Android e Windows Mobile. Depois de quedas nas ações da empresa e a saída de executivos, essa notícia de hoje pode ser o início de uma debandada de desenvolvedores. No Brasil, operadoras ainda apostam no aparelho, enquanto usuários já consideram mudar para outras marcas.

O Seesmic não é o mais popular dos aplicativos para Twitter, mas sua decisão mostra o desinteresse de público pelos famosos e elegantes smartphones da RIM. Desde o final do ano passado, a loja de aplicativos para BlackBerry, o BlackBerry AppWorld vive uma espécie de “deserto criativo”, com poucas novidades se comparado a seus concorrentes, o iOS (Apple) e o Android, do Google. Também é fraca em jogos, que nunca foi o seu foco.

O BlackBerry ficou famoso entre executivos com uma plataforma mais voltada para empresas. Considerado o celular mais seguro do mundo, ficou popular também pelo teclado QWERTY que possibilita uma maior rapidez nas mensagens e por seu chat exclusivo, o BBM, praticamente impossível de ser criptografado. Para investidores, a RIM demorou a apresentar inovações frente à concorrência, o que ocasionou uma queda nas vendas.

Pela primeira vez desde 2005, a empresa apresentou queda de vendas. Após o anúncio no último dia 16, as ações da empresa caíram 15% num único dia. No Brasil, as operadores Vivo, Claro, Oi e TIM oferecem o plano de dados do BlackBerry, o BlackBerry Bis. Com um valor fixo, o usuário pode usar o BBM, mandar emails, acessar o navegador para ver sites e usar diversos aplicativos disponíveis, como Twitter e Facebook. As operadoras não divulgam a base de clientes que usam o smartphone, mas recentemente a TIM, a primeira a trabalhar com o aparelho da RIM mostrou ir num caminho oposto à queda de vendas.

A operadora lançou recentemente um preço promocional, cobrando R$ 49 pelo acesso ilimitado, o menor valor entre os planos consultados. “Esta oferta especial permitirá a mais pessoas ter acesso à experiência diferenciada que o aparelho proporciona”, disse Roger Solé, diretor de Marketing Consumer da TIM. A Oi atualmente oferece o plano para todos as modalidades ao valor de R$ 69. A Claro oferece várias possibilidades, desde a utilização apenas do BBM, por R$ 19,90 até a versão mais cara por R$ 99, com a opção de usar o celular como modem. A Vivo, que também cobra R$ 69,90 pelo plano ilimitado, ainda trabalha o plano BlackBerry Social, por R$ 29,90 e possibilidade de atualização dos principais serviços como Twitter, Facebook e Orkut.

O produtor e consultor de comunicação para empresas Fernando de Albuquerque é um dos partidários do aparelho preto e elegante. “Tenho um carinho pelo Black. Ele é fácil de utilizar e tem aplicativos úteis como as mensagens BBM. A desvantagem é que o sistema operacional envelhece muito rápido e os bugs se tornam muito constantes”, diz. Já o professor Henrique Sobral já trocou três vezes de BlackBerry, mas admite que irá optar por um mais popular. “Meu próximo aparelho será um iPhone ou algum com o [sistema operacional] Android. No BlackBerry você paga por uma grife. Mas foi-se o tempo em que ele representava a vanguarda dos telefones”.

A RIM e seus BlackBerry ficaram populares entre o setor corporativo, e por algum tempo foram o principal rival do iPhone, da Apple. Atualmente, usuários e especialistas acreditam que a Samsung tenha ocupado esse posto com seus smartphones baseados em Android.

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